Três séries: “A Louva-a-deus”, “Collateral” e “The Umbrella Academy”

Resenhas por Adriano Mello Costa

“A Louva-a-deus”, de Alice Chegaray-Breugnot, Nicoles Jean e Grégorie Demaison (Netflix)
Jeanne Deber (a Carole Bouquet de “007 – Somente Para Seus Olhos”) interpreta uma serial killer fria e segura das suas habilidades e ideologias que está presa há anos pelo assassinato de vários homens. Quando consultada pela polícia para auxiliar a desvendar crimes que copiam exatamente os seus, ela decide participar da investigação desde que seu filho Damien (Fred Testot) que é policial esteja na força-tarefa. Está montado o cerne de “A Louva-a-deus” (La Mante, no original), minissérie francesa de 2017 com 6 episódios produzida pela TF1 e disponível no Netflix. Criada por Alice Chegaray-Breugnot, Nicoles Jean e Grégorie Demaison, todos os capítulos têm direção de Alexandre Laurent, o que sem dúvida ajuda para o bom andamento. O trabalho vai além do suspense e do thriller policial para se estender a um drama familiar repleto de segredos e (literalmente) esqueletos grandiosos escondidos. Com atuação firme de Carole Bouquet, que mesmo sem ser a protagonista é quem comanda o (bom) elenco, vemos uma história com resultado tenso e surpreendente que transita entre o sadismo e o amor, entre a violência e a insegurança.

Nota: 7

“Collateral”, de David Hare (BBC / Netflix)
“Collateral” é uma minissérie de 2018 produzida pela BBC em conjunto com a Netflix e está disponível na plataforma da segunda com quatro episódios de quase uma hora de duração cada. Escrita por David Hare (roteirista de ótimos filmes como “O Leitor” e “As Horas”) e com a diretora S. J. Clarkson (das séries “Jessica Jones” e “Orange Is The New Black”) na chefia, a trama inicia quando um motoboy é assassinado por tiros depois de entregar uma pizza em Londres. A polícia da cidade – com a detetive Kip Glaspie (Carey Mulligan de “As Sufragistas” e “Drive”) – assume a frente da investigação e logo descobre que a vítima era um imigrante ilegal, ao que tudo indica um sírio. Apesar de ter a investigação policial como guia, a história vai muito além disso e se expande pela questão do tratamento do Reino Unido a refugiados e imigrantes e passa sobre abusos no exército, tráfico ilegal de pessoas, política e religião. Muita coisa para ser tratada em pouco tempo, correto? Sim, correto, e esse é o maior mérito do trabalho de “Collateral”, que mesmo sem se alongar profundamente consegue dar ênfase crítica a esses temas.

Nota: 7,5

“The Umbrella Academy”, de Gerard Way e Gabriel Bá (Netflix)
Irmãos com habilidades especiais (e bem bizarras) se reúnem novamente debaixo do mesmo teto depois de um longo tempo e descobrem que precisam deixar as diferenças de lado e juntar forças para salvar o mundo de um apocalipse iminente. Essa é premissa básica de “The Umbrella Academy”, série que é uma produção original da Netflix e se baseia nos quadrinhos vencedores do Prêmio Eisner criados por Gerard Way (ex-vocalista do My Chemical Romance) e o brasileiro Gabriel Bá (da obra-prima “Daytripper” em conjunto com o irmão Fábio Moon). Com maciça campanha de divulgação, os 10 episódios não decepcionam e por mais que apresente uma ideia geral não tão original assim, o que realmente conta e faz valer a pena é o caminho pautado por desastres pessoais e familiares de personagens extremamente singulares e desestruturados. Inspirado por X-Men e principalmente Patrulha do Destino, Gerard Way criou com Gabriel Bá algo muito divertido e intrigante que se transpõe com a mesma força para a telinha (mesmo com caminhos diversos) e exibe cenas fantásticas e grandes atuações de Robert Shehan e Ellen Page.

Nota: 8,5

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop ( http://coisapop.blogspot.com.br ) e colabora com o Scream & Yell desde 2009!

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