Três shows: Psychic TV, Sarah, Zombies

Três shows por André Luiz Fiori

Psychic TV no The Garage (24/11/2015)
Psychic TV é o veículo para o imprevisível Genesis P-Orridge. Fundador do Throbbing Gristle, pioneiro do eletrônico experimental nos anos 70, ele mantém o PTV desde 1981, com uma produção bem prolífica. Parte de sua história foi contada no impressionante documentário “The Ballad of Genesis and Lady Jaye” (2012). Essa é a segunda noite seguida deles no Garage. O som da banda atualmente é algo inclassificável. Embalado num formato de rock mais tradicional (embora seja muito estranho escrever “Genesis P-Orridge” e “tradicional” na mesma frase), a sonoridade inclui elementos de psicodelia e space-rock, em faixas longas e muitas vezes mântricas, que podem soar experimentais e melódicas ao mesmo tempo. Foram 12 músicas em duas horas de apresentação indo das mais antigas (“Just Like Arcadia”) até faixas mais recentes, como “After You’re Dead She Said”, do último álbum (“Snakes” de 2014). O clímax veio com “Mercy”, com direito a invasão de palco por muita gente dançando, e o final com uma versão “quase” acústica e totalmente Lou Reed-inspirada de “Suspicious”. O homem é uma lenda.

Sarah Cracknell no Cadogan Hall (28/11/2015)
Em 1997, Sarah Cracknell, vocalista do Saint Etienne, já havia gravado um álbum paralelo ao seu trabalho na banda (“Lipslide”), e neste ano ela lançou “Red Kite”, que está divulgando em uma turnê solo. O Cadogan Hall é um teatro chique na região central de Londres, normalmente usado para música clássica, mas que está também recebendo shows pop (Roddy Frame, do Aztec Camera, tocaria na semana seguinte). Com todo mundo sentadinho em suas poltronas, Jane Weaver abriu a noite como show de abertura, e agradou com um som bem influenciado por Kate Bush (também similar a cantoras como Beth Orton e Chan Marshall). Na hora do show principal, a estilosa Sarah e sua banda apresentam o novo álbum quase na íntegra, com aquela atmosfera doce e sofisticada que ela nunca abandona. Pop atual com influência dos sixties. Destaques como “Nothing Left To Talk About”, que em estúdio tem a participação de Nicky Wire, dos Manic Street Preachers, e “Ready Or Not”, hit do primeiro álbum, com a ajuda de Debsy (ex-Dolly Mixture, e também vocalista de apoio do Saint Etienne). Aliás, a única música do Saint Etienne no show é “Sylvie”, sem contar “Only Love Can Break Your Heart”, clássico de Neil Young que foi sucesso com a banda, que curiosamente Sarah canta no arranjo original de Neil, e não na versão do Saint Etienne. Simplesmente um luxo.

The Zombies no The Haunt (01/12/2015)
Há apenas algumas horas de Londres encontra-se a simpática e artística Brighton, com sua praia de pedrinhas e seu charme decadente (sem deixar de ser charmoso). The Haunt é uma casa de shows pequena (350 pessoas), que dá aquela proximidade com a banda que os lugares maiores não têm. Os veteraníssimos Zombies, com os líderes Colin Blunstone e Rod Argent, estão em turnê e também com álbum novo, “Still Got That Hunger” (2015), do qual são retiradas quatro faixas para o show, todas muito bem recebidas pela plateia. A primeira parte da noite é formada pela fase rock’n’roll da ‘british invasion’, como “Tell Her No”, mas também abre espaço para um cover de Solomon Burke: “Can’t Nobody Love You”. O ponto alto, como não poderia deixar de ser, é o bloco dedicado ao álbum clássico “Odessey & Oracle” (1967), como a delicada “This Will Be Our Year” e a onipresente “Time Of The Season”. Há ainda o momento dos hits solo, como “Hold Your Head High” (de Rod Argent) e “Say You Don’t Mind” (de Colin Blunstone). Não pode faltar também “She’s Not There”, que encerrou uma noite marcada por alguns exageros, mas aos velhinhos se perdoa, não é? Show bom é assim: começa às 8 da noite, e termina às 10! Hora de voltar para Londres!

– André Luiz Fiori (www.facebook.com/andre.fiori.73) é dono da loja Velvet SP

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