Entrevista: Medulla

por Marcos Paulino

Deus e o Átomo”, o segundo CD de inéditas da banda Medulla, chegou às lojas recentemente, depois de um período de três anos em que a banda não apresentou músicas novas e de uma década sem lançar um disco “cheio”. Os caras vinham preferindo apostar em outros formatos, como EPs, playbutton (aqueles broches “recheados” com as músicas) e até fita cassete.

No novo álbum, além de voltar ao tradicional CD, a Medulla investiu mais em programação eletrônica, com beats montados na MPC, percussão, sopro e várias participações especiais. Entre elas, as de Marcelo D2, Teco Martins (Rancore / Sala Espacial), Martin Mendonça (Pitty / Agridoce), Helena D’Troia e os rappers Síntese e Edgar.

A banda vem com uma nova formação, com Keops e Raony nos vocais, Alex Vinicius na guitarra e Tuti AC no baixo. “Deus e o Átomo” foi produzido por Pedro Ramos e mixado e masterizado por Leonardo Ramos, ambos da banda Supercombo, com Fernando Martinez. Sobre o disco, Tuti deu a entrevista a seguir ao PLUG, parceiro do Scream & Yell.

Depois de 11 anos apostando em formatos como EP, fita cassete e playbutton, vocês voltam neste novo disco ao tradicional CD. Por quê?
A gente fez essa campanha lançando os EPs em formatos diferentes pra que tudo fosse colecionável. Isso foi no meio da passagem do físico pro digital, e sentimos que ia ser legal voltar com alguns formatos que estavam se perdendo, como o cassete, e apostar em novos. Após lançarmos esses EPs, recebemos o convite da gravadora Hearts Bleed Blue pra fazer um compilado de todo o material e lançar junto com uma música nova no disco “MVMT”. O novo disco veio pra coroar esse novo momento que estamos passando. Já tínhamos muito material e o full foi a melhor opção pra mostrar essa nova fase da banda.

O álbum de estreia, “O Fim da Trégua”, foi lançado pela Sony, em 2005. Por que decidiram deixar uma grande gravadora?
Foi uma decisão natural entre as duas partes, queríamos ter uma autonomia e circular em lugares que naquele momento não rolava dentro de uma major. Hoje estamos em uma gravadora voltada pro que a gente faz e o que a gente é, temos liberdade de fazer as paradas em que acreditamos e todo o apoio em relação a isso.

A Medulla já participou de grandes festivais, teve um bom espaço na MTV e frequentou a grande mídia. Mas, nos últimos tempos, a banda vinha meio escondida. Foi uma decisão de vocês mesmos?
A gente nunca deixou de frequentar as mídias, sejam elas grandes ou pequenas. O que acho que rolou foi que as grandes mídias deixaram de ter um espaço voltado pra música independente, teve um breve hiato da MTV e a reformulação do canal. Hoje não temos muitos programas voltados pra cultura jovem na TV aberta. Em contrapartida, temos uma grande alta em relação à mídia digital. Assim conseguimos trabalhar mais diretamente pro nosso público. O último grande festival que fizemos foi o DoSol, em Natal, no final do ano passado. Após isso, decidimos focar no disco novo e nos dedicarmos pra que ele tivesse um resultado bom. Agora estamos trabalhando nesse novo tour e logo estaremos novamente nos festivais.

Neste ano, houve mudanças na formação da banda. Por que isso aconteceu?
A gente vinha de uma série de novas ideias, teve a vinda do Keops e do Raony pra São Paulo e acho que isso foi acontecendo naturalmente. Somos grandes amigos do Dudu (Valle, ex-guitarrista), ele é um dos melhores compositores que o Brasil tem hoje, tem uma sensibilidade incrível pra escrever grandes canções, além de ser uma grande pessoa.

“Deus e o Átomo” tem muitas participações e o que se observa é que vários dos convidados são DJs. Isso tem a ver com a cara que vocês estavam querendo moldar pra sonoridade do álbum?
O disco tem mais a cara do que somos hoje, não teve “moldes” do tipo “vamos soar isso”. Acho que não iríamos conseguir imprimir uma coisa que não somos. Ali é a gente sendo a gente mesmo.

Como rolou a participação do Marcelo D2?
O Marcelo é um grande amigo nosso, temos uma relação muito boa com ele. Quando fizemos a música “Faça Você Mesmo”, já ficou na cara que queríamos ele no disco. Fizemos o convite e ele abraçou na hora. Foi bem legal esse processo e está rolando bem legal a música.

A mudança pra São Paulo impactou nas letras e no som da banda?
As músicas falam do cotidiano de pessoas comuns, que moram em SP, no Rio ou em qualquer lugar do Brasil. O legal disso, a meu ver, é que cada um pode entender da forma que quiser, deixando a conexão banda/fã muito próxima.

Do ponto de vista musical, em relação aos trabalhos anteriores, como vocês classificam “Deus e o Átomo”?
Como um disco mais maduro pelo momento que estamos vivendo.

Além da divulgação deste novo disco, o que mais está no radar da Medulla?
Temos um escritório muito bom, chamado Elemess, que nos ajuda a projetar nossa carreira, além da divulgação do disco novo. Temos alguns projetos pra 2017, queremos rodar o máximo possível com esse disco pra quem sabe já começar um novo.

Marcos Paulino é editor do caderno Plug (www.mundoplug.com), da Gazeta de Limeira. A foto que abre o texto é de Felipe Vieira / Divulgação

2 thoughts on “Entrevista: Medulla

  1. Confesso que não conheço o som da banda, fui ver o vídeo linkado aí na matéria pra ter uma noção e achei bem bagunçado com um monte de gente desafinada e uma mina falando no meio nada com nada. Parei por aí. E também não entendi até agora o que seria esse playbutton.

    1. Amigo, tu tá na internet… Se não entendeu algo, digita playbutton no google que de repente tu te encontra um pouco mais, quem sabe…

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