Quadrinhos: “Os Defensores”, “Starlight”, “O Outro Lado da Bola” e “Teocrasília”

Resenhas por Adriano Mello Costa

“Os Defensores – Os Diamantes são Eternos”, de Brian Michael Bendis, David Marquez e Justin Ponsor (Panini Comics)
O encadernado “Os Defensores – Os Diamantes são Eternos” que a Panini Comics publica agora compila as edições de 1 a 5 lançadas nos EUA em 2017. Conta com roteiro do Brian Michael Bendis, arte do David Marquez e cores do Justin Ponsor e foi concebido para aproveitar a série da Netflix que carrega o mesmo nome. Na trama, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro e Demolidor juntam forças para derrotar o vilão Cascavel que ressurge poderoso e cheio de artimanhas. Em meio a essa tarefa nada fácil, como o início logo atesta, o quarteto ainda tem que se preocupar com outras situações como o Justiceiro no seu encalço. Utilizando parte do rol de personagens urbanos existentes em Nova York, Bendis concebe uma aventura divertida, mas completamente esquecível logo em seguida ao termino e bem abaixo do que ele é capaz.

Nota: 5

“Starlight: O Retorno de Duke McQueen”, de Mark Millar e Goran Parlov (Panini Books)
O que fazer quando os maiores feitos ficaram em um passado distante e praticamente a única coisa que resta é se arrastar sobrevivendo? Em “Starlight: O Retorno de Duke McQueen” é isso que temos ao fundo da história à la Flash Gordon desenvolvida por Mark Millar com arte de Goran Parlov que a Panini Books lançou no final de 2017 com capa dura e 168 páginas. Originalmente publicada nos EUA em 2014 pela Image Comics, em mais um dos projetos do selo Millarworld, “Starlight: O Retorno de Duke McQueen” narra a história de um veterano que há 40 anos salvou todo um planeta de um ditador cruel, mas na Terra só a falecida esposa acreditou. Até os próprios filhos achavam loucura. Quando uma espaçonave para no jardim e o chama novamente às armas nesse outro planeta, Duke revive e parte em uma nostálgica aventura.

Nota: 6

“O Outro Lado Da Bola”, de Alvaro Campos, Alê Braga e Jean Diaz (Editora Record)
Cris joga futebol em um dos maiores clubes do Brasil. É o camisa 10, o craque, o cara. Tem vida de popstar e presença constante na mídia. Porém, Cris guarda um segredo: ele é homossexual. Algo que no mundo extremamente machista da bola é mais que um pecado, chega a ser um crime. Quando um ex-namorado é assassinado a pressão explode e o faz revelar na televisão que é gay, pedindo justiça. Com roteiro de Alvaro Campos e Alê Braga e arte em preto e branco de Jean Diaz, “O Outro Lado Da Bola”, da Editora Record, é daqueles trabalhos que já nascem como fundamentais. Nas 216 páginas o trio mostra todo o preconceito enraizado na cultura do esporte mais amado do país, como aproveita para tratar sobre a sujeira e corrupção dos bastidores e outros temas tão fortes quanto esses.

Nota: 9

“Teocrasília”, de Denis Mello (Editora Caligari)
Imagine o nosso país daqui a alguns poucos anos governado por um regime teocrático, com um grupo de religiosos fundamentalistas na presidência ditando normas e leis e punindo todos que quiserem ter algum tipo de liberdade? Hoje isso nem parece tão distante assim e é o que torna “Teocrasília” do Denis Mello mais assustador ainda. Utilizando de financiamento coletivo e com publicação final pela editora Caligari, as 144 páginas dessa história trazem uma distopia plenamente possível pelos caminhos que o país toma. O autor mergulha fundo no trabalho e desde 2017 gera obras auxiliares para dar mais expansão a esse universo. Mescla fatos reais com imaginação futura em um traço que consegue ir do suave ao feroz de acordo com o que roteiro pede. Trabalho espetacular que abre mais os olhos para o cenário que nos espreita logo ali depois da esquina.

Nota: 9

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop: http://coisapop.blogspot.com.br

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