Entrevista: D.I.B

entrevista por Marcos Paulino

O porto-alegrense Antônio Dib começou a produzir música eletrônica quando tinha apenas 13 anos. Adotou o nome artístico D.I.B. e foi levando a atividade como hobby, até que, em 2015, a sua música “Death Pit” entrou no set do duo Blasterjaxx, que a tocou no festival Tomorrowland, na Bélgica. Isso chamou a atenção do DJ e produtor Deorro, que lhe pediu para lançar a música na Panda Funk, sua gravadora.

Agora, aos 17 anos, D.I.B faz parte do cast do Austro, selo da Som Livre dedicado à música eletrônica, pelo qual recentemente lançou o single “I’m Not Dreaming”, com a parceria, na composição e vocal, do cantor Sam Alves, vencedor da segunda temporada do “The Voice Brasil”, da TV Globo. A faixa deve integrar o disco de estreia com o qual o DJ gaúcho está sonhando, como conta na entrevista a seguir.

Sua musicalidade vem de família ou você é um “estranho no ninho”?
Ninguém da minha família toca instrumento ou faz algo relacionado à música, mas meu pai sempre gostou e durante toda minha infância me mostrou seus artistas preferidos, desde Frank Sinatra e Nat King Cole até Bob Sinclair e David Guetta.

Como você descobriu que tinha talento pra música?
Quando comecei a produzir, não fazia ideia se as minhas músicas eram boas ou não, eu só fazia e colocava no Soundcloud. O que me fez perceber que a galera estava gostando foi ver o Blasterjaxx tocando “Death Pit” no mainstage da Tomorrowland. Depois daquilo, o Deorro veio falar comigo e aos poucos percebi que as coisas estavam dando certo.

Foi uma surpresa pra você que o single “Death Pit” tenha chamado a atenção de profissionais experientes?
Foi uma grande surpresa! Eu estava voltando de uma viagem com a minha escola e 10 minutos antes do embarque no avião duas pessoas me mandaram mensagem no Face falando que estavam na Tomorrowland e que o Blasterjaxx tinha tocado a minha música. Eu queria pesquisar o set deles pra ver se era verdade, mas tive que pegar o voo. Foram as quatro horas mais longas da minha vida, fiquei no avião imaginando o que eu faria se fosse verdade. Quando a gente pousou, entrei no wi-fi do aeroporto e fui ouvir o set, e pra minha felicidade realmente eles tinham tocado. Depois disso, vários DJs renomados começaram a entrar em contato comigo e a tocar minha música em seus shows. Eu não acreditava!

Desde sempre sua praia foi a música eletrônica ou você experimentou outros estilos?
Até 2012, eu não sabia direito diferenciar pop de eletro, nunca tinha prestado atenção em gênero, só ouvia o que estava tocando nas rádios. Aí, lá por 2012, conheci o Avicii, curti muito e comecei a pesquisar mais sobre o que era um DJ, como eles faziam aquelas músicas dentro de um computador etc. Depois dali, não parei de ouvir música eletrônica!

Como foi a entrada pro cast da Austro?
Tive uma reunião com a Som Livre no começo de 2015, sem ter ideia nenhuma do que poderia sair dali. O A&R (profissional de uma gravadora responsável pela pesquisa de talentos) que tocou a reunião gostou muito das minhas músicas e disse que eles estavam planejando fazer uma sub label de música eletrônica. Quando a ideia começou a sair do papel, em 2016, eles me chamaram pro cast.

Que artistas são suas influências hoje?
Hoje minhas principais influências são o Martin Garrix, por todas as barreiras que ele quebrou dentro da cena eletrônica, se tornando não só um grande DJ, mas um artista mundialmente conhecido, e o Alok, por ser brasileiro e estar fazendo shows no mundo inteiro e batendo milhões de visualizações nas suas músicas. Fora da música eletrônica, me inspiro muito no Justin Bieber, que é um gênio da música, super criativo e põe significado em toda música que produz.

Seu som tem flertado mais com o pop recentemente. Foi uma decisão sua?
Sim. É o tipo de música que eu mais gosto de ouvir, então facilita muito mais meu processo criativo na hora de produzir.

Você lançou há pouco “I’m Not Dreaming”, em parceria com Sam Alves. Já tem na cabeça quem serão seus parceiros pras próximas músicas?
Ainda não tem nenhum artista específico. Fico produzindo no estúdio e, quando vejo uma música que eu realmente gosto muito do resultado, levo adiante para os cantores.

Quando deve sair seu disco e que linha ele vai seguir?
Não planejamos nada ainda com a gravadora, mas quero muito lançar meu primeiro disco! Provavelmente quando eu for fazer esse projeto vou tentar não seguir nenhuma linha específica, vou fazer o que eu gosto e tentar ser o mais autêntico possível.

Marcos Paulino é editor do caderno Plug (www.mundoplug.com), da Gazeta de Limeira.

 

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