Boteco: As cervejas da Fuller’s (pt 2)

por Marcelo Costa

Minha sexta Fuller’s (produzida às margens do rio Tamisa), a London Black Cab é uma Stout lendária que recebe um blend de cinco maltes, boa parte deles “fortemente torrados”, avisa o site oficial. De coloração preta intensa com creme bege espesso de boa formação e média alta permanência, a Fuller’s London Black Cab apresenta um aroma clássico com notas derivadas do malte torrado remetendo a café, em primeiro plano, com sugestões agradáveis de caramelo, alcaçuz, baunilha e toffee. Na boca, a textura é cremosa com primeiro toque trazendo doçura de caramelo e baunilha seguida de café e amargor médio, mas eficiente. Na sequencia, um conjunto bastante saboroso com café, chocolate amargo, alcaçuz e baunilha seguidos de amargor suave, que acompanha o bebedor até o trecho final, seco. No retrogosto, chocolate amargo, alcaçuz e baunilha. Uma delícia.

A Fuller’s Wild River flagra a influência norte-americana na escola europeia: é uma American Pale Ale (feita às margens do Tamisa) com quatro lúpulos Made in USA, Liberty, Willamette, Cascade e Chinook. De coloração dourada com creme branco de boa formação e média alta permanência, a Fuller’s Wild River exibe um aroma que casa as notas maltadas (tradicionais da ilha) que remetem a cereais e pão com o agradável acréscimo da lupulagem, que traz cítrico e herbal leves, mas contagiantes. Na boca, a textura é cremosa e o primeiro toque traz cítrico seguido de amargor médio e eficiente abrindo as portas para um conjunto que equilibra muito bem (novamente) as notas maltadas e lupuladas, com cereais e frutas cítricas de mãos dadas. O final traz cítrico suave e, no retrogosto, leve amargor cítrico e herbal. Outra delícia.

Produzida em sua maior parte para exportação (fazendo grande sucesso na Suécia, segundo o site oficial), a Fuller’s Old Winter Ale é uma English Strong Ale sazonal que choca a paixão local pelos maltes com os lúpulos Target, Challenger e Northdown resultando em uma cerveja mais encorpada, mas não tão alcoólica (apenas 5.3% de álcool). De coloração âmbar acastanhada com espesso creme bege claro de boa formação e média alta retenção, a Fuller’s Old Winter Ale apresenta um aroma intensamente maltado sugerindo toffee, nozes e caramelo além de leve cítrico (laranja) e floral. Na boca, a textura é sedosa com primeiro toque trazendo doçura frutada e maltada. O amargor é baixo seguido de uma combinação caprichada de notas doces (caramelo) com frutas escuras e amargor moderado. O final é maltado e levemente amargo. No retrogosto, nozes, toffee e amargor suve. Bela cerveja.

Lançada em 1996 e, desde então, uma das estrelas do catálogo da Fuller’s, a London Porter da casa é resultado do caprichado blend de maltes Brown, Crystal e Chocolate, que resultam em uma cerveja de coloração marrom escura com espesso creme bege de boa formação e longa retenção. No aroma, notas contagiantes de café e chocolate amargo seguidas de toffee, nozes, alcaçuz e baunilha, além de leve e apaixonante alcoólico (conforme aquece na taça). Na boca, a textura é cremosa com primeiro toque trazendo café seguido de chocolate amargo e suave amargor, na medida. As portas que se abrem na sequencia exibem um conjunto maltado com café e chocolate amargo disputando a atenção do bebedor com baunilha, alcaçuz em segundo plano. O final traz malte tostado enquanto o retrogosto exibe mais café, chocolate amargo e amor. Que delícia!!!

Fechando o segundo passeio pelas cervejas da Fuller’s com a Golden Pride, uma English Barley Wine cuja receita utiliza o malte Golden Promise com o lúpulo britânico Goldings, derivado do famoso East Kent Golding. De coloração acobreada com creme bege espesso de boa formação e média alta permanência, a Fuller’s Golden Pride apresenta um aroma que combina notas doces e maltadas (caramelo, pão) com frutado (uva passa, laranja seca), herbal, amadeirado e especiarias. Na boca, a textura é sedosa, quase licorosa. No primeiro toque, doçura e frutado (caramelo, uva passa e laranja seca) seguidos de amargor levemente alcoólico (são 8.5%). O conjunto a seguir se ergue sobre esses pilares (doçura, frutado e álcool bem leve) acrescido de madeira, herbal e especiarias. O final traz algo de melaço e conhaque. No retrogosto, mais frutado, doçura e álcool beeeem suave. Apaixonado.

Balanço
O rótulo avisa: produzida nas margens do Tamisa. A primeira da sessão é a deliciosa London Black Cab, uma Stout equilibradíssima, com amargor e doçura numa medida viciante. Um pouco de café, outro tanto de chocolate amargo e eis uma baita cerveja. A Fuller’s Wild River cumpre muito bem a ideia de representar uma versão norte-americana de cerveja produzida por uma cervejaria clássica inglesa, com tudo no lugar de modo simples e eficiente. Já a Fuller’s Old Winter Ale é um belo exemplo de como uma cerveja pode ser encorpada sem ser tão doce e alcoólica. Uma delícia! A charmosa London Porter foi uma surpresa agradabilíssima, mantendo o ataque característico do estilo, mas amaciado com frutado e doçura de chocolate. Fechando, a atual minha cerveja preferida do catálogo da Fuller’s: Golden Pride, uma receita na medida certa para conquistar paladar e coração. Outra delícia.

Fuller’s London Black Cab
– Estilo: Stout
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 4,5%
– Nota: 3,50/5

Fuller’s Wild River
– Estilo: American Pale Ale
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 4,5%
– Nota: 3,33/5

Fuller’s Old Winter Ale
– Estilo: English Strong Ale
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 5,3%
– Nota: 3,60/5

Fuller’s London Porter
– Estilo: Porter
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 3,77/5

Fuller’s Golden Pride
– Estilo: English Strong Ale
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 3,86/5

Leia também
– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leia sobre outras cervejas (aqui)
– Sobre todas as cervejas da Fuller’s postadas aqui (aqui)

2 thoughts on “Boteco: As cervejas da Fuller’s (pt 2)

  1. Mt boa a avaliação, como sempre!

    Comparando a Porter e a Stout, duas cervejas que são similares quanto ao estilo, qual a diferença entre as 2?

    abs!

  2. A Porter me parece mais voltada ao café, Fabiano, ainda que a Stout também tenha o café, derivado do malte torrado presente. Comparando essas duas em especial, a Porter é mais aconchegante enquanto a Stout é mais vigorosa.

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