Show: Lee Ranaldo ao vivo em SP

Texto por Marcelo Costa
Fotos por Liliane Callegari

Criado originalmente no Centro Cultural da Juventude (CCJ), local inaugurado em 2006 na zona norte da capital paulista, próximo ao Terminal Vila Nova Cachoeirinha, o Mês da Cultura Independente (MCI) é um festival de artes promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo que se espalhou por vários espaços da cidade oferecendo eventos culturais gratuitos para a população sob uma curadoria cuidadosa e esperta.

Alguns eventos já se tornaram marcas do MCI, como as sessões “Cinetério”, mostra de filmes realizadas em cemitérios (neste ano o escolhido foi o Cemitério da Consolação, na área central da cidade), como também os shows, com destaque para uma seleção caprichada do cenário indie mundial. Já passaram pelo MCI gente como Blonde Redhead (EUA), The Ex (Holanda), Jah Shaka (Jamaica) e, no ano retrasado, Grant Hart, um dos gênios pioneiros por trás do Hüsker Dü.

Para 2015, a vasta programação destacava shows de jazz torto no topo do histórico Edifício Martinelli, no centro da cidade, um showcase do festival goiano Bananada (com O Terno, Boogarins, Carne Doce e Helbenders), muito rap, hardcore (incluindo shows de Ratos de Porão e Mukeka di Rato), feira literária e uma apresentação (esperadíssima) de Lee Ranaldo & The Dust, em noitada gratuita no Largo da Batata.

Quem ficou responsável por abrir a noite para o ex-Sonic Youth foi a grande banda cearense Cidadão Instigado, vivendo um excelente momento no palco com as constantes apresentações do poderoso álbum “Fortaleza”, um dos melhores discos do ano. Apesar de problemas no som no começo do show, o quinteto não derrapou e mostra que o disco novo (tocado quase que na integra) melhora ainda mais sobre o palco. Para o final, canções como “Homem Velho” fizeram a alegria dos fãs mais antigos.

Na sequencia, Lee Ranaldo saiu da coxia e subiu ao palco junto com a banda para preparar o show, colando set lists no chão, arrumando microfones e fios. Mostrando o bom momento artístico que vivem os ex-membros do Sonic Youth (Thurston Moore com carreira solo elogiada e Kim Gordon partindo corações com sua confessional biografia, “A Garota da Banda”, recém-lançada no país; o baterista Steve Shelley integra a banda que acompanha Lee), Lee Ranaldo fez uma apresentação impecável para um bom público.

O repertório foi dividido quase que igualitariamente entre os últimos dois trabalhos lançados pelo guitarrista, os ótimos “Between the Times and the Tides” (2012) e “Last Night on Earth” (2013). “Tomorrow Never Comes” abriu a noite de forma cadenciada, com Steve Shelley lidando com pequenos problemas em seu kit, que não tiraram a empolgação daquele que era o primeiro show do grupo em 2015 (sim, em setembro!), pois eles estão concentrados no novo álbum.

Matando a saudade do palco, Lee Ranaldo fez um desfile de Fenders detonadas e sônicas no Largo da Batata para um público desligado do hype do Rock in Rio, e despejou microfonias, riffs sujos e seu bom vocal sob uma iluminação caprichada e, claro, pedidos de canções do Sonic Youth (que não foram atendidos). No lugar surgiu a já tradicional versão de “Revolution Blues”, faixa brilhante de um dos melhores álbuns setentistas de Neil Young, “On The Beach”, de 1974.

Bastante a vontade em São Paulo (seu Instagram mostrava visitas a restaurantes de comida nordestina, uma exposição no MASP e sua conhecida paixão pelos grafites da cidade), afinal essa foi sua quinta apresentação na capital paulista (três com o Sonic Youth, duas solo – descontando o show do primeiro SWU, em Itu, interior do estado) Lee Ranaldo fez uma apresentação envolvente, com direitos a belos riffs de guitarra, arco de violino e declaração de amor à cidade. O placar da noite roqueira: Rock in SP 1 x 0 Rock in Rio (desculpae, Rihanna).

SET LIST
– “Tomorrow Never Comes” (2012)
– “Off the Wall” (2012)
– “Home Chds” (2013)
– “Xtina as I Knew Her”(2012)
– “Key/Hole” (2013)
– “Angles” (2012)
– “Hammer Blows” (2012)
– “Last Night on Earth” (2013)
– “Ambulancer” (2013)
– “Stranded” (2012)
– “The Rising Tide” (2013)
– “Revolution Blues” (1974)
– “Lecce, Leaving” (2013)

– “Late Descent #2” (2013)
–  “Blackt Out”  (2013)

– Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne
– Liliane Callegari (@licallegari) é fotógrafa e arquiteta. Veja galeria de fotos dos shows aqui

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