Fluxxo Festival: A experiência de cinco bandas novas na estrada

Durante 19 dias, entre 06 e 23 de fevereiro, a primeira edição do festival itinerante Fluxxo circulou cinco novas bandas nacionais por seis cidades do estado de São Paulo – São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Sorocaba, São José dos Campos, São Paulo e Santos – com uma programação gratuita de shows e oficinas.

Esta primeira edição do festival trabalhou a ideia de fazer circular a novíssima música feita no Brasil fornecendo a primeira grande experiência de estrada para cinco bandas selecionadas através de um edital anunciado em novembro de 2018. As bandas escolhidas foram Meire D’origem, Obinrin Trio, Judas no Deserto, Sujeito Coletivo e Suco de Lúcuma.

Para saber um pouco sobre a experiência de estar pela primeira vez na estrada com outras bandas, o Scream & Yell, em parceria com a agência Tropi Press, preparou um questionário rápido para que cada banda se apresentasse e falasse um pouco sobre a experiência da primeira edição do Fluxxo ampliando o alcance do festival itinerante.

O trio Judas no Deserto se surpreendeu com a recepção do público à sua música. Já a Suco de Lúcuma destacou a troca de experiências com Maurício Pereira, que participou de uma oficina na tour. O duo rap Sujeito Coletivo analisou a convivência na estrada enquanto a mulher, mãe e MC Meire D’origem falou de entrega e o trio feminino Obinrin adiantou que saiu até parceria na estrada.

Confira abaixo as respostas de cada uma das bandas, e o som que cada uma delas faz. O Fluxxo Festival nasce como uma importante plataforma interativa para promover a troca entre agentes e profissionais do cenário de música independente, um satélite potencializador da nova música nacional. Merece ser celebrado e acompanhado. Siga os próximos passos aqui.

JUDAS NO DESERTO
O que mais surpreendeu vocês nessa primeira experiência de turnê?
O que mais nos surpreendeu foi a aceitação do público ao nosso som. Nossa estreia aconteceu no festival, então ainda não tínhamos tido nenhum feedback, e a resposta das pessoas foi tão positiva que chegou a nos surpreender. Tem sido uma experiência muito valiosa pra acreditarmos e levar adiante o nosso trabalho.

Três caras – fãs de batidas eletrônicas, ritmos brasileiros e vertentes da black music – se juntaram recentemente na cidade de Santana de Parnaíba. Judas no Deserto é pop contemporâneo. Ultra contemporâneo, dado que o trio começou em 2018. O resultado de seus encontros sonoros são letras inspiradas nos problemas e nas relações sócio-culturais presentes no cotidiano. 

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SUCO DE LÚCUMA
Qual foi o truque que você aprendeu?
O Maurício Pereira nos trouxe algumas ideias de como completar a experiência do show, para além das coisas musicais. Elementos como o movimento de luzes em sync com o repertório e a nossa projeção no palco foram muito importantes pro desenvolvimento do show como um espetáculo sensorial.

Cheio de psicodelia e groove, o quarteto Suco de Lúcuma chega com o lançamento do single “Ausência”, sua primeira música de trabalho. Eles mesclam nuances de hip hop e neo soul ao rock psicodélico e armam-se de uma retórica que bebe na fonte da literatura beatnik. Formada em São Paulo em 2017, a banda prepara este ano o seu álbum de estreia. 

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SUJEITO COLETIVO
Qual é a grande dificuldade de passar 20 dias na estrada com um monte de gente?
O maior desafio para nós, tanto tempo na estrada com vários outros músicos, é saber aproveitar todo esse tempo e todas essas potencialidades artísticas de cada pessoa para produzir e criar novas canções sem perder a originalidade do grupo, mas, ao mesmo tempo, conversando com todos os grupos presentes.

Trazendo consigo o novo single “Cria da Terra”, o duo Sujeito Coletivo caminha por referências nos diversos estilos de rap. Empregam letras politizadas e ácidas, e ao mesmo tempo irônicas e sarcásticas, com uma pegada rítmica e melódica que passa por acid jazz, reggae e vai até o trap. Representantes do extremo norte de São Paulo, eles usam a crítica social como arma para transformar espíritos.

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MEIRE D’ORIGEM
O que não fazer numa turnê?
Não ser egoísta, não se isolar, não estar de corpo e alma… Pra dar certo é necessário estar inteirx!

Ela se define com 3 Ms: Mulher, Mãe e MC. Meire D’origem, nascida em São José dos Campos, é integrante do movimento cultural hip hop desde 2001. Meire tem um extenso currículo quando se trata de atividades ligadas ao rap. Participou dos grupos Zona Sul MCs, A Oposição e do trio feminino D’origem. Contribuiu com o livro Perifeminas vol. I (o primeiro registro oficial das mulheres no hip hop no Brasil). Hoje, aos 32 anos, ela divide o seu tempo como rapper, educadora e produtora. 

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OBINRIN TRIO
Saiu alguma música nova durante esse período?
Não rolou música nova, mas durante as passagens de som fizemos alguns possíveis novos arranjos para algumas músicas que já estamos tocando há algum tempo, mas teve música nova com as outras bandas que vai ser lançada já já!

Dizem que elas encantam sentidos, feito sereias que trazem ora o choque, ora a calmaria típica de Iemanjá. Obinrin é sinônimo de feminino em yorubá. O trio paulistano é formado por Raíssa e Lana Lopes – que ressoam juntas desde o útero da mãe. As gêmeas viram Elis Menezes tocando no carnaval de 2016 e, sem perceber, já começaram a improvisar e fazer música. Dizem também que elas contagiam o ambiente, seja dançando um côco, chamando um maracatú ou empunhando um violão lindo. 

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