Três HQs: Hellblazer, Reparos, Black Hole

Resenhas por Adriano Mello Costa

“Hellblazer – Volume 1”, de Simon Oliver, Moritat, Pia Guerra e José Marzán Jr. (Panini)
Depois de perambular pelos Estados Unidos e aprontar das suas em Nova York, John Constantine está de volta para casa com os velhos artifícios debaixo da(s) manga(s), mas também uma saudade danada do lar (ainda que não confirme de jeito algum). É isso que vemos em “Hellblazer – Volume 1”, da Panini Comics, que reúne em um encadernado de 164 páginas as seis primeiras edições da revista original dentro do “renascimento” da DC lançadas nos EUA entre setembro de 2016 e março de 2017. O roteiro é de Simon Oliver (da boa “DPF: Departamento de Polícia da Física) e a arte é de Moritat, Pia Guerra e José Marzán Jr. Ao voltar para Londres depois de mais uma das suas maracutaias, Constantine encontra velhos conhecidos como o parceiro de sempre Chas Chandler. Quando menos espera já está imerso em outra aventura estranha ao lado do Monstro do Pântano e da psíquica Mercury. As histórias elaboradas por Simon Oliver nessa nova fase são aceitáveis, com o humor e sarcasmo que se espera do personagem e uma aventura digna. Aprazível de ler, mas nada que faça frente as melhores empreitadas da carreira pouco comum de John Constantine.

Nota: 5

“Reparos”, Brão Barbosa e Mariane Gusmão (Independente)
É muito bom quando somos jovens e temos ao lado alguém que nos incentive, que nos ensine coisas (mesmo que não aprendamos bem), que nos dê direcionamento para levar uma vida do lado do bem, que sirva como uma espécie de mestre, de Yoda. Pode ser um pai, um irmão, um tio ou um avô, que foi o caso do quadrinista Brão Barbosa (de “Jesus Rocks”). Depois de dois anos de produção (e agraciado pelo ProacSP) ele lançou “Reparos” em 2017, uma bonita homenagem para o avô falecido em 2014. Com 84 páginas onde assume tanto arte quanto roteiro, a hq conta a história de Eunice, uma simpática garotinha que adora consertar, mexer em tudo e projetar coisas (como um foguete). Eunice ainda busca compreender o mundo a sua volta e as pessoas enquanto brinca com sua turminha, até que uma figura inesperada surge para lhe ajudar nessa caminhada. O autor explora bem essa questão da turminha, da infância, joga umas referências aqui e ali e com ajuda das ótimas cores de Mariane Gusmão cria uma obra carregada de tons fofos e bastante emoção. O tom infantil utilizado, na verdade, serve para mascarar algumas questões maiores. E serve bem.

Nota: 7 (site bem legal do autor: http://braobarbosa.com)

“Black Hole”, de Charles Burns (DarkSide Books)
Existem obras que são imprescindíveis. Obras que estão dentro daquilo de melhor que um tipo de arte produz. Obras como “Black Hole”, de Charles Burns. Lançada nos EUA em 12 edições de 1995 a 2005, “Black Hole” já teve publicação nacional em 2007 pela Conrad. Agora em 2017 é a vez da Darkside Books reunir tudo em um caprichado volume único de 370 páginas com tradução do escritor Daniel Pelizzari. Ambientada nos anos 70 nos arredores de Seattle, trata de uma inexplicável peste que se alastra entre os jovens através do contato sexual e que causa as mais variadas mutações. Usando essas mutações como metáforas para as angústias adolescentes, como também de crescimento e aceitação, Burns construiu uma obra admirável em todos os aspectos. A arte não é fofinha ou fácil e escancara corpos nus e deformidades com tranquilidade. Em preto e branco, o terror explorado não é somente visual, aliás, fica longe disso, é um terror emocional, psicológico, que gera angústias e mais angústias. “Black Hole” ganhou prêmios importantes na sua trajetória até aqui como o Eisner e o Harvey e é o tipo de caso em que é mais que justo. Se gosta de quadrinhos não cometa o erro de não ter essa edição na estante. É quase um crime.

Nota: 10

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop: http://coisapop.blogspot.com.br

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