Três perguntas: Claudio Belli (CONBRAF)

por Marcelo Costa

“Grandes fotógrafos discutindo a fotografia documental”. É com esse mote que o Congresso Brasileiro de Fotografia chega a sua segunda edição, após discutir retratos em suas diferentes vertentes na estreia, em 2016. Para 2017, nomes como Bob Wolfenson, Cristiano Mascaro, Maureen Bisilliat, Lalo de Almeida e Eder Chiodetto, entre outros talentosos profissionais, já estão confirmados no evento que já conta mais de 20 palestras agendadas (entre fotógrafos, curadores, produtores culturais, advogados e gráficos).

Para Claudio Belli, fotógrafo do jornal Valor Econômico e organizador do “Congresso Brasileiro de Fotografia – Edição Documental”, é muito importante discutir a fotografia documental hoje: “O termo documental já faz pensar em realidade, verdade, indiscutível (mas) a própria fotografia já é uma manipulação”, diz. “Na atualidade a discussão aumenta, já que com a fotografia digital os tratamentos e mudanças do arquivo são muito fáceis. Com um aplicativo você pode tirar elementos do fundo da foto”, completa.

Pensando na abrangência e acessibilidade, o Congresso terá seis dias de palestras onlines e gratuitas (basta se inscrever em www.conbraf.com.br para receber os emails das palestras de 11 a 16 de setembro) e um dia presencial, 17/09, na FAPCOM, em São Paulo, com a ideia de “dar a possibilidade dos fotógrafos se reunirem e trocarem pessoalmente experiências”, explica Claudio. “Teremos uma feira de fotografia e totens com QR Codes para as pessoas reverem as palestras da semana online em seus celulares”, antecipa. Confira o bate papo.

Claudio, no e-mail que você me enviou, você salientava que “discutir a fotografia documental hoje é de grande importância”. Gostaria que você falasse um pouco sobre mais sobre isso.
O termo documental já faz pensar em realidade, verdade, indiscutível. Quando a fotografia foi criada este aspecto realmente era creditado a este instrumento. Isso logo caiu por terra, já que desde a fotografia analógica podia-se fazer “efeitos”, montagens, dupla exposições, brincar com reflexos, etc. A própria fotografia já é uma manipulação, já que o fotógrafo enquadra o que quer, e deixa de fora o que não interessa. Além disso, é somente uma imagem, e não mexe com os demais sentidos. Na atualidade a discussão aumenta, já que com a fotografia digital os tratamentos e mudanças do arquivo são muito fáceis. Com um aplicativo você pode tirar elementos do fundo da foto, por exemplo. Além do mais, o mercado do fotojornalismo, que é diretamente ligado ao foto-documental, passa por uma grande mudança por conta da internet, das redes sociais, da qualidade das fotos em celulares, etc.

Achei bem interessante o fato do CONBRAF ter transmissões online e gratuitas! Como vocês chegaram a esse formato?
Eu cheguei a este formato estudando marketing digital e como poderia usar a internet para divulgar a fotografia e discutir assuntos importantes relacionados a esta linguagem.

O tema da primeira edição, em 2016, foi retratos em suas diferentes vertentes, da moda ao retrato corporativo, da arte à fotografia de guerra. Qual foi o balanço para você e o que vocês tiveram de aprendizado lá que trouxeram para a edição de 2017? E o que você espera dessa edição?
Foi uma experiência rica conviver com tantos fotógrafos que admiro. Os feedbacks que tive foram positivos com o público. Falar de retratos e fotografia documental em diferentes vertentes foi um exercício interessante de colocar esta modalidade e este uso da fotografia em perspectiva. Com relação a produção do evento, o tempo faz as relações ficarem mais fáceis pela confiança que você vai ganhando dos profissionais e público. Eu aprendi que dá muito trabalho organizar um Congresso e que preparar tudo com antecedência é essencial. Mas sempre o fim do caminho é corrido. Neste ano incluímos um dia de evento presencial, na FAPCOM, em São Paulo, para dar a possibilidade dos fotógrafos se reunirem e trocarem pessoalmente experiências. Teremos uma feira de fotografia e totens com QR Codes para as pessoas reverem as palestras da semana online em seus celulares. Espero que o CONBRAF possa impactar positivamente na vida de fotógrafos e apaixonados pela fotografia.

– Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

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