Entrevista: Filipe Catto

por Marcos Paulino

Aos 27 anos, quatro depois de lançar “Fôlego”, Filipe Catto apresenta seu novo trabalho: “Tomada”. Contemplado pelo edital Natura Musical 2014, este disco, produzido por Kassin, traz a voz singular do gaúcho passeando, como é de seu estilo, por vários gêneros, que acabam unidos por uma certa pegada rock’n’roll. “Venho de Porto Alegre, o rock é muito latente pra mim, gosto disso”, avisa em entrevista ao PLUG, parceiro do Scream & Yell.

A MPB, porém, não foi deixada de lado. Filipe diz que gosta de soar pop, como soavam alguns de seus ídolos, mais especificamente aqueles da MPB dos anos 90. Lançado inicialmente nas plataformas digitais, “Tomada” já começa a ser distribuído também no formato CD. São 11 faixas que, na definição de Filipe, formam “um repertório acessível, direto, forte, que não dificulta, mas não banaliza”. Abaixo ele fala sobre sua nova fase.

O patrocínio da Natura Musical garantiu a gravação do CD e a realização de quatro shows. Como surgiu essa oportunidade?
A Natura é uma marca muito importante pra música hoje, é responsável pela consolidação de diversos artistas da nova geração. É uma iniciativa muito válida pra música brasileira se manter, apesar do mercado atual. Ter sido escolhido é como se eu tivesse ganhado um troféu, porque traz um prestígio muito grande.

Seu último disco de estúdio era de 2011. Entre ele e o atual, que diferenças você percebe que a maturidade trouxe à sua música?
Uma diferença imensa. Eu tinha 23 anos e hoje tenho 27, muita coisa aconteceu nesse período. Minha vida toda mudou, me libertei de diversas verdades. O “Tomada” é um disco onde realmente estou ocupando meu espaço. Já não sou mais uma promessa, hoje tenho um público conquistado. As questões do “Tomada” eram: qual o meu som, qual meu repertório, qual linguagem só eu tenho? Este disco vai ao encontro do repertório que lembra a MPB pop, dos anos 90, de Cazuza, Marina, Adriana Calcanhoto, da época em que a MPB era ouvida pela grande massa. É um repertório acessível, direto, forte, que não dificulta, mas não banaliza.

Quando você e o Kassin, que produziu o disco, discutiram em que direção iriam, realmente pensaram no pop ou a coisa foi surgindo naturalmente?
Neste disco, os gêneros musicais ficaram menos acentuados que no “Fôlego” (2011). Eu não quis abandonar essa pluralidade porque ela é o que me define. Não poderia fazer um disco de pop ou de rock, por exemplo. O que me interessa na música é a energia que a gente carrega de cada coisa. Eu queria que o disco tivesse uma intensidade de rock, mas não um acabamento de rock. Venho de Porto Alegre, o rock é muito latente pra mim, gosto disso. O disco traz isso, mas eu não ficaria feliz de fazer um disco com um recorte de um só gênero.

Como é comum no seu trabalho, neste disco você traz várias parcerias, entre outras, com Moska e Pedro Luís. Como você escolheu os parceiros pra este projeto?
Este disco foi feito com muitas pessoas interessantes e muito amadas. Todas as parcerias são absolutamente afetivas. Tive uma identificação muito grande com o Moska e resolvemos fazer músicas juntos, a mesma coisa com o Pedro Luís. A Marina [Lima] se tornou uma grande amiga e me deu uma música inédita de presente, o que é um luxo. Enfim, todos os parceiros foram encontros na vida que acabaram indo pro disco. Não foi nada premeditado. As parcerias servem pra trazer outro olhar sobre você. Quando você joga a bola pro outro, certamente vai receber de volta de uma forma diferente, enriquecida. Desde 2011, sempre fiz muito tudo sozinho, e essas parcerias são também uma forma de me alimentar dos outros. No “Tomada”, quis descentralizar a criação.

Você também sempre recorre a uma regravação de uma canção de outro artista. Neste disco, escolheu uma do Caetano Veloso não tão conhecida, “Amor Mais que Discreto”. Por quê?
Você tocou num ponto muito interessante. Nos outros discos, regravei músicas muito clássicas, como “Garçom”, “Ave de Prata”, o que era também uma maneira de criar uma referência pras pessoas. Quando você está começando, precisa dar pro público algo com que ele possa se identificar. Neste disco, escolhi uma música que não é um clássico da discografia do Caetano, mas artisticamente é uma das mais lindas dele. Sinto essa música como se fosse inédita, feita pra mim. E a minha missão como intérprete é também trazer coisas para que as pessoas se surpreendam. Todas as músicas deste disco representam minha opinião pessoal sobre o mundo, então é como se fossem todas feitas por mim.

Marcos Paulino é editor do caderno Plug (plugmusic.zip.net), da Gazeta de Limeira.

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2 thoughts on “Entrevista: Filipe Catto

  1. Quando alguma coisa de mau estiver lhe acontecendo, mentalize: “jeneci kassin tulipa”. E à medida que fores repetindo esse mantra, a escuridão irá se desvanecendo. Antes de dormir, não esqueça: “jeneci kassin tulipa”. Quando saíres de casa: “janeci kassin tulipa”. E na derradeira hora, antes do suspiro final, mais uma vez: “jeneci kassin tulipa”. Como um mantra, uma reza, uma frase coringa: “jeneci kassin tulipa”.

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