Boteco: Três cervejas capixabas

Em agosto fui para Vitória, Espírito Santo, para fazer um DJ Set no Liverpub, e o pessoal do Abridor agilizou um encontro cervejeiro para mostrar o que o Estado vem produzindo na área de cervejas artesanais. A surpresa foi ótima, com um bom número de boas cervejas mostrando que o Espírito Santo está atento à revolução cervejeira. Entre as cervejarias presentes sessão estavam Altezza (Weiss, Marzen e IPA), de Pedra Azul; a Du Rock (Coração Valente e Cafezando), de Aracruz; a Else (Viana Lager), de Viana; um quarteto da Calefi Beer (a Amargosa IPA foi um dos destaques da degustação), de Colatina; mais A Sua Mãe (Regina Scotch Ale) e a Cervejaria Prainha (com a Bode Preto, uma das melhores cervejas da tarde no Liverpub e uma das melhores que bebi em 2015), ambas de Vitória. Valeu por armar o rolê, Abridor. Foi demais! Abaixo, três cervejas que vieram na mala dessa excelente degusta.

Começando por uma caseira, a DuRock foi uma das boas surpresas da degustação em Vitória com a Coração Valente, uma American IPA digníssima, e esta Cafezando, uma Robust Porter que, me contaram no pub, recebe adição de grãos de café. De coloração marrom amendoada com creme bege claro de boa formação e média alta retenção, a DuRock Cafezando apresenta um aroma que valoriza as notas derivadas do malte tostado e torrado destacando café e, na base, toffee e caramelo. Na boca, a textura é sedosa enquanto o primeiro toque reforça a sugestão de café que o aroma antecipa. O amargor, com auxilio do malte torrado, é médio e abre o caminho para um conjunto bastante suave que é notadamente marcado pela percepção de café, mas deixa perceber sugestões de toffee e caramelo com mais clareza. O final exibe malte torrado enquanto o retrogosto traz café, caramelo e toffee, levemente. Muito boa.

Sediada na região rural de Pedra da Mulata, a 6,5 quilômetros da sede do município de Viana, cidade de pouco mais de 60 habitantes na região metropolitana de Vitória, a Else Beer foi a primeira cervejaria artesanal capixaba a obter o registro no Ministério da Agricultura, e produz uma Blond Ale (Clássica), uma Dry Stout (Jacarandá) e esta Viana Apa, uma American Pale Ale de coloração âmbar com creme branco de ótima formação e longa retenção. No nariz, notas herbais agradáveis em primeiro plano, com leve cítrico na retaguarda, se destacam sobre uma base caramelada de malte. Na boca, textura levemente frisante com primeiro toque trazendo rápida doçura caramelada atropelada por herbal e amargor caprichado. Depois, amargor agradável, caramelo distante e as estrelas da receita: herbal e cítrico derivados da lupulagem. O final é amargo com um tiquinho de cítrico. No retrogosto, refrescancia e sorrisos. Ótima!

Fechando o trio com uma já badalada artesanal de Vila Velha, a Bode Preto, Imperial Stout do cervejeiro caseiro André Nucci com rótulo assinado pelo renomado Alex Vieira e bonito lacre preto de cera. Na receita, um blend de maltes Pilsner, Biscuit, Chocolate e Carafa III mais aveia, centeio, cevada torrada e três lúpulos Made in USA (Centennial, Chinook, Simcoe) resultam em uma cerveja de coloração preta intensa com creme bege de baixa formação e média retenção. No nariz, as notas clássicas (e apaixonantes) do estilo, derivadas dos maltes e da torra: café, caramelo, toffee e chocolate amargo com leve percepção dos 9% de álcool conforme aquece na taça. Na boca, a textura, sedosa, surpreende por exibir mais leveza que o estilo costuma apresentar, o que aumenta o drinkabilty, ainda que os 9% possam inibir bebedores. O paladar aprofunda o que o aroma adianta (café, chocolate amargo, toffee) com herbal, ameixa, açúcar mascavo e algo que remete a gengibre finalizando com um leve e agradável queimado. No retrogosto, chocolate amargo, torrado (cinzas), herbal e… aplausos. De pé! Belíssima!

Balanço
Começando com uma cerveja caseira, que demonstra como está avançado o cenário cervejeiro no Espírito Santo, a DuRock Cafezando é uma Robust Porter que me pareceu mais encaixada no estilo Dry Stout, por sua leveza e opção por reforçar o café, normalmente derivado do malte torrado (mas aqui também com adição de grãos), mas, ainda assim, uma cerveja pronta para entrar no mercado. Na sequencia do passeio cervejeiro capixaba, a equilibradíssima Viana APA, da Else Beer, uma surpresa muito agradável, com amargor na medida e herbal e cítrico bastante presentes da primeira cervejaria artesanal do estado a obter o MAPA. Começaram com o pé direito. Fechando o trio com uma das melhores cervejas nacionais que bebi neste ano, a apaixonante Bode Preto, da Cervejaria Prainha. O mestre cervejeiro caseiro André Nucci está de parabéns, pois conseguiu acrescentar características personais em um dos estilos mais badalados do momento, aprofundando a experiência sem prejudicar o conjunto, muito pelo contrário.

DuRock Cafezando
– Estilo: Robust Porter
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,7%
– Nota: 2,96/5

Else Viana Apa
– Estilo: American Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,31/5

Bode Preto
– Estilo: Imperial Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 9%
– Nota: 4,03/5

Leia também
– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
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