Três HQs: “Trindade – Volume 1”, “Thor – Vikings” e “Alho-Poró”

Resenhas por Adriano Mello Costa

“Trindade – Volume 1”, de Francis Manapul (Panini)
Mais um encadernado cobrindo o “renascimento” da DC Comics chegou nas bancas no início de 2018. Como já visto com várias revistas da editora, agora é a vez de “Trindade” ganhar o primeiro volume com 140 páginas e capa cartonada. Traz as seis primeiras edições dessa fase publicadas nos EUA entre setembro de 2016 e abril de 2017, escritas e desenhadas pela estrela em ascensão Francis Manapul (“Flash”) com auxílio de outros artistas. Na edição temos Batman, Mulher-Maravilha e Superman contra dois antigos rivais onde seus poderes e habilidades não valem quase nada para vencer. Os heróis repaginados dessa empreitada da DC estão dispostos a se conhecer melhor e superar algumas desconfianças, sendo que para tanto fazem uma refeição juntos na casa do Superman quando são surpreendidos em uma briga que é mais psicológica do que física (ainda que essa parte apareça). Mesmo com a participação dos principais nomes do seu panteão de histórias e contando com dois vilões clássicos, a história proposta por Manapul em nenhum momento empolga o leitor, o que é bastante desanimador pois esperava-se mais do autor ao mexer com tais personagens. “Trindade – Volume 1” é indicado somente para os fãs mais fervorosos. E olhe lá.

Nota: 4

“Thor – Vikings”, de Garth Ennis e Glenn Fabry (Panini)
Entre setembro de 2003 e janeiro de 2004 foi publicada nos EUA uma aventura mais visceral do Deus do Trovão. Com roteiro de Garth Ennis e arte de Glenn Fabry (ambos de “Preacher”), Thor recebeu em cinco edições uma história com muita magia, maldições, zumbis (antes de estarem tão na moda assim) e, claro, muita violência e o humor ácido do autor. Em 2017, a Panini Books lançou esse volume por aqui em um encadernado de capa dura com 124 páginas. Ambientada na época dentro do selo “Marvel Max”, que permitia enfoques mais adultos e violentos em cima dos personagens da editora, Garth Ennis criou uma trama repleta de bons momentos. Quando vikings zumbis desembarcam de surpresa sobre New York e destroçam todos os heróis que passam pela frente (até mesmo o Thor), o Dr. Estranho entra na jogada e expõe um plano mirabolante para acabar com a maldição que os invasores receberam e trazer paz novamente para a cidade. “Thor – Vikings” é contada de um modo que se torna um prato cheio para quem gosta da pegada do autor, além de contar com a exuberante arte de Glenn Fabry em todas as edições.

Nota: 7,5

“Alho-Poró”, de Bianca Pinheiro (La Gougoutte)
O trabalho da quadrinista Bianca Pinheiro se caracteriza – entre outras coisas – pela sensibilidade e doçura que expôs em trabalhos como “Bear”, “Mônica: Força” e “Dora”. Já nas 56 páginas de “Alho-Poró”, publicado no finalzinho de 2017 pela editora La Gougoutte e bancado através de crowdfunding, a artista se aventura em uma história diferente daquilo que nos habituamos a ler dela. A trama reúne três amigas (Márcia, Denise e Brenda) que têm a missão de comprar os ingredientes necessários para fazer uma quiche de alho-poró. Peregrinando por supermercados atrás do que é preciso, as garotas conversam sobre amenidades e casos do passado. Nada demais até aí. E a história vai caminhando assim, sem parecer que vai decolar em algum momento, parecendo ser mais um trabalho sobre o cotidiano. Bom, isso até as páginas finais, onde a coisa muda completamente de figura. Em “Alho-Poró”, Bianca Pinheiro ousa ir por outros caminhos e faz isso muito bem. Tudo nessa nova empreitada é diferente: o traço, as cores, o papel, o tom (ainda que certa afabilidade permaneça ao fundo). É uma história que pede sequência e tem poder para se tornar algo bem maior.

Nota: 7,5

Site da autora: http://bianca-pinheiro.tumblr.com

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop: http://coisapop.blogspot.com.br

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