Boteco: Mais cinco cervejas do clube Wäls MadLab

por Marcelo Costa

Começando mais uma sequencia de cervejas exclusivas do clube MadLab, da cervejaria mineira Wäls, pela Foeder White Oak Sour, 23º lançamento distribuído ao clube em abril de 2018. Trata-se de uma tentativa de Sour (não é) envelhecida por seis meses em um foeder, um grande barril de madeira, com adição de tangerina e amora. De coloração âmbar levemente alaranjada com creme bege clarinho de boa formação e média retenção, a Wäls MadLab Foeder White Oak Sour exibe um aroma com bastante fruta (pêssego, tangerina, maçã verde), acidez ainda iniciante, doçura de baunilha, pimenta branca e algo de sidra além do amadeirado intenso. Na boca, doçura frutada (pêssego) e leve picância juntas no primeiro toque atropelados pelo amadeirado, intenso, e um frutadinho azedinho bem suave. A textura é seca e picante (trazendo mais sensação de sidra) e, dai pra frente, surge uma cerveja arisca, mas não Sour, que finaliza com amadeirado, minerais e azedinho. No retrogosto, novamente, sidra. Gostei bem.

A segunda da série Wäls MadLab é a Jambu Treme, uma Belgian Strong Golden Ale que recebe adição de extrato de Jambu, erva típica da região norte do Brasil, mais precisamente no Pará, utilizada como condimento culinário amazônico, principalmente para ao preparar o famoso molho-de-tucupi. Na taça, a Wäls MadLab Jambu Treme exibe uma coloração âmbar alaranjada com creme bege de boa formação e média alta retenção. No nariz, doçura caramelada com leve percepção de frutas amarelas e banana e leve álcool. Na boca, mais doçura caramelada no primeiro toque (e banana), com um leve percepção de Jambu, mas não na sua forma tradicional (adormecendo a boca), e sim puxado para o herbal. A textura é sedosa caminhando para o licorosa com leve picância alcoólica e um traço de madeira. Dai pra frente, uma Belgian Strong Ale meio estranha, com o Jambu bastante secundário, e nada de tremelique. No final, amarguinho azedo aparentemente de Jambu e também… banana. No retrogosto, banana, jambu e caramelo. Esperava mais.

Terceira Wäls MadLab da sequencia, a Siriwi é uma Triple IPA com adição de extrato de kiwi e extrato de seriguela na fervura além da utilização de maltose de milho na receita. Foi a cerveja do mês de maio do clube e apresenta uma coloração âmbar alaranjada com creme bege claro de ótima formação e boa retenção. No nariz, a doçura do caramelo atropela tudo que vê pela frente e só os 10% de álcool saem para fora da toca e mostram um pouco de presença (não adianta atolar a receita de lúpulo e esconde-lo atrás do malte). Na boca, doçura intensa de caramelo e cítrico mais presente (seriguela) no primeiro toque, mas logo atropelados pela potência do álcool e também pelo amargor, do lado das West Coast IPA (ainda que isso seja um elogio que essa cerveja não merece). A textura é cremosa, sedosa e com picância alcoólica. Dai pra frente, caramelo, seriguela, álcool e amargor. No final, amargor e álcool. No retrogosto, adstringência suave e muito álcool. Um desastre.

A próxima cerveja do clube é um experimento de bebida mista nascida do blend de 20% de hidromel com 15,76% de teor alcoólico produzido na própria cervejaria e envelhecido por um ano em barricas de carvalho francês que antes maturaram vinho do Porto com 80% de uma cerveja nova de 8,7% de álcool. De coloração âmbar acobreada com creme bege espesso de ótima formação e longa retenção, a Wäls MadLab Braggot exibe um aroma intensamente doce, com o mel se destacando numa paleta que ainda permite perceber cereais e pão – a madeira da barrica não veio, ao menos nessa garrafa. Na boca, mel e cereais no primeiro toque seguido de percepção de pão e mais mel – não sei onde arranjaram de tascar 20 IBUs num conjunto que é quase + 1 doçura. A textura é sedosa e só aqui, com o liquido pousando sobre a língua, percebe-se a pancada de 10% de álcool, ou seja, numa trajetória normal, o álcool está belamente escondido. Dai pra frente, uma cerveja estilo Mead bastante doce, mas nada enjoativa. No final, calor e mel, sensação que retorna no retrogosto. Boa.

Fechando o quinteto com a Wäls MadLab Terracota, resultado de três anos e meio de envelhecimento da Wäls Quadruppel, badalada Belgian Dark Strong Ale da casa cuja receita recebe adição de extrato de laranja e de coentro, em ânforas de barro Terracota, que de período em período (entre seis meses e um ano) era esvaziada até a metade e blendada com uma cerveja nova. De coloração âmbar caramelada com creme bege espesso de ótima formação e longa retenção, a Wäls MadLab Terracota apresenta um aroma doce, com caramelo, toffee e mel em destaque ao lado de notas terrosas convidativas. Ainda é possível perceber especiarias. Na boca, terroso e doçura no primeiro toque seguido de caramelo, mel, laranja, terroso e álcool (11% bem sutis). A textura começa suave é vai ficando melosa e picante (de álcool). Dai pra frente, uma cerveja bem interessante, com terroso bem presente e as características familiares da Quadruppel, uma das melhores cervejas da Wäls. No final, uva passa e banana, sugestões que retornam no retrogosto ainda mais intensas e acompanhadas de álcool, caramelo e mel. Boa.

Balanço
Primeira dessa sequencia, a Wäls MadLab Foeder White Oak Sour vem evoluindo bastante: a versão que bebi em agosto já estava muito boa, mas essa do texto, degustada em setembro, evoluiu muito trazendo consigo sensação de Sidra. Uma delícia. Já a Jambu Treme, eu esperava mais, bem mais. O conjunto fica restrito a banana, jambu bem discreto e caramelo, com o álcool caramelando tudo isso. No fim das contas, há mais banana que jambu. E nada de tremedeira. A Wäls Siriwi é mais uma prova de que a cervejaria não acerta a mão em IPA, outro equivoco. Já a MadLab Braggot é um blend interessante de cerveja com hidromel, lembrando bastante ao segundo. Fechando a série com a melhor do rolê, Wäls MadLab Terracota, maltadaça!

Wäls MadLab Foeder White Oak Sour
– Produto: Sour Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5.5%
– Nota: 3,50/5

Wäls MadLab Jambu Treme
– Produto: Belgian Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 7.8%
– Nota: 2,99/5

Wäls MadLab Siriwi
– Produto: Triple IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 10%
– Nota: 2,73/5

Wäls MadLab Braggot
– Produto: Mead
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 10%
– Nota: 3,29/5

Wäls MadLab Terracota
– Produto: Belgian Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 11%
– Nota: 3,79/5

Leia também
– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leia sobre outras cervejas (aqui)

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