Três HQs: “Repeteco”, “Thanos: Relatividade Infinita” e “Asa Noturna – Volume 1”

resenhas por Adriano Mello Costa

“Repeteco”, de Bryan Lee O’Malley (Quadrinhos na Cia)
Depois do sucesso estrondoso de “Scott Pilgrim Contra o Mundo, com a união de diversos estilos e linguagens nos volumes que viraram filme em 2010, a expectativa sobre o que Bryan Lee O’Malley aprontaria na sequencia era grande. “Repeteco” (Seconds, no original) foi publicada nos EUA em 2014 e no final de 2016 chegou ao Brasil pelo selo Quadrinhos na Cia. da Companhia das Letras com 336 páginas e tradução de Érico Assis. A protagonista é Katie, chef de cozinha que depois de ir bem com o primeiro restaurante parte para outro, mas cheia de dúvidas e receios. Quando as coisas começam a sair do eixo, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, o desespero invade e de súbito ela é suplantada por uma estranha visita. A partir daí, O’Malley elabora uma história bem ao seu estilo, com humor visual e no texto, a fim de esconder os anseios (retrato de uma geração) de alguém que cresceu e não lida muito bem com isso. No final, apesar de agradar, fica faltando alguma coisa, aquele algo mais que o trabalho anterior tinha de sobra.

Nota: 6 (leia um trecho direto do site da editora)

“Thanos: Relatividade Infinita”, de Jim Starlin, Andy Smith e Frank D’Armata (Panini)
“Thanos: Relatividade Infinita” é o segundo tomo da mais recente trilogia cósmica comandada pelo mestre Jim Starlin para a Marvel dentro da linha OGN (Original Graphic Novels), onde a cronologia normal é um pouco desprezada em prol de histórias fechadas e com certa liberdade criativa. Sucedendo o início publicado em “Thanos: Revelação Infinita”, novamente coube a Starlin o roteiro e os desenhos deixando a arte-final para Andy Smith e as cores com Frank D’Armata. Com lançamento pela Panini com capa dura e 116 páginas, “Relatividade” retoma a trama do ponto onde parou anteriormente em “Revelação” e mostra Thanos na caça de entender a força estanha que sente pelo universo apresentando como contraponto um Aniquilador reformado e muito mais poderoso do que nunca tentando controlar essa força misteriosa. Novamente o cardápio estelar da editora se faz completamente presente com os Guardiões da Galáxia, por exemplo, além do adendo do sempre ácido Pip, o Troll e de um ainda confuso e poderoso Adam Warlock. Com a ótima arte de costume respaldada nas cenas de ação, melhora um pouco em relação ao livro anterior, apesar de ainda soar mais do mesmo.

Nota: 6,5

“Asa Noturna – Volume 1”, de Tim Seeley, Javier Fernández e Chris Sotomayor (Panini)
“Asa Noturna – Volume 1”, contraria a famosa assertiva do Barão de Itararé que diz: de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. O encadernado da Panini de 164 páginas reúne as edições originais de “Nigthswiming” de 1 a 4 e de 7 a 8 publicadas nos EUA dentro da fase do renascimento e é uma grata surpresa. DicK Grayson que foi o primeiro Robin, envergou por um tempo os trajes do Batman e ultimamente andava dando uma de superespião, volta para os trajes do Asa Noturna com grande independência do mentor decidindo os próprios rumos que lhe levam para campos internacionais atrás da Corte das Corujas. Com roteiro de Tim Seeley (Batman Eterno), arte de Javier Fernández e cores do hábil Chris Sotomayor temos uma aventura clássica, com momentos de detetive, inclusão de um personagem em contraste com os ideais do protagonista – mas que esconde mais do que mostra – e um romance tentando se estabelecer ao fundo. Uma HQ que, apesar do deslize melodramático do final, ostenta algumas das melhores coisas que se pode ver em uma revista de super-herói.

Nota: 7

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop: http://coisapop.blogspot.com.br

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