Três filmes: “Kong: A Ilha da Caveira”, “Guardiões da Galáxia 2”, “Star Wars: Os Últimos Jedi”

por Marcelo Costa

Três filmes indicados ao Oscar 2018 na categoria Efeitos Especiais (conheça os demais aqui)

“Kong: A Ilha da Caveira”, de Jordan Vogt-Roberts (2017)
Lançado em março de 2017 com um custo de produção de US$ 185 milhões e exatamente o triplo de bilheteria (US$ 566 milhões), “Kong: Skull Island” conseguiu arrebatar uma indicação ao Oscar 2018 no que tem de melhor: Efeitos Visuais. O páreo é duro. Além dos dois filmes abaixo, o imenso gorila concorre com “Blade Runner 2049”, que tem belos momentos, mas não é páreo para o favorito, “Planeta dos Macacos: A Guerra” (no final das contas, vai ficar com um símio). Esse reboot de uma franquia poderosa teve uma aposta arriscada: a Legendary Pictures resolveu apostar no novato diretor Jordan Vogt-Roberts (após ele mostrar a ótima cena inicial, diz a lenda), que só tinha uma produção independente antes de começar a rodar “Kong: Skull Island”, e deu (financeiramente) certo. Jordan arremessa no liquidificador um Dicionário Aurélio versão parruda de referencias pop, de game a quadrinhos a ficção cientifica, música pop (rock), a referencias oriental, política, guerra e aventura num amontoado de clichês que cumprem seu papel entregando entretenimento descartável de alta qualidade. A trama se passa em 1973: uma equipe de cientistas pretende vasculhar uma ilha misteriosa no Pacifico Sul, e um pelotão do exército dos EUA que atuava na Guerra do Vietnã é escalado para acompanha-los ao lado de uma fotógrafa (Brie Larson) e um guia (Tom Hiddleston). Ao chegar ao arquipélago, a equipe descobre que ele é ocupado por estranhas e enormes criaturas, e precisa dar um jeito de fugir. O roteiro, fraco, não foca em nada: o casal principal (que nem é nem vai se tornar um casal) não tem nenhuma profundidade enquanto o vilão, o tenente interpretado por Samuel L. Jackson, é só um louco seguido por soldados perdidos (o Coronel Walter E. Kurtz, de Marlon Brando, era muito mais que isso). O Kong é o Kong que todos aprenderam a admirar enquanto um John C. Reilly desajeitado é utilizado para dar alguma liga a um filme que requenta com requinte um mundo de coisas que você já viu. Engana bem… e diverte.

Nota: 6.5

“Guardiões da Galáxia Vol. 2”, de James Gunn (2017)
No universo milionário de franquias nascidas de quadrinhos, a “menor” Guardiões da Galáxia conseguiu um feito e tanto em 2014 quando colocou o volume 1 da franquia no Top 5 (por algum tempo) de bilheterias da Marvel Comics no cinema, ficando atrás dos dois “Vingadores” (2012 e 2015), de “Homem de Ferro 3” (2013) e de “Capitão América: Guerra Civil” (2016) – agora já é sétimo com as marcas alcançadas por “Homem Aranha: De Volta ao Lar” (2017) e “Guardiões da Galáxia Vol. 2”, sua própria sequencia, que ultrapassou em US$ 10 milhões o lucro obtido pelo debute (US$ 863 milhões no total) acentuando as características (de humor, em primeiro plano, ação, em segundo, e romance e amizade na sequencia) que conquistaram o público na estreia sem se preocupar em situar a trama no mapa do Universo Marvel, ou seja, com nenhuma referência explicita a “Avengers: Infinity War”, que estreia em abril de 2018 (e conta com os Guardiões em cena ao lado dos demais Vingadores). Neste Volume 2, Peter Quill (Chris Pratt, excelente), Gamora (Zoe Saldaña), Rocket (com voz de Bradley Crooper), Drax (Dave Bautista)e o fofíssimo Baby Groot (com voz de Vin Diesel) abrem o filme protegendo valiosas baterias de um enorme monstro num acordo com a líder Ayesha (Elizabeth Debicki), que lhes passará a custódia de Nebulosa (Karen Gillan). Tudo segue o planejado até Rocket roubar algumas baterias de Aleysha, e dar início a uma perseguição da qual os Guardiões serão “salvos” pelo pai de Peter. É aqui que, na verdade, começa o filme, remetendo ao volume 1 e acrescentando várias ideias bacanas, alguma pieguice calculada para fazer rir e uma boa trilha sonora, tudo isso envelopado em efeitos visuais (indicados ao Oscar) de cair o queixo, ainda que inferiores aos símios. Que venha a “Guerra Infinita” (e um volume 3).

Nota: 8

“Star Wars – Episódio VIII: Os Últimos Jedi”, de Rian Johnson (2017)
Uma das franquias mais longevas e lucrativas da história do cinema, “Star Wars” entra na corrida pela Oscar 2018 representado pelo “Episódio VIII”, que foi indicado em quatro categorias técnicas e deve perder em todas: para “Dunkirk” tanto em Edição quanto Mixagem de Som, para “A Forma da Água” em Trilha Sonora, que deveria ser de “Trama Fantasma”, e “Planeta dos Macacos: A Guerra” em efeitos visuais. Se sairá da premiação de mãos vazias, os bolsos estão cheios com um custo de produção de US$ 200 milhões e receita de R$ 1.330 milhões (é a 9ª maior bilheteria de todos os tempos – a saber, os dois “Vingadores” estão em 5º e 7º respectivamente enquanto “Star Wars – Episódio VII” está em 3º). Ainda assim, o plot de “Star Wars: The Last Jedi” é quase uma obra para convertidos: quem gosta e entende, se apaixona, ainda que com ressalvas; quem nunca se interessou, não é agora que vai se interessar, ainda que a verve política (sempre presente, é importante frisar) aparentemente mais explicita nos últimos anos tenha ganhado merecido destaque no complexo momento atual do mundo. Neste “Episódio VIII”, a Resistência está sendo massacrada pela Primeira Ordem. Rey (Daisy Ridley) tenta convencer Luke Skywalker (Mark Hamill) tanto a ensina-la os conceitos Jedi quanto a sair do exílio e auxiliar a Resistência enquanto cede a investidas (num dos bons momentos do roteiro, que promete muito para episódios futuros) de Kylo Ren (Adam Driver), um devoto do Supremo Líder Snoke e usuário do lado negro da Força. A passagem em Canto Bight é belíssima tal qual a batalha no planeta Crait, que tem uma antiga base da Aliança Rebelde abandonada (as cenas no chão de sal são incríveis), mas nada é mais representativo e poeticamente forte da mensagem “Star Wars” do que a cena final, que reúne os rebeldes sobreviventes: uma pobre sucateira, um negro, uma oriental, uma idosa, um piloto latino… heróis num mundo plural. “Star Wars – Episódio VIII: Os Últimos Jedi” também encerra, de certa forma, a primeira fase da franquia, e abre um novo capitulo para a série, que pode ser interminável (se for um reflexo do mundo, será).

Nota: 9

– Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

Leia sobre todos os filmes do Oscar 2018 aqui

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