Alguns filmes do 9º In-Edit Brasil

por Marcelo Costa

“Mali Blues”, de Lutz Gregor (2016)
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Entre os anos de 1200 e 1600, Mali, o sétimo maior país da África, foi um dos maiores impérios do continente. Até hoje, o país é o terceiro maior produtor mundial de ouro, mas a posição não se transforma em bens para o povo, com cerca de metade da população vivendo abaixo do nível de pobreza e cidades como Timbuktu, Kidal e Gao controladas pelo Estado Islâmico, que impuseram a sharia, proibindo, entre outras coisas, a música (na terra que deu ao mundo Salif Keita, Ali Farka Toure e Toumani Diabate), o que fez com que artistas da região tivessem que abandonar a área com medo de serem presos, torturados e mortos. “Mali Blues” acompanha a rotina de quatro músicos malinenses, alguns deles exilados em seu próprio país: o guitarrista Ahmed Ag Kaedi, o mestre de ngoni Bassékou Kouyaté, o rapper Master Soumy e a guitarrista Fatoumata Diawara, que vive na França, e retorna a Mali para se apresentar em um festival. A câmera flagra tanto a pobreza quanto a beleza do país enquanto o roteiro versa sobre exílio, ruptura e medo. Em um dos trechos fortes do documentário, Fatoumata retorna a sua aldeia de origem e toca para as mulheres uma canção que questiona a mutilação genital, “tradição” em vários países da África, que nada mais é que a remoção das partes ‘impuras’ da vagina, procedimento que, para os homens, torna as meninas ‘limpas’ e ‘bonitas’, e que é defendido por grande parte das mulheres (inclusive no filme). Gregor busca apenas mostrar a situação no país em um documentário interessante e correto.

“Os Doces Bárbaros”, de Jom Tob Azulay (1978)
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Em 1976, para comemorar 10 anos de carreira, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa planejaram uma turnê conjunta formando, para isso, Os Doces Bárbaros. O diretor Jom Tob Azulay acompanhou as primeiras datas da tour, e o que seria um documentário simples de 30 minutos para a TV transformou-se num longa após os eventos que ocorreram em Florianópolis, quarta parada da trupe. Gil e o baterista Chiquinho Azevedo foram presos por porte de maconha, e a notícia virou manchete nos principais jornais do país. “Os Doces Bárbaros”, o filme, só chegou aos cinemas em 1978, mutilado pela Censura, mas foi relançado em sua versão integral em 2004 (e em DVD em 2008) transformando o registro de um show num poderoso documento de época. As cenas em que se desenrolam a prisão de Gil até seu julgamento são imperdíveis (do delegado contando o ‘macete do pé na porta’ até o advogado de acusação culpando o cantor pelo uso da “erva maldita”), retratos envelhecidos de um momento particular da história do país. Isso tudo sem contar os momentos brilhantes do show como a poderosa versão de “Fé Cega, Faca Amolada”, de Milton e Ronaldo Bastos, da batida sincopada e os riffs fortes da guitarra de Perinho Santana. Em outro grande momento, “Atiraste Uma Pedra”, de Herivelto Martins e David Nasser, Caetano abre o caminho para que Maria Bethânia encante. E ainda tem “Chuckberry Fields Forever”, “Esotérico”, “São João Xangô Menino” e “Um Índio” além de entrevistas com os quatro doces bárbaros. Clássico.

“Loki – Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle (2008)
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Nas ruas de Londres, um fã (aparentemente) britânico para Arnaldo Baptista e começa um discurso emocionado que enaltece a grandiosidade do’s Mutantes, grupo que Arnaldo formou com seu irmão Sérgio e, aquela que viria a ser sua primeira namorada e mulher, Rita Lee. Na sequência, um brasileiro passa por Arnaldo, caminha uns dez passos e volta gritando: “Mutantes, porra, você é foda demais”. A palavra é exatamente essa: Arnaldo Baptista é foda demais. “Loki”, documentário emocional de Paulo Henrique Fontenelle, lança luz com devoção sobre a carreira do homem responsável por uma das maiores – se não a maior – e mais geniais formações de rock do lado debaixo do Equador. Fontenelle busca amigos, parceiros e produtores que abrem o coração para a câmera detalhando histórias e causos da vida de Arnaldo. Ainda resgata imagens raríssimas de época, trechos de entrevistas e aparições em TV que soam como pepitas de ouro visuais que dão um colorido especial ao passado. Em um dos trechos mais tocantes da película, Arnaldo comenta sobre a relação com Rita Lee, o casamento e a separação, pede desculpas e assume que não pôde dar a atenção que ela merecia naquele momento. O irmão Sergio é outro que dá a cara a bater no filme. “Também sou um cretino por não conseguir entende-lo e quero pedir desculpas publicamente por isso”, diz. “Loki” é um daqueles documentários que vangloriam o cinebiografado, mas exibe uma sinceridade tão tocável que anula qualquer comentário contrário a sua imensa qualidade. Leia o texto completo aqui.

“Eu, Meu Pai e Os Cariocas”, de Lucia Verissimo (2017)
***½
Lúcia Verissimo, conhecida por atuar em folhetins famosos da Rede Globo como “O Salvador da Pátria” (1989), “Despedida de Solteiro” (1992) e “América” (2005), entre outros, aparece aqui na função de documentarista contando a história do grupo Os Cariocas, que teve em seu pai, Severino Filho, figura central durante os 70 anos em que o grupo esteve na ativa. Lúcia, que também narra a história e aparece aqui e ali na projeção, ampara-se em uma frase marcante de Tom Jobim para nortear o roteiro (“Toda música é reflexo de sua época”) e retorna aos tempos de Getúlio Vargas, que criou a Rádio Nacional, que iria contratar Os Cariocas em 1946, e transforma-los em um dos principais grupos da Era do Rádio. “A Rádio Nacional era equivalente ao que são as maiores emissoras de TV hoje em dia”, explica Gilberto Gil em certo momento, tentando mostrar o tamanho, importância e influência da Rádio para quem não viveu a época. Além de Gil, praticamente toda a MPB clássica (Caetano, Ney, Fafá, Gal, Bethânia, Angela Maria, Milton, Erasmo, Cauby, Joyce, Zélia Ducan além de Zuza Homem de Mello e, claro, Nelson Motta, entre dezenas de outros nomes) relembra a Era do Rádio, a Bossa Nova, a Ditadura e critica a dominação das rádios atuais pelo sertanejo, pagode e axé num filme cuja edição muitas vezes acelerada (por tanto depoimento) atropela o espectador, mas que cumpre com louvor a função de retratar a história de um conjunto e de uma época além de soar uma carinhosa carta de amor de uma filha a seu pai.

“Gimme Danger”, de Jim Jarmusch (2016)
****
Logo nos primeiros segundos do documentário, ouve-se a voz do diretor (dos clássicos cult “Estranhos no Paraiso” e “Down by Law”) anunciando: “Estamos interrogando Jim Osterberg sobre os Stooges, a maior banda de rock de todos os tempos”. Bem, é fácil dizer isso agora, mas quando acabaram em 1974 após três álbuns seminais ignorados por público e crítica (ou melhor, que aterrorizaram público e crítica), a aposta mais provável era que de os Stooges seriam esquecidos abruptamente. Felizmente não aconteceu… por vários motivos que Jarmusch não explora, preferindo focar o roteiro no bê-a-ba da história da banda, do início (após lançar luz nos primeiros anos de Iggy como baterista, profissão que ele abandonou após “descobrir que não era preto” e nunca teria o suingue de um) ao fim da primeira fase em 1974 e depois o reencontro quase 30 anos depois para uma volta consagradora em 2003. Apesar de deixar buracos pelo caminho (a opção de não entrevistar David Bowie e John Cale esvazia minúcias que poderiam valorizar ainda mais a rebeldia da banda, já que ambos produziram discos dos Stooges que Iggy renega – ele chegou a relançar “Raw Power” com sua própria mixagem e o mix do ex-Velvet, engavetado, ressurgiu como bônus na reedição do primeiro disco), “Gimme Danger” empolga absurdamente, pois quem está na frente da câmera é Iggy “Jim Osterberg” Pop, um trágico, divertido, calculadamente desequilibrado e genial showman, que com os Stooges elevou o rock a outro nível de entrega, sujeira, barulho e caos. Talvez o epíteto perfeito seja: “Stooges, a banda mais verdadeira de rock de todos os tempos”. Palmas!


“One More Time with Feeling”, de Andrew Dominik (2016)
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Em julho de 2015, Nick Cave perdeu seu filho, então com 15 anos, que caiu de um penhasco próximo de sua casa, em Brighton, Inglaterra. Nick estava trabalhando em “Skeleton Tree”, que viria a ser seu 16º disco de estúdio, e a morte do filho, como era de se esperar, influenciou decididamente o rumo do álbum. Abalado e em silêncio, Nick Cave decidiu convidar o cineasta Andrew Dominik para registrar os últimos 10 dias de gravação do álbum, já em fevereiro de 2016, e concordou em falar sobre a perda em entrevistas improvisadas pelo diretor numa atitude que, depois ele explicaria, visava evitar ter que falar mais para toda a imprensa. O resultado, tal qual o álbum, é doloroso. Filmado lindamente em 3D preto e branco, “One More Time with Feeling” flagra Nick e a esposa Susie Cave quase despedaçando. Em certo momento, o poeta, escritor e pai Nick diz que as palavras perderam o sentido. Mais para frente, se revolta consigo mesmo: “Não sei o que estou fazendo aqui, com todas essas câmeras me filmando”, no que recebe o apoio do diretor: “Pra mim também não é nada confortável”. Numa analogia perfeita, ele explica que traumas são como elásticos: “Você pode tentar esticar, mas ele irá voltar com força em algum momento”. Desta forma, “One More Time with Feeling” soa como uma terapia pública de um casal que perdeu seu filho ainda jovem, e ao invés de fugir do trauma esticando o elástico até o limite, decidiu enfrentar a tragédia com aquilo que eles tinham nas mãos: arte, música, dor e sinceridade. Um filme corajoso para ver, respeitar e chorar.

“Perdido em Júpiter”, de Deo (2016)
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Falecido em 2015 aos 47 anos, Flávio Basso saiu de cena deixando como legado uma carreira absolutamente inquieta e genial que se inicia nos anos 80 com o TNT e ganha sequencia com Os Cascavalletes, banda tão influente que iria transformar “rock gaúcho” em estilo musical. Tentando fugir do monstro que criou, Flávio transforma-se em Júpiter Maçã, lança um dos álbuns obrigatórios do rock psicodélico mundial nos anos 90 (“A Sétima Efervescencia”, 1997), é aclamado, e muda de direção novamente apostando na bossa nova (psicodélica) em “Plastic Soda” (já como Júpiter Apple) – futuramente ele iria se aproximar do tropicalismo e do folk. Ou seja, um artista de difícil acompanhamento, o que torna o objeto documentário interessante, principalmente para neófitos que não tem ideia da grandiosidade do mito. Com esse foco, a +1 Filmes, que produz curtas cômicos para o Youtube, manteve-se em sua área de trabalho: o edi(re)tor Deo passou centenas de horas selecionando material publicado no Youtube sobre Flávio Basso, e compilou (sem autorização) 78 minutos de imagens dos lugares mais inesperados. O formato provocante (telas do Youtube sendo abertas, sobrepostas e fechadas diante do espectador) funciona e ainda vai além da trama, mostrando que o universo da internet guarda muito material incrível “perdido” no espaço online (nós é que não temos tempo de ir atrás). A função de Deo então foi selecionar as melhores histórias, criar uma narrativa e montar um filme, o que ele alcança de forma brilhante em “Perdido em Júpiter”. Flávio Basso aprovaria.

“Serguei, o Último Psicodélico”, de Ching Lee e Zahy Tata Pur’gte (2017)
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Sérgio Augusto Bustamante é um dos maiores wannabe da música brasileira. Completamente viciado em rock n’ roll, Sérgio, como comissário de bordo, divertia os passageiros dos voos da Panair (até ser demitido por derramar vinho em Gina Lollobrigida) e da Varig (até ser demitido por um porre em Madrid). Se eu primeiro compacto simples, com as canções “As Alucinações de Sergei” e “Eu Não Volto Mais”, foi lançado em 1966, e depois vieram mais seis compactos até 1984, e o primeiro disco cheio, em 1991. Porém, boa parte da dedicação de Serguei à música foi eclipsada por seu envolvimento com Janis Joplin (na verdade, com o boy que acompanhava Janis), um fato que soa ter mais prejudicado sua carreira do que ajudado. Aos 83 anos, Serguei é tema de uma trilogia da qual se incluem esse documentário, uma biografia e uma chanchada. Nitidamente influenciado pelo seriado global “Armação Ilimitada”, que fez um sucesso danado entre 1985 e 1988, “Serguei, o Último Psicodélico” rememora a vida e os sonhos de Sérgio Augusto Bustamante com declarações de Erasmo Carlos, Frejat, Angela Rô Rô, Nelson Motta e a sensacional Alcione, que relembra de maneira impagavelmente cômica a noite em que, caminhando no Posto 6 com Serguei, viu o cara reconhecer Janis Joplin e leva-la para um canja em um puteiro na região: “Naquela época não tinha selfie, não tinha nada. Mas como cantava e gritava aquela mulher”, diz Alcione numa das melhores passagens de um bom documentário sobre sexo explícito (sim, bem explícito), psicodelia e rock n’ roll.

“Chasing Trane: The John Coltrane Documentary”, de John Scheinfield (2016)
**½
Como biografar um artista inquieto que ampliou os limites do jazz? Don Cheadle fez “Miles Ahead”, bio romanceada de certo período da vida da lenda que soa muito mais Miles do que sobre Miles. No caso de “Chasing Trane”, não espere revolução: o formato quadradão soa cansativo e não dá ideia da genialidade do mito, mas a música está ali, na retaguarda, encantando gerações. A opção por colocar Denzel Washington como John Coltrane narrando passagens acaba mais afastando o público do que o aproximando, e alguns dos entrevistados (como o rapper Common, o músico Carlos Santana ou mesmo o ex-presidente Bill Clinton), fãs incontestes da obra de Coltrane, pouco acrescentam. Porém, basta entrar alguma lenda para que o filme ganhe vida: Wynton Marsalis, Sonny Rollins (emocionante), Wayne Shorter, McCoy Tyner, Benny Golson e o parceiro Jimmy Heath (que, num dos belos momentos do longa, conta que só reconheceu Coltrane no caixão pelas mãos: “Eu passei anos da minha vida ensaiando com ele e olhando apenas para suas mãos, buscando as notas”, ele diz) emocionam. No entando, não espere novidades, o roteiro nada acrescenta à biografia do homem, mas, ainda assim ouça atentamente as canções: o tesouro está ali. Em certa passagem do filme, o entrevistador pergunta para músicos variados: “Quão bom era o quinteto clássico de Miles Davis?”. A reação de cada um, com uma interrogação brilhando na testa, revela não só a grandiosidade do quinteto como a tolice da pergunta resumindo um filme mediano indicado para neófitos em John Coltrane.


“O Piano Que Conversa”, de Marcelo Machado (2017)
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Responsável por, entre outros, os bons documentários “Oscar Niemeyer, O Arquiteto da Invenção” (2007) e “Tropicália” (2012), o cineasta Marcelo Machado oferece em “O Piano Que Conversa” um passeio lúdico ao espectador, que acompanhará o pianista Benjamin Taubkin em viagens e encontros com outros músicos por lugares do Brasil, Bolívia e Coreia do Sul. O título infeliz e o início lúdico enganam o espectador: logo na primeira cena, um piano é desmontado com a câmera revelando seus detalhes até seu transporte para um caminhão. “Ok”, pensa o espectador, “o piano será levado de lugar a lugar e ‘conversará’ com outros músicos”, mas, na verdade, a introdução é apenas simbólica, pois quem “conversa” é o pianista, que nem se limitará ao piano e tocará outros instrumentos pelo caminho. O filme, então, é um documentário sobre as viagens (literalmente, não metaforicamente) de Benjamin, que o levam a tocar teclado num carimbo com os Cordeiros (Manoel e Felipe), acompanhar uma cerimônia na Bolívia (com direito a folhas de coca e instrumentos de sopro locais – no qual Benjamin acrescenta na mixagem o piano) e por ai vai. Não há diálogo, o fio condutor da história é a música que, ainda que bela e emocional, soa frágil para conduzir uma narrativa que já esbarra no título equivocado e na premissa lúdica da primeira cena, que não se conclui. O resultado é um filme de cenas e momentos musicais muito bonitos, mas que tropeça em suas próprias armadilhas (e leva, consigo, o espectador).


“Sotaque Elétrico”, de Caio Jobim e Pablo Francischelli (2017)
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Uma linha tênue conecta “Sotaque Elétrico” com o filme anterior, “O Piano Que Conversa”: ambos premiam o espectador com belíssimas cenas musicais, mas confundem a narrativa pecando nos detalhes. No caso de “Sotaque Elétrico”, que, ambicioso, tem como meta viajar (metaforicamente, não literalmente) sobre as várias sonoridades da guitarra no Brasil, ancorando-se em entrevistas com um time caprichado de músicos (de Mestre Vieira a Kiko Dinucci, de Pinduca a Kiko Loureiro, de Sergio Dias a Guilherme Held), o que poderia ser uma aula sobre o instrumento por aqueles que vivem dele acaba tornando-se uma sequencia de números musicais (alguns deles brilhantes, como Armandinho tocando “Vassourinha” com um pau elétrico) que se dispersam na tentativa do espectador descobrir quem está em cena. Assim como “O Piano Que Conversa”, “Sotaque Elétrico” também não identifica os personagens no momento que eles aparecem em cena, apenas ao final com os créditos, porém com um agravante: aqui eles dão depoimento, e a frase solta sobre a imagem (fluindo como se fosse uma poesia) perde-se em contexto e impacto, e confunde. No fim, a sensação é de que os músicos (e seus números) se sobrepõem ao instrumento. Com temática focada na guitarra, “A Todo Volume” (2008), de Davis Guggenheim, com Jack White, Jimmy Page e The Edge, mostra que é possível extrair do músico sua relação com o instrumento e, ao mesmo tempo, criar passagens musicais inesquecíveis. “Sotaque Elétrico” ficou só no segundo item.


“Punk Atittude”, de Don Letts (2005)
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De diretor de clipes – oito do Clash mais The Psychedelic Furs, Elvis Costello, The Pretenders, Bob Marley e Big Audio Dynamite, grupo que ele passaria a ser integrante fixo nos anos 90 – a documentarista com obras sobre o Clash (“Westway to the World”, 2000), Sun Ra (“Brother From Another Planet”, 2005) e Gil Scott-Heron (“The Revolution Will Not Be Televised”, 2005), o britânico Don Letts, convidado especial do In-Edit Brasil 2017, dirigiu este excelente “Punk Atittude” em 2005, um filme que tenta entender as origens do movimento punk para defender que o ser punk não necessita estar ligado aos três acordes, ou seja, é algo muito mais comportamental que musical. Para isso, Letts convida um número enorme de lendas do (punk) rock para debater o tema: Henry Rollins, como sabemos, é extremamente divertido, inteligente e articulado; o cineasta Jim Jarmusch, que dirigiu o doc dos Stooges comentado um pouco acima, soa sonhador e adolescente; Jello Biafra, Siouxsie Sioux, Chrissie Hynde, John Cale, Mick Jones, Thurston Moore, Legs McNeil, Tommy Ramone e até Pat Smear (ok, pelo Germs, não pelo Foo Fighters) jogam lenha na fogueira dando a entender (aquilo que todos os filmes sobre rock barulhento têm defendido nos últimos anos) que as faíscas começam com Velvet, Stooges e MC5, se transformam em fogo com os Ramones e incendiam o mundo do lado de lá do Atlântico com Pistols e Clash até virar moda com o Nirvana e brincadeira de adolescente criado com maçã raspadinha com o Limp Bizkit. No fim das contas, poucas conclusões, mas muitos momentos antológicos. Para ver e rever e rever e rever.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.

Leia também:
– Festival In-Edit 2014: Pulp, Kathleen Hanna, Hendrix, The National e mais (aqui)
– Festival In-Edit 2015: Slint, Joe Strummer, Bob Dylan, Edwyn Collins, Elliot Smith e mais (aqui)

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