Três filmes: “A Babá”, “Amityville: O Despertar” e “1922”

resenhas por Renan Guerra

“A Babá”, de McG (2017)
O pré-adolescente Cole (Judah Lewis) ainda é cuidado por sua babá, a sedutora Bee (Samara Weaving). Numa das noites que seus pais saem, a tal babá leva um grupo de jovens para a casa de Cole, no intuito de realizar um culto satânico. Essa é a premissa de “A Babá”, filme que mescla terror e comédia e foi lançado pela Netflix como uma aposta para a temporada de Halloween. Dirigido por McG (“As Panteras”), “A Babá” acompanha Cole tentando lidar com os jovens satanistas de diferentes formas, numa espécie de “Esqueceram de Mim” depois da meia-noite. Com um apelo gore até interessante, o filme fica sempre num limiar ameno, parece que o roteiro e a direção nunca afundam o pé no acelerador, por isso o filme fica eternamente nesse flerte com a comédia, com o trash, com o gore, mas nunca vai a fundo em nenhum desses pontos, ficando sempre essa sensação um tanto quanto morna. As atuações são ok (Samara Weaving vende de forma certeira sua Bee e a estrela teen Bella Thorne mostra um bom timing de humor) e os efeitos são bons, mas mesmo assim falta mais coragem em assumir-se realmente trash. Com isso acabam incomodando a falta de verossimilhança da história, os furos de roteiro e uns insuportáveis letreiros que soam como referência barata aos filmes de Tarantino (coisa que Tarantino, por sua vez, copiou de outros filmes trash). No final das contas, a proposta parecia mais divertida do que o resultado final. Após assistir o filme dá é saudade dos melhores momentos do Eli Roth, que poderia ensinar a McG como se faz umas trasheiras dessa.

Nota: 3

“Amityville: O Despertar”, de Franck Khalfoun (2017)
Esta nova incursão sobre a “maldição” de Amityville foi gravada em 2014, mas mesmo com a presença de Jennifer Jason Leigh (que retornou aos holofotes em “Os Oito Odiados”, de Quentin Tarantino, em 2015) e Bella Thorne (estrela teen do Disney Channel), o filme acabou engavetado, sendo lançado só agora em 2017. Apesar dos muitos pés atrás que se fica com o retorno de uma franquia dessas, esse “O Despertar” até que consegue se sustentar de forma sólida, sem arroubos de genialidade, porém também sem a mediocridade do remake “Horror em Amityville” (2005), com Ryan Reynolds. Nessa nova história, uma família se muda para Amityville numa busca por uma vida mais tranquila ao lado do filho adolescente em estado vegetativo. A família acaba morando na casa em que ocorreu o caso real de assassinato familiar nos anos 70 e, como manda a “maldição”, a casa começa a agir sobre os personagens, especialmente o filho, que começa a reagir de formar estranhas e aparenta uma considerável melhora. Com momentos interessantes de tensão, o grande mérito desta sequencia está no elenco, que consegue nos envolver nesse estranho jogo familiar. Leigh está perfeita como a mãe quase psicótica, tendo bons momentos em cena com Bella Thorne, que se mostra bastante segura como protagonista. Com divertidas referências aos outros filmes da franquia, “Amityville: O Despertar” repete muito das fórmulas comuns dos filmes de terror atuais, mas mesmo assim consegue construir uma trama envolvente, que funciona de forma bastante divertida para os fãs do gênero.

Nota: 6

“1922”, de Zak Hilditch (2017)
2017 foi um ano em que muito se falou de Stephen King: a adaptação de “It” foi um sucesso de crítica e público, em contrapartida o filme “A Torre Negra” e a série “O Nevoeiro” foram mal recebidos. Entre estas e outras adaptações vindouras, o próprio autor revelou que sua preferida foi “1922”, filme da Netflix baseado em um conto homônimo. Em uma disputa de terras com sua própria esposa, o fazendeiro Wilfred (Thomas Jane) acaba arquitetando um plano para assassinar a mulher e conta com a ajuda do filho adolescente Henry (Dylan Schmid). De ritmo bastante lento e imersivo, “1922” não aposta em sustos baratos nem em perspectivas rasas, mas sim constrói o seu desenvolvimento de forma minuciosa, para que consigamos adentrar quase que na mente de Wilfred. Nesse sentido, o filme sustenta-se nas ótimas atuações de Thomas Jane e Dylan Schmid, que conseguem criar uma dinâmica interessante de pai e filho que ora se apóiam ora criam embates. Com trilha de Mike Patton, a ambientação do longa constrói essa sensação angustiante, de quase desconforto, que é apenas quebrada em alguns momentos por uma narração em off didática em demasia. “1922” é um filme de caráter bastante psicológico, sobre culpa, rancor e as reverberações da violência, por isso se torna um daqueles filmes que vai crescendo com o tempo, em que vamos captando as minúcias e nos surpreendendo. Uma ótima adaptação, porém não recomendado para quem tem fobia de ratos!

Nota: 7

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Renan Guerra é jornalista e colabora com o sites A Escotilha. Escreve para o Scream & Yell desde 2014.

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