Três CDs: Mordomo, Sara, Nobat

por Bruno Lisboa

“Mordomo”, Mordomo (Independente)
Formado por Bernardo Dias (guitarra e vocais) e Fernando Persiano (baixo, vocais, compositor), ambos da banda Vitrolas, o duo belo-horizontino Mordomo promove em seu autointitulado álbum de estreia uma divertida ode ao quotidiano, com olhar pop apurado e descompromissado. Com produção própria, a proposta do disco já é percebida na faixa de abertura, “Minha Fantasia”, que versa sobre uma paixão mal resolvida e conta com a participação de dois membros d’a Fase Rosa (Fernando Feijão na bateria e Rodrigo Magalhães no baixo). “Vilma” narra o caso de uma paixonite aguda entre um homem e sua psicóloga. A dançante “Musley” presta homenagem a um finado cão. O clima jovial é mantido em faixas como “Pode Ir” e “Crimes Imaginários”, mas há espaço para canções cadenciadas (“Amparo”, “Faz um Tempo”) e tons mais amargos (“Diálogo”, parceria com Léo Moraes, do Valsa Binária). De certo, o “Mordomo”, disco e banda, servem como trilha adequada para dias ensolarados.

Nota: 8
Ouça e faça download gratuito: http://www.omordomo.com.br/
Preço do CD: R$ 10 no e- mail: producaomordomo@gmail.com

“Ômega III”, Sara Não Tem Nome (Independente)
Artista atuante no cenário musical belo-horizontino desde os 15 anos, Sara Braga estreia em disco com este aguardado “Ômega III”. Criado ao longo de sete anos, o álbum é produzido em parceria por Julito Cavalcante (BIKE e Macaco Bong) junto à própria cantora e ganhou masterização por parte de Rob Grant (Tame Impala). Composto por 12 faixas, o disco é dominado por letras marcadas pela pessoalidade. Escudada por uma exímia banda de apoio, a sonoridade folk, com ares agridoces, predominam em faixas como “Dias Difíceis” e “Atemporal”. A amarga e cortante “Carne Vermelha” versa claustrofobia urbana. O existencialismo surge de maneira antagônica em faixas como a “Páscoa de Noel” (“Deus se esqueceu de mim/ Deus esqueceu de nós) e na forte “Queda Livre” (“Não existe esse tal de vazio existencial”), duas das melhores canções do álbum. Há espaço também para músicas cantadas em inglês, seja na bilíngue “Grandma I Love You So” , a melancólica “Prison Break” e a bucólica “We Were Born Dead” que encerra este delicado, curto e belo álbum. Vale elogiar o belo trabalho gráfico da versão física do disco.

Nota: 8
Ouça e faça download gratuito: http://saranaotemnome.com/
Preço do CD: R$ 20 no http://saranaotemnome.com/

“O Novato”, Nobat (Independente)
Três anos após o seu álbum de estreia (“Disco Arranhado”), trabalho que apostava numa sonoridade próxima ao indie rock, Luan Nobat busca novos ares. Cumprindo com louvor as promessas já anunciadas no atmosférico single “LSD”, divulgado em 2013, em “O Novato” o tom melancólico nas letras e o experimentalismo predominam. Com produção do próprio músico em parceria com Daniel Nunes (Constantina/Lise), o redirecionamento musical é perceptível já na faixa título, abre alas do trabalho, que é conduzida por um belo arranjo de cordas. Elementos eletrônicos e um discreto piano abrilhantam “Outros Dias”. Ecos de Radiohead são perceptíveis na pulsante “Agosto” e em “A Triste História de Bruno César” (faixa que conta com Tatá Aeroplano). Ainda na ala das participações especiais destacam-se os vocais de apoio de Julia Branco ( “LSD”) e a de Hélio Flanders em “Não deu”. A delicada “Como Sempre” encerra um disco ousado que deixa ótimas impressões e muitas expectativas para o próximo passo.

Nota: 9
Ouça e faça download gratuito: https://soundcloud.com/nobatmusic
Preço do CD: R$20 no https://www.facebook.com/NobatOficial
Entrevista no Scream & Yell: “Aprendi muita coisa (com esse disco)”, diz Nobat (Leia aqui)

– Bruno Lisboa (@brunorplisboa) é redator/colunista do Pigner e do O Poder do Resumão

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