Três filmes: “Atômica”, “King: Uma História de Vingança” e “Planeta dos Macacos: A Guerra”

resenhas por Adriano Mello Costa

“King: Uma História de Vingança”, de Fabrice Du Welz (2016)
Em “King: Uma História de Vingança” (“Message From The King”, no original), filme de 2016 que recentemente entrou na grade do Netflix por aqui, o Pantera Negra dos filmes da Marvel Chadwick Boseman interpreta Jacob King, um sul-africano que desembarca na cidade de Los Angeles atrás do paradeiro da irmã mais nova (Sibongile Mlambo, da série “Black Sails”). Tudo é muito incerto, pois a única pista que ele tem é uma ligação falha e um endereço antigo, mas com alguma destreza para o motorista de táxi que diz ser na imigração do aeroporto, ele vai superando e montando o quebra-cabeça que se apresenta. Filme do diretor belga Fabrice Du Welz (de “Calvaire” e “Alléluia”), “King: Uma História de Vingança” conta com um elenco bastante interessante: estão presentes Luke Evans, Alfred Molina, Teresa Palmer, Tom Felton, Dale Dickey e Chris Mulkey, alguns deles em papéis bem curtos. O roteiro escrito por Oliver Butcher (“Desconhecido”) e Stephen Cornwell (“O Homem Mais Procurado”) insere o protagonista em uma Los Angeles bem distante do glamour e dos holofotes e tapetes vermelhos, ainda que esses de certa maneira ainda façam parte da trama como pano de fundo. Ao ir atrás da vingança que o título nacional já entrega de antemão, Jacob King explode em ira não poupando quem aparece no caminho, mas não daquela maneira banal de entrar em um canto como um doido e sair atirando em todo mundo de qualquer jeito, mas sim usando medidas inteligentes e alguns ardis. Tentando ser o mais realista possível e conseguindo isso em certa escala, o longa apresenta uma boa exibição de Chadwick Boseman e, mesmo sem muitas surpresas, é um suspense de ação que cumpre com as prerrogativas básicas do estilo, contando como bônus o interessante elenco de apoio.

Nota: 6

“Atômica”, de David Leitch (2017)
Charlize Theron é daquelas atrizes que não importa o tipo de papel que desenvolva, sempre teremos um trabalho de qualidade onde ela se dedicará com muito afinco a personagem. Isso não foi diferente em “Atômica” (“Atomic Blonde”, no original), em cartaz nos nossos cinemas. Filme de ação ambientado no fim dos anos 80, “Atômica” traz a atriz sul-africana lindíssima e sensual como de costume distribuindo socos e pontapés como uma agente secreta britânica na Alemanha embalada por músicas da época (Depeche Mode, New Order, Queen e David Bowie, The Clash, Eurythimics e George Michael). Aliás, a trilha faz muita diferença na película. Espécie de projeto pessoal da atriz, desenvolvido por meio da sua empresa de produção, o longa é uma adaptação da HQ “The Coldest City”, de Anthony Johnston e Sam Hart, dirigida com ferocidade e humor pelo ex-dublê e diretor de “John Wick”, David Leitch. Quando um agente britânico é assassinado em Berlim, Lorraine Broughton (Charlize Theron) é designada para descobrir o que houve e recuperar uma lista que contêm o nome de diversos agentes disfarçados e que não pode cair em mãos erradas. Ok, nada muito original, tudo bem, mas estamos em plena Guerra Fria e o muro que divide a Alemanha está prestes a sucumbir. Chegando lá, ela encontra David Percival (um ótimo James McAvoy), agente há muito residente na cidade e cheio de manias, que em teoria deverá lhe ajudar. Com elenco que conta ainda com Toby Jones, John Goodman e a estonteante Sofia Boutella, “Atômica” brilha junto com sua protagonista, mostrando que Charlize Theron sempre pode muito, mas muito mais, que o digam as vastas e incríveis cenas de ação que ela participa e que lhe renderam contusões e dentes quebrados nas gravações. Que mulher, que mulher.

Nota: 8

“Planeta dos Macacos: A Guerra”, de Matt Reeves (2017)
Verdade seja dita: quando “Planeta dos Macacos: A Origem” saiu em 2011, não se esperava que uma trilogia de nível tão alto viesse pela frente. O primeiro longa, dirigido por Rupert Wyatt, que contava a origem de César (Andy Serkis), no entanto, era tão bom que jogou as expectativas lá pra cima, e elas se confirmaram em “Planeta dos Macacos: O Confronto”, de 2014, já com o diretor Matt Reeves no comando. Agora, “Planeta dos Macacos: A Guerra” (“War Of The Planet Of Apes”) fecha com a chamada chave de ouro. O último capítulo da trajetória dos macacos para assumir o comando da terra (e de como os humanos sucumbiram como espécie dominante) é aquele onde as analogias e metáforas se fazem mais fortes e têm mais peso devido ao conturbado momento em que vivemos no mundo, onde velhas e estúpidas ideologias ganham novamente voz e os sentimentos mais destrutivos da humanidade se projetam em redes sociais e em ruas de vários países. Na trama derradeira, César (Andy Serkis, novamente) busca um novo local para levar seu povo quando vê a esposa e o filho assassinados pelo Coronel (Woody Harrelson). A vingança invade a mente e, com alguns escudeiros, ele parte para o troco encontrando no caminho o engraçado macaco Bad Ape (Steve Zahn) e a criança Nova (Amiah Miller), que carrega outra variação do vírus símio. Com a tecnologia de captação de movimentos mais avançada, a interação dos macacos é ainda mais crível e os efeitos especiais são um show à parte. Todavia, as cenas de ação de “Planeta dos Macacos: A Guerra” não são o ponto principal da obra, apesar do destaque. Esse ponto reside no trato entre humanos e macacos, relembrando as páginas mais tristes da história, como também no fato de que não há mocinhos, todos, inclusive aqueles com intenções mais nobres, estão dispostos a atos vis para a sobrevivência da espécie, o que faz o filme ir muito além do que propõe inicialmente.

Nota: 9

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop: http://coisapop.blogspot.com.br

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