Três discos latinos: Alex, Carla, Maria

por Renan Guerra

“Amiga”, Alex Anwandter (National Records)
O chileno Alex era o antigo vocalista do grupo indie pop Teleradio Donoso e se lançou em sua carreira solo sob o pseudônimo Odisea. Já em seu segundo disco sob seu atual nome, “Amiga” traz um electro pop que segue o padrão inicialmente estabelecido em “Rebeldes” (2011). Estabelecido entre os hits para a pista e as baladas românticas, Alex cria aqui um panorama interessante sobre a realidade LGBT no Chile, bem como em toda a América Latina. Em certos momentos ele fala sobre o sofrimento de fingir ser heterossexual durante a semana de trabalho (em “Siempre Es Viernes En Mi Corazón”, ao lado de membros do argentino Miranda!) ou mesmo sobre a vida de uma transexual em uma pequena cidade (na dolorosa “Manifiesto”). O disco ainda conta com participação da mexicana Julieta Venegas na ótima “Caminando a La Fábrica”. Alex, além de músico, também se aventurou recentemente no cinema, com o longa “Nunca Vas a Estar Solo” (2016), vencedor do prêmio do júri no Teddy Award, braço LGBT do Festival de Berlim.

Nota: 7,5

“Amor Supremo”, Carla Morrison (Cosmica)
Extremamente respeitada no México, Carla Morrison lançou seu primeiro disco em 2012 e já levou para casa dois Grammys Latinos. Assumindo seu renome internacional, Carla chegou a participar em 2015 do disco “Edge of The Sun”, do Calexico. Seu disco “Amor Supremo” segue os caminhos abertos por outras artistas do pop mexicano, como Julieta Venegas e Ximena Sariñana, porém ela adiciona pitadas de outras paisagens, abrindo espaço para influências múltiplas, todas coadunadas por sua voz forte e imponente. Inicialmente uma cantora de base bastante acústica, calcada nos boleros e nas baladas mexicanas, “Amor Supremo” mistura camadas mais eletrônicas com imponentes instrumentos acústicos, que possibilitam uma expansão sonora, trazendo uma imponência ao trabalho. Falando de forma confessional sobre amores, perdas e corações partidos, Carla cria um disco suficientemente forte, que demonstra que sua figura necessita cada vez mais extrapolar as barreiras linguísticas. Por isso tudo, “Amor Supremo” posiciona Carla Morrison como uma das vozes mais potentes e uma das artistas mais inventivas do pop mexicano atual.

Nota: 8,5

“Amparo”, Maria Usbeck (Cascine / Labrador)
Nascida no Equador e radicada no Brooklyn, em Nova York, Maria trabalhou durante vários anos ao lado da banda Selebrities, sempre compondo em inglês. Em seu primeiro disco solo, a artista resolveu voltar às suas origens e gravou em espanhol, numa produção que demorou três anos e passou por cidades como Buenos Aires, Quito, Lisboa, Los Angeles, Santiago e Barcelona, entre outras. Produzido por Caroline Polacheck, do Chairlift, “Amparo” habita um cenário muito particular, construído por camadas pontuais de som, que misturam desde efeitos eletrônicos até instrumentos como o xilofone, a harpa e a marimba. Há uma beleza quase hipnótica em faixas como “Uno de Tus Ojos” ou “Tarantula”, que levam o ouvinte por esse universo de amor, mistério e singularidade da artista. Mesmo todo cantado em espanhol, o disco foi muito bem recebido pela crítica internacional e já apareceu em algumas listas de meio de ano, como na prévia do site Gorilla vs. Bear. “Amparo” realmente faz jus ao buzz que tem gerado e merece ser escutado.

Nota: 9

Renan Guerra é jornalista e colabora com o sites You! Me! Dancing! e Bate a Fita

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