Entrevista: Alice Caymmi

entrevista por Renan Guerra

Depois de um ano do lançamento do disco “Alice”, a cantora e compositora Alice Caymmi lança agora o EP “Dizem Que Sou Louca”, com novas versões de “Louca”, faixa originalmente de Thalía, em versão nacional da banda Kitara. O EP apresenta desde a faceta mais dançante das canções de Alice, quanto seu lado mais íntimo soltando o vozeirão. O novo EP tem participações de João Brasil (que produziu originalmente a faixa) e Mateo, da Francisco El Hombre.

O novo lançamento segue as experimentações pop de Alice e casa com o universo trabalhado no seu último disco, lançado no início de 2018. “Alice”, o álbum, navegava por um universo mais eletrônico, trazendo batidas fortes e versos curtos e rápidos, em canções aparentemente simples, de fácil comunicação; eram canções românticas e apaixonadas, porém de libertação e força.

“Louca” é romântica, desmedida em sua breguice e assume um caráter extremamente pop na versão de Alice Caymmi, dando a entender que esse universo poderá se estender por seus próximos lançamentos: “Eu amo o brega, acho um gênero bonito, romântico, sensível e muito rico. O Brasil precisa do brega”, ela avisa. Conversamos com a cantora sobre esse novo EP e ela já deixou claro que seu quarto disco deve sair ainda esse ano. Confira o papo abaixo:

O que te inspirou a fazer um EP inteiro só com a faixa “Louca”?
O sucesso da faixa e meus fãs mais fiéis que eu amo!

“Louca” é originalmente da Thalía, porém a versão nacional é da Banda Kitara. Como você conheceu a faixa? Você acompanha os lançamentos do brega?
Eu conheci através da banda Kitara, quando resolvi gravar eu nem sabia que era da Thalía. Eu amo o brega, acho um gênero bonito, romântico, sensível e muito rico. O Brasil precisa do brega.

A versão do João Brasil é um remix em funk 150 bpm. Esse tem sido uns dos ritmos mais fortes do funk atualmente, você tem acompanhado e curtido os lançamentos desse estilo?
Claro, eu posso ser uma artista basicamente dramática, mas dançar é fundamental pra mim.

Achei a versão acapella uma coisa incrível, uma vibe “Medúlla”, da Björk. De onde surgiu a ideia de fazer essa versão?
Eu sempre gostei de criar coros e abrir vozes. Claro que tem influência do “Medúlla” nisso, afinal foi o primeiro disco que eu ouvi todos os dias durante um ano. Eu tinha 13 anos quando comprei e ouvi.

Você fala que o novo disco que virá será ainda mais pop e dançante. Eu já acho o “Alice” bastante pop, o que podemos esperar dessa nova fase?
Talvez aconteça uma reviravolta nessa decisão. Mas ainda não posso adiantar muita coisa.

Você já tem uma previsão de quando deve sair o quarto disco?
Setembro? Não tenho certeza

Seguindo no assunto das fases, é bem claro em cada disco uma identidade e um universo no qual você constrói seus shows e suas canções. Isso é uma decisão proposital ou algo que vai sendo construído ao longo do tempo?
Minha mudança constante de estética musical e visual é proposital. Eu preciso disso para ventilar novos ares e descobrir novos recursos.

“Eu Avisei”, sua parceria com a Pabllo Vittar, já havia rendido inúmeros memes, porém tem se tornado a canção preferida do Twitter para zoar os erros do novo governo. O que você tem achado dessa apropriação política que a faixa assumiu?
A COISA MAIS MARAVILHOSA DO MUNDO.

“Alice”, o disco, está completando um ano já. Ele veio após o estrondo que foi “Rainha dos Raios”. Vendo agora, em retrospecto, você ficou satisfeita com a trajetória desse último disco? Sente que ele atingiu as suas expectativas?
Minhas expectativas sim, mas acho que ainda tem coisa pra vir…

– Renan Guerra é jornalista e escreve para o Scream & Yell desde 2014. Também colabora com o site A Escotilha.

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