Três perguntas: Tiago Trigo (Casa Inflamável)

por Marcelo Costa

Parceiro do Scream & Yell tanto no podcast Confraria Scream & Yell quanto na série Scream & Yell Vídeos (através de sua produtora Casa Inflamável), Tiago Trigo começou a produção de seu segundo curta-metragem com uma campanha de crowdfunding no Catarse. “Passagem” é um curta de aproximadamente 15 minutos em que pessoas desconhecidas se encontram em um local indefinido, sem saber como foram parar ali, e se sentem impelidas a fazer reflexões com um estranho.

Jornalista formado em 2001 pela Universidade Metodista de São Paulo, Tiago Trigo enveredou para a área de cinema em 2010, quando começou uma série de cursos (Roteiro Para Cinema, Cinema Documentário e Técnico em Direção Cinematográfica) na Academia Internacional de Cinema. “Sem Nata”, seu primeiro curta, foi lançado em 2015, e ganhará exibição no dia 30 de setembro no Matilha Cultural, dentro do projeto Cineclube Salada de Cinema, ao lado de “De Vez em Quando Sou Marrom”, de Julia Bergmann e Nana Della Gatta.

No bate papo abaixo, Tiago Trigo fala sobre a opção pelo crowdfunding (“Quem contribui tem a certeza de que vai ver o resultado depois. Filme vai ter!”), a experiência com o primeiro filme (“Foi uma saga”) e uma das recompensas pelo apoio na realização do novo curta, “Passagem”: um jantar de um dos pratos produzidos no programa Viajando na Cozinha, produzido por Tiago em sua casa e que conta com apresentação de Máurio Galera (que cozinha) e Daniel Thompson (que acrescenta dicas de turismo).

https://www.catarse.me/passagem_curta

Como surgiu a ideia do “Passagem”? Por que o crowdfunding?
Surgiu de uma conversa com um amigo diretor de fotografia, o André Tashiro, que é um dos sócios da NaVeia Filmes, uma produtora coletivo. Ele me pediu um roteiro simples de filmar, de preferência com uma locação apenas, poucos personagens, para conseguirmos realizar cinema com pouco dinheiro. A NaVeia tem uma equipe talentosa em todas as áreas e equipamentos. Saí deste papo e mandei mensagem pro meu sócio na Casa Inflamável, o Guss de Lucca, que é roteirista e escritor. Combinamos de pensar em algo. Três dias depois ele me mandou o roteiro do “Passagem”. Levamos para o pessoal da NaVeia e todo mundo adorou. O crowdfunding foi feito porque por mais que seja um curta-metragem de baixo orçamento, audiovisual sempre tem um custo. As pessoas precisam comer, se locomover. E alguns equipamentos precisam ser alugados, como refletores de luz. É prática de mercado alugar kit de iluminação. Além disso, não queríamos que ninguém “pagasse” para trabalhar. Afinal de contas, as pessoas estavam dedicando tempo e energia física e mental no projeto. Os atores foram ensaiar na minha casa algumas vezes, precisamos pagar o transporte deles, alimentação. Eu adoraria bancar tudo do meu bolso, mas não tenho condições de fazê-lo. Já fiz isso em outro curta-metragem que dirigi, o “Sem Nata”, que custou bem mais que o “Passagem”. Por outro lado a ideia era fazer a coisa acontecer logo. Então o projeto foi tocado sem crowdfunding, na base do empréstimo. O filme já está sendo montado. Vai ter filme de qualquer jeito! Eu mesmo já vi projetos ótimos que não saíram do papel porque dependeram 100% do financiamento coletivo. Neste caso não quisemos fazer isso. Quem contribui tem a certeza de que vai ver o resultado depois. Filme vai ter! Com ou sem prejuízo, hehehe.

“Sem Nata”, seu primeiro curta, vai passar em telona, certo? Como é isso pra você, de ver seu filme numa tela de cinema? E como você vê esse seu primeiro curta hoje?
O “Sem Nata” vai passar no Cine Matilha em 30 de setembro. É uma iniciativa do André Sobreiro e o pessoal do Salada de Cinema. Eles levam cinema independente para a telona. Com certeza vou me sentir realizado porque nós, pessoas do audiovisual, fazemos cinema por amor, mas queremos ver o filme na telona. No mundo de hoje, em que todos assistem a tudo no celular, é até um contra-senso. Mas eu sempre amei a imersão do cinema, a tela grande, a sala escura. E silêncio, por favor! Olha, este meu primeiro curta foi uma saga porque houve problemas de pós-produção que demoraram a ser solucionados. Escrevi o roteiro na correria e não posso dizer hoje que adoro a história. Mas serviu como aprendizado e está aí. É meu, faz parte da minha história, não vou negar isso. Embora hoje eu ache que mudaria quase tudo (risos).

Uma das recompensas do crowdfunding do “Passagem” é acompanhar a gravação do programa “Viajando na Cozinha” e depois jantar com a equipe o prato produzido no programa. Conta um pouco mais sobre o “Viajando”, como ele surgiu, e como vai funcionar essa recompensa?
O Viajando na Cozinha foi uma ideia do Máurio Galera, que foi apresentador e produtor da TV Gazeta, e cozinha muito bem. Ele chamou o Daniel Thompson, que é meu amigo há 24 anos, e produz conteúdo em texto, foto e vídeo sobre turismo. Ele viajou o mundo, teve programa na Gazeta, produziu vídeos pro UOL, colunas para o iG. Ele rodou mais de 60 países, fez duas voltas ao mundo, o cara conhece muita coisa. A ideia foi combinar pratos razoavelmente fáceis de fazer dando dicas de turismo sobre os países originários daqueles pratos. E aí o Daniel me chamou para dirigir o programa, fazer som, editar. A gente está no começo ainda, mas aposta muito no projeto, gravamos toda semana na minha casa. Eu estava pensando com a Jullia Amaral Aranha, produtora do “Passagem”, quais deveriam ser as recompensas do projeto do Catarse. Aí me veio esta ideia e ela adorou. Porque muita gente brinca que quer ser convidado pra jantar os pratos do programa conosco. Então achei que seria algo concreto a dar para as pessoas. Um belo jantar (porque o Maurio nunca cozinhou um prato que tenha ficado ruim, eu juro!) e umas boas risadas, porque a gente sempre se diverte fazendo. Como vai funcionar: a pessoa que colaborar será recebida na minha casa e ficará no sofá assistindo à gravação. Na parte final, em que os dois jantam o prato à mesa, o apoiador do filme poderá participar, falar se gostou do prato. Se a pessoa preferir apenas jantar, sem ser filmada, a vontade será respeitada. Aí fica a critério de cada um. Vou entrar em contato com as pessoas que colaborarem nesta categoria do jantar e combinar a agenda delas com os pratos. Por exemplo, um amigo vegetariano já está na lista. Vou combinar com ele quando o prato for vegetariano. Se não eu perco o apoio e a amizade =).

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