Três perguntas: Fabão

entrevista por Homero Pivotto Jr.

Fabão Diefenthäler é um só, mas encarna vários personagens. Entre eles: o cantor, o compositor e o performer. É um eclético, segundo ele mesmo, na busca por fazer arte e divertir-se. Conhecido por ter atuado em bandas como Rastamanos e Pedrada Afú, o músico continua mantendo o reggae na essência de seu trabalho, mas sem perder oportunidades de flertar com outros gêneros.

Com novo registro lançado há pouco, o EP “Fabão 4”, que traz cinco faixas, entre elas uma regravação de “Tempo Perdido”, da Legião Urbana, Fabão fala no bate papo abaixo sobre sua versatilidade musical, a parceria com nomes como Ultramen, Strike e Comunidade Nin-Jitsu e desconexões, recomendando: “Esses dias saí sem celular e peguei outros caminhos, abracei velhos amigos. Foi muito diferente. Exerci a liberdade, a arte”, conta. Confira.

Tu és um artista bem versátil: transita do reggae ao pop, passando pelo rock, com desenvoltura. Não bastasse, também é um compositor de mão cheia. Temas conhecidos da Ultramen (“Tubarãozinho”), Strike (“A Coisa”), Comunidade Nin-Jitsu (“Pastilha de Prosa”) e Armandinho (“Toca Uma Regguera Aí”) são teus. Como você desenvolveu essa característica eclética e de onde vem a relação com esses artistas e como acabou rolando de eles registraram obras criadas por ti?
Pauto a carreira e a vida no ecletismo. Viver várias encarnações, sem precisar morrer… (rsrs). Ultra, CNJ e Armando são amigos antigos. Porém, se rolou registro é porque são meus fãs, assim como a Strike, por exemplo. Eu sou fã de todos eles. Daí trabalhar com ídolos, amigos ainda, fica fácil.

Outra característica tua é a performance intensa. Isso é influência direto de algum ídolo ou uma necessidade como artista? Tipo: não basta cantar, tem de encarnar o personagem?
Não me lembro de influência na minha performance, como tu disseste, deve ser necessidade. Trabalhar com arte só funciona se for divertido. Isso ajuda muito. Sempre me diverti sendo caricato. Quando, e/ou se, não tiver graça, vou parar.

Teu EP mais recente tem uma versão de “Tempo Perdido”, do Legião Urbana. Aproveitando o ensejo sobre o tema: atualmente, a gente perde muito tempo com redes sociais ou tentando parecer mais legal do que realmente somos. Qual a dica do Fabão pra aproveitar melhor o tempo?
Simplesmente desligar os eletrônicos. Ou se reconectar, com a verdade, a saúde, a família, os amigos, o trabalho, o estudo… Esses dias saí sem celular e peguei outros caminhos, abracei velhos amigos. Foi muito diferente. Exerci a liberdade, a arte, aproveitei e estendi minha juventude.

– Homero Pivotto Jr. é jornalista.

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