Entrevista: Quicksand

entrevista por Bruno Lisboa

Com carreira iniciada nos anos 90, o Quicksand é um dos mais celebrados expoentes quando o assunto é post-hardcore. Formada pelo guitarrista Walter Schreifels (ex-Youth of Today), pelo baterista Alan Cage e pelo baixista Sergio Vega (Deftones), o Quicksand lançou dois álbuns celebrados, “Slip” (1993) e “Manic Compression” (1995), rompeu as atividades no final de 1995, tentou voltar em 1999 deixando um disco inacabado, e só foi lançar o terceiro disco, “Interiors”, em 2017, 22 anos após o álbum de estreia.

No bate papo abaixo, Sergio Vega fala sobre o porquê da demora (“Nós finalmente nos sentimos a vontade de gravar”), o processo de criação do novo disco e o trabalho com produtor Will Yip (“Will traz o que for necessário para o estúdio e faz com que todos estejam tão empolgados quanto ele nas gravações”) além do trabalho com gravadoras independentes e majors (“Tivemos a sorte, em todas as situações, pois tínhamos pessoas na gravadora que estavam empolgadas conosco”).

Prestes a baixar no Brasil para dois shows (02/06 no Fabrique, em São Paulo; e 03/06 no Teatro Odisseia, no Rio), o trio chega ao Brasil para divulgar “Interiors”, lançado pela Epitah, selo capitaneado por Brett Guretiwz (Bad Religion), mas promete clássicos dos dois primeiros discos no set. Sergio Vega ainda fala sobre suas expectativas para a turnê brasileira: “Vocês podem definitivamente esperar ver três caras que estão entusiasmados pra caralho para estar lá e nós também seremos muito agradecidos por aqueles que tiverem tempo para nos ver”.

Tivemos que esperar 22 anos por um novo álbum do Quicksand. Por que demorou tanto?
Nós finalmente nos sentimos a vontade de gravar. Quando nos reformulamos, estávamos pensando apenas em fazer alguns shows, mas nos divertimos muito e continuamos. Novas músicas foram desenvolvidas a partir dos ensaios, mas não nos pressionamos. A certa altura, ouvimos o que tínhamos e percebemos que teríamos um disco e ficamos empolgados em lançar.

“Interiors” é um disco muito denso, bonito e pesado. Como foi o processo de criação?
Obrigado!!! Foi bastante tranquilo e muito divertido. Nós nunca nos estressamos com um processo de composição. Nós tivemos bons momentos tocando e fomos organizados o suficiente para gravar cada coisa que criamos. Um dia, nós ouvimos algumas das nossas gravações e percebemos que na verdade tínhamos mais do que o suficiente para um novo disco que realmente representasse o Quicksand atual, mas sem ignorar como éramos naquela época.

“Interiors” foi produzido por Will Yip, um dos produtores mais interessantes da atualidade. Como foi trabalhar com ele?
Ele é incrivelmente talentoso. Will traz o que for necessário para o estúdio e faz com que todos estejam tão empolgados quanto ele nas gravações. Ele um cara tranquilo mesmo quando tem muito trabalho para fazer em pouco tempo. Eu amo-o!

Os álbuns do Quicksand foram lançados de forma independente e por grandes gravadoras. Como foi a experiência de trabalhar com os dois lados?
Tivemos a sorte, em todas as situações, pois tínhamos pessoas na gravadora que estavam empolgadas conosco. Eu sou grato por não ter nada negativo a dizer sobre isso. Nós fomos muito bem recebidos na Epitaph, eles são um grande grupo de pessoas que nos fazem sentir bem-vindos e em casa.

A banda fez várias turnês nos anos 90 com muitas bandas (Helmet, Rage Against the Machine, Anthrax) geralmente como banda de abertura. Como foi essa época?
Foi divertido! Abrir para uma banda é uma ótima oportunidade de dar uma espiada no mundo deles. Tanto em termos de ver como a banda se prepara e também de aprender sobre quem está vindo para vê-los.

A banda nasceu nos anos 90. Desde então, a cena musical mudou muito, principalmente no modo como os artistas se conectavam com os fãs. Como você vê o mercado de música na era da internet?
As redes sociais sempre me lembraram de fanzines e das cenas que conectavam a galera globalmente na época. A internet tem um alcance muito mais amplo e pode ser mais eficaz. Eu acho que é uma ótima maneira de se conectar em seus próprios termos.

A banda é geralmente associado a cena pós-hardcore, junto a bandas como o Fugazi ou o Helmet. Você acredita que essa é a melhor forma de descrever o que vocês fazem?
Isso funciona para mim. Nos relacionamos e somos amigos de muitas bandas e pessoas que vieram da cena hardcore e desenvolveram sua estética ao longo do tempo. É uma ótima coisa para ver e fazer parte.

Essa é a primeira vez que a banda toca no Brasil. O que público brasileiro pode esperar?
Eles podem definitivamente esperar ver três caras que estão entusiasmados pra caralho para estar lá e nós também seremos muito agradecidos por aqueles que tiverem tempo para nos ver.

– Bruno Lisboa (@brunorplisboa) é redator/colunista do Pigner e do O Poder do Resumão. Escreve para o Scream & Yell desde 2014.

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