Livro: Magnéticos 90

por Marcelo Costa

Primeiramente à frente do poderoso Little Quail & The Mad Birds e depois com o sensacional Autoramas (com passagens pelo mítico Acabou La Tequila – que forjou o som que o Los Hermanos levaria para as massas – e também pela banda Lafayette & os Tremendões), Gabriel Thomaz se tornou um herói do rock independente brasileiro recente, um dos primeiros artistas dessa turma a trafegar com desenvoltura num cenário que, com o passar dos anos, derrubou muita gente, afinal se não é fácil ser músico no Brasil, quem dirá ser músico independente.

No mesmo momento em que chega às lojas “O Futuro dos Autoramas”, disco que apresenta a nova formação da banda (em que ele surge acompanhado de Erika Martins, Fred Raimundos e Melvin Ribeiro), Gabriel Thomaz coloca nas livrarias “Magnéticos 90”, que traz como subtítulo “A Geração do Rock Brasileiro Lançada em Fita Cassete”. Com acabamento caprichado lançado pela Edições Ideal, “Magnéticos 90” é uma parceria de Gabriel, que relembra uma porção de bandas e histórias, com Daniel Juca, o cartunista responsável pela ilustração, e o resultado é tanto um compendio primoroso daquela cena como uma leitura divertidíssima.

Em pouco mais de 200 páginas, Gabriel Thomaz rememora a explosão da cena de Brasília nos anos 80 (“Minha cidade era famosa por só ter coisa ruim: política, corrupção, Congresso Nacional”, ele conta em determinado trecho, “Aí umas bandas que a gente até tinha ouvido falar começaram a ter músicas tocadas no rádio e todo mundo na cidade comentava sobre elas”), que funcionou como um alicerce para a geração que surgiu no começo dos anos 90, já em um período de decadência do rock e popularização da música sertaneja e da lambada.

Começa então a história conjunta de um grande número de bandas espalhadas por praticamente todos os cantos do país numa era pré-internet em que o conhecimento não estava a um clic do mouse, como hoje em dia, mas sim na estrada e, ok, nos correios, veículo principal de troca de fanzines, fitas cassete e informações entre agitadores dessa nova cena cultural. Cada cidade parecia ter sua própria cena local, com seus próprios heróis, cuja mitificação algumas vezes ultrapassava fronteiras antes mesmo do som.

Em suas andanças tocando com o Little Quail, Gabriel Thomaz lotava a mochila de fitas demo (as populares “fitas de demonstração”, como eram conhecidas as fitas que bandas novas gravavam para tentar contratos com grandes gravadoras) de bandas iniciantes como Raimundos, Planet Hemp, Charlie Brown Jr. e centenas de outros nomes que não fizeram sucesso no mainstream, mas recheiam um capítulo importante da música brasileira nos anos 90, aqui revisitados por Gabriel, que ainda conta alguns causos hilários do período.

Para o final, Gabriel lista seu Top 10 de Demo Tapes (Graforreia, The Charts e mais oito) e fala sobre a coletânea “Fim de Século”, lançada em parceria com a Midsummer Madness. Livro imperdível para quem viveu musicalmente aquela década, “Magnéticos 90” é também um item obrigatório para quem gosta de rock independente, e quer se aprofundar em uma cena vasta e deliciosamente caótica e repleta de hits que “popularizou” nomes como Mickey Junkies, Boi Mamão, Muzzarelas, Piu Piu e Sua Banda (se você não o conhece, provavelmente não esquecerá deste personagem após a leitura), Cabeça e muito mais. Vá atrás!

Leia as primeiras 30 páginas do livro abaixo!

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

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