Boteco: Três cervejas da Bodebrown

por Marcelo Costa

Abrindo mais uma sequencia da curitibana Bodebrown com a primeira cerveja da linha Biére de Table da casa, que explora receitas de chefs de cozinha. Na estreia, a chef Vania Krekniski, do restaurante curitibano Limoeiro, colabora com o chef Samuel Cavalcanti, da Bodebrown, na criação da receita que o leva o nome de seu restaurante, uma Saison que utiliza trigo espelta e sarraceno além de uvas brancas (da Serra Gaúcha) e o lúpulo alemão Hallertau Blanc. Na taça, a Bodebrown Limoeiro apresenta amarela alaranjada com creme branco de alta formação e boa retenção. No aroma, percepção de acidez proveniente da levedura além de sugestão de uva e de pão branco. Na boca, textura suave com baixa picância. No primeiro toque, uva suave seguida de leve acidez e azedinho. O amargor é baixo (a acidez é alta) e abre caminho para um belo conjunto, frutado (uva, abacaxi, tangerina) e delicadamente maltado. O final é seco. No retrogosto, uva, acidez suave e refrescancia.

A segunda da série é uma Scottish 70 Shilling, estilo tradicional de cerveja escocês que prima por leveza e malte, geralmente com menos de 4% e álcool (no caso dessa Bodebrown, 3.6%). Colaborativa da cervejaria curitibana com a Confraria Das Pikaretas, a Bodebrown Scottish 70 Shilling exibe uma coloração âmbar caramelada com creme bege claro de boa formação e média retenção. No aroma, predomínio de malte sugerindo frutas escuras (ameixa fresca e uva passa) e doçura de caramelo com leve traço herbal derivado do lúpulo. Na boca, a textura é levemente áspera e metálica. No primeiro toque, reforço da sugestão frutada que o aroma adianta seguido de leve toffee e amargor baixo que abre caminho para um conjunto bastante leve e, como dizem na gringa, potável, para beber com facilidade sem se preocupar com o álcool. O final é maltadinho. No retrogosto, frutas escuras e leve herbal.

Fechando a sequencia com a Atomga, que já passou por este espaço em duas outras versões, Cherry e Cacau 2014, e agora retorna em sua versão base, resultado de uma colaboração entre a turma de Curitiba com os norte-americanos da Great Divide, de Denver, no Colorado. De coloração marrom bastante escura, quase preta, com creme bege escuro de ótima formação e média alta retenção, a Bodebrown Atomga apresenta no aroma notas de tosta e torra que sugerem café, chocolate e frutas escuras (ameixa) com presença bastante perceptível dos 10% de álcool – principalmente quando aquece na taça. Na boca, textura sedosa, quase licorosa, com picância alcóolica. O primeiro toque é incrível e oferece doçura frutada que remete a jabuticaba seguida de café e amargor alcóolico. Dai pra frente, um conjunto caprichado que consegue domar o álcool e satisfazer o bebedor com café, chocolate, jabuticaba e ameixa. O final é quente e picante. No retrogosto, café e frutas escuras. Delicia.

Balanço
Abrindo uma nova sequencia de Bodebrown com a Limoeiro, uma agradabilíssima Saison, complexa e caprichada. Já a Scottish 70 Shilling é uma Session agradável, mas sem muitas surpresas. Fechando o trio, a versão base da Atomga, uma excelente RIS que não decepciona!

Bodebrown Limoeiro
– Produto: Belgian Saison
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6.1%
– Nota: 3,46/5

Bodebrown Scottish 70 Shilling
– Produto: Scottish
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 3.6%
– Nota: 3,19/5

Bodebrown Atomga
– Produto: Russian Imperial Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 10%
– Nota: 3,95/5

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– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
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