Boteco: Cinco novidades da Tupiniquim

por Marcelo Costa

A premiadíssima cervejaria gaúcha Tupiniquim retorna com cinco novos rótulos. O primeiro deles é o Fenemê, mais uma variável da série Russian Imperial Stout da casa (já passaram por aqui Mandala, Pecan, Manjar Negro, Manjar dos Deuses, Espresso e Malagueta), que aqui recebe uma carga violenta de lúpulos cítricos. De coloração marrom escura, praticamente preta, e creme bege de boa formação e média alta retenção, a Tupiniquim Fenemê exibe um aroma que remete ao estilo Black IPA com os lúpulos cítricos surgindo intensos em meio a um conjunto com torra, café e chocolate bem evidentes. Na boca, doçura achocolatada rápida no primeiro toque seguida de amargor cítrico potente, 80 IBUs honestos mostrando toda a sua força. A textura é sedosa e picante tanto de álcool (10%) quanto de lúpulo. Dai pra frente, a sensação é de uma boa Black IPA, e nada de RIS. No final, calor alcoólico com torra, hortelã e melaço. No retrogosto, café, amargor e melaço. Boa.

A segunda da Tupiniquim é a Nosferatu, uma English Barley Wine lançada primeiramente em versão teste no Clube OCA Tupiniquim, para que associados dessem um feedback. Receita aprovada, cerveja na rua. A Tupiniquim Nosferatu exibe uma coloração âmbar acastanhada com creme bege claro de boa formação e média permanência. No nariz, a pegada é de toffee e derivados de tosta com uma leve sugestão de calda de ameixa, caramelo e uva passa. Na boca, o primeiro toque oferece melaço de caramelo e toffee no primeiro toque com uma acentuação leve de álcool na sequencia. A textura é meladinha, quase licorosa, e, dai pra frente, a cerveja reforça a percepção de caramelo embebido em álcool com bastante presença de toffee e leve calda de ameixa. No final, picância de álcool, bem leve, e amargor. No retrogosto, toffee, álcool e caramelo.

A próxima é Tupiniquim Avelã Frapê, outra do Clube OCA Tupiniquim, uma Imperial Porter de 12% de graduação alcoólica cuja receita traz maltes de cevada, trigo e aveia em flocos além de avelã, açúcar, café e baunilha. De coloração marrom bastante escura com creme bege (puxado também para o escuro) de boa formação e média alta retenção para o estilo, a Tupiniquim Avelã Frapê exibe um aroma em que sugestões de chocolate e café bastante nítidas brigam pela atenção do bebedor, que ainda pode perceber baunilha, alcaçuz e álcool, bem sútil, sem assustar. Na boca, doçura achocolata mais presente no primeiro toque. No microssegundo seguinte, o café chega forte clamando atenção. A textura é sedosa, quase licorosa, mas, ainda assim, com álcool muito bem inserido. Dai pra frente surge um conjunto equilibradíssimo, com percepção de álcool baixa, muita doçura de baunilha, chocolate e avelã além de presença intensa de café. No final, chocolate e, sobretudo, café e amargor, que permanece no retrogosto em meio a avelã. Excelente.

Quarto rótulo da sequencia, a Tupiniquim Manicômio é uma (tentativa de) Lambic (estilo de denominação local para as cervejas produzidas na região de Pajottenland e em Bruxelas, na Bélgica) maturada por dois anos em barricas que exibe uma coloração âmbar alaranjada com creme bege clarinho de boa formação e rápida dispersão. No nariz, há uma leve sensação perfumada de azedume, que carrega em si uma doçura convidativa (caramelo), numa paleta bastante tímida e nada agressiva (como costuma ser este estilo “selvagem”). Na boca, mel, acidez e azedume baixo no primeiro toque seguido de mais acidez e bastante secura. A textura, como era de esperar, é bastante acética causando leve adstringência e deixando um meladinho de caramelo sobre a língua. Dai pra frente surge uma Wild Ale que ainda está bastante crua, mas mostra potencial de melhora na receita, pois está no caminho, só que em um estágio bem inicial. No final, acidez e um azedume bem levezinho. No retrogosto, azedinho avinagrado leve, adstringência suave e até um docinho.

Fechando o quinteto com a Tupiniquim Sour Maracujá, que já havia investido em uma receita com a fruta na Weiss Maracujá, e que aqui aposta no estilo Berliner Weisse (que já rendeu ótimas cervejas da casa como a Ich Bin Ein Berliner e a Lógica Absurda além de variáveis azedas como a Tirana Sour e a Funky & Sour) resultando numa cerveja de coloração dourada com creme branco de boa formação e rápida dispersão (tradicional do estilo). No nariz, o maracujá se destaca acompanhado por uma suave percepção de acidez, de cereais e de mineral. Na boca, maracujá forte e acidez baixa chegam juntos no primeiro toque. Na sequencia, a fruta acrescenta doçura à mistura, que ainda deixa perceber cereais. A textura, como de praxe no estilo, é acética, ainda que apenas levemente efervescente. Dai pra frente surge um conjunto refrescante que sugere um suco de maracujá com carbonatação média. No final, leve adstringência, secura e maracujá, sensações que também ponto no retrogosto, que ainda exibe um leve doçura.

Balanço
De toda a linha Russian Imperial Stout da Tupiniquim, a Fenemê é a única que destoa por lembrar muito mais uma Black IPA do que uma RIS. Mas é uma boa Black IPA. Já a Nosferatu é uma English Barley Wine honesta e interessante. A melhor do trio, e uma das melhores da Tupiniquim, a Avelã Frapê impressiona pelo equilíbrio e sabor. Classuda. Já a Tupiniquim Manicômio é uma Wild Ale em estágio inicial: a cervejaria ainda precisa desenvolver a receita, mas o conjunto já está no caminho. Há uma boa Wild aqui, só precisa calibrar direitinho a receita. Já a Sour Maracujá, que fecha o passeio, é uma azedinha bacana, mas há outras ainda melhores no mercado.

Tupiniquim Fenemê
– Estilo: Russian Imperial Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 10%
– Nota: 3,66/5

Tupiniquim Nosferatu
– Estilo: English Barley Wine
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 10%
– Nota: 3,41/5

Tupiniquim Avelã Frapê
– Estilo: Imperial Porter
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 12%
– Nota: 4,03/5

Tupiniquim Manicômio
– Estilo: Wild Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5.2%
– Nota: 3.09/5

Tupiniquim Sour Maracujá
– Estilo: Berliner Weisse
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4.5%
– Nota: 3.01/5

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– Top 2001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
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