Entrevista: Banda Gentileza

por Ana Carla Bermúdez

Foram longos seis anos de espera, mas a Banda Gentileza finalmente está de volta. “Nem Vamos Tocar Nesse Assunto”, o recém-lançado segundo álbum do grupo, estreia uma mudança de formação: mais enxuta, a Gentileza (que já teve seis membros e posteriormente cinco) agora toma a forma de um quarteto. Essa mudança se reflete na sonoridade do disco, que está bem mais direta se comparada à frenética mistura de ritmos e estilos característica do primeiro álbum da banda, de nome homônimo, lançado em 2009. “A variedade está muito mais nas dinâmicas do que na utilização de vários gêneros ou instrumentos”, explica Heitor Humberto, vocalista da banda.

Mesmo que em menores dosagens, violinos, trombones, saxofones e eventuais violas caipiras ainda aparecem nos dançantes arranjos do disco, que foi produzido pela dupla Gustavo Lenza e Zé Nigro (conhecidos por seus trabalhos com artistas como Apanhador Só, Céu e Curumin). Mas a grande figura do álbum é, definitivamente, a onipresença dos coros, que faz com que a audição se transforme em uma experiência um tanto catártica. Os enérgicos shows da Banda Gentileza devem ficar ainda mais explosivos com a performance ao vivo de um disco que parece ter sido feito simplesmente para ser cantado e dançado em conjunto.

Na conversa a seguir, Heitor fala sobre as mudanças que ocorreram no grupo com o passar do tempo (formada em 2005, a Gentileza já soma 10 anos de estrada) e assume boa parte da culpa pela demora do material novo da banda: “A maioria das músicas tem letras minhas, e por muito tempo eu não tinha nada de novo para mostrar”. Ele também promete que, ao menos por enquanto, essa espera não deve mais ser tão longa, já que a banda pretende divulgar outras novidades até o fim do ano. O disco pode ser baixado gratuitamente no site oficial da banda ou comprado na lojinha tanto em vinil quanto CD. Abaixo, você confere o papo:

Vamos tocar nesse assunto: por que demorou tanto tempo para sair esse segundo álbum da banda?
A gente já queria ter um material novo há mais tempo, mas faltavam as músicas! Até chegamos a compor algumas faixas durante esses últimos anos, mas nada que a gente sentisse que estava indo no caminho de um disco. E eu assumo muito dessa culpa, afinal de contas, a maioria das músicas tem letras minhas, e por muito tempo eu não tinha nada de novo para mostrar para a banda. Simplesmente não tinha ideias para músicas ou nada interessante para dizer. Foi nos últimos dois anos que a maioria das músicas foram saindo, bem na época em que a gente resolveu parar tudo para nos dedicarmos apenas ao disco novo.

Nesse meio tempo, vocês lançaram ótimas músicas que ficaram de fora do novo disco, como “Quem Me Dera” e “Indecisão”. Qual foi o motivo dessa escolha?
A gente cogitou colocá-las no disco novo. Mas como a distância entre os trabalhos acabou ficando muito grande (os singles são de 2012), começamos a questionar se essas músicas ainda estavam dentro do que estávamos querendo colocar no álbum. E aí, quando o Artur [Lipori, ex-trompetista do grupo] precisou sair da banda e a gente voltou a ser um quarteto, tivemos certeza que os singles antigos e as músicas novas já não dialogavam muito.

Vocês deixaram um pouco de lado toda aquela mistureba de estilos característica da Gentileza do álbum de 2009. Por quê?
Acho que tem algumas explicações. Uma delas é que o primeiro disco é uma coleção de músicas compostas em várias épocas. Tem faixa lá que escrevi quando tinha 15 anos, por exemplo. E em cada uma delas, a gente tentava achar uma possibilidade, um caminho para usar diferentes instrumentos. Era um passatempo pensar nisso. E o resultado foi aquela mistura de referências e influências. O disco novo é fruto de um processo bem mais concentrado. Todas as músicas nasceram nos últimos dois anos. Além do mais, quando resolvemos que ficaríamos em quatro na banda, decidimos que iríamos tentar resolver a sonoridade usando basicamente guitarra, baixo, bateria e vozes. Então a variedade está muito mais nas dinâmicas do que na utilização de vários gêneros ou instrumentos.

O “Nem Vamos Tocar Nesse Assunto” tem muitos coros e algumas letras mais sombrias, que certa hora fala de traição e outra de dor de cotovelo. Por que vocês optaram por essa estética? O que influenciou as composições desse novo disco?
A gente ficou viciado em coros. Acho que começou com “Eu Sempre Quis”, que eu compus já pensando em ser uma música apenas para piano e muita gente cantando junto. E adoramos o resultado. A ideia dos coros na faixa seguinte, “Pesadelo”, foi bem sem querer. Mesmo sem ter a letra pronta, a gente já estava cantando daquele jeito, com perguntas e respostas. E aí fomos nos dando conta que era uma ferramenta legal pra usar. Quando nos demos conta, estávamos todos cantando em todas as músicas, com exceção da última, “Tudo Teu”. Sobre as letras, acho bem mais fácil escrever sobre desamor, sobre desprezo, ahaha. Acho que isso está em “Pesadelo”, “Espiões” e “Chorume”. Mas o clima dá uma suavizada nas outras faixas. Até achei que o disco está mais light! 🙂

O Gustavo Lenza e o Zé Nigro são os produtores responsáveis pelo ótimo “Antes Que Tu Conte Outra”, da Apanhador Só, e também já trabalharam com gente como Céu e Curumin. Como foi feita a escolha deles pra produzir esse álbum da Gentileza?
Ficamos com o nome do Lenza na cabeça depois de ouvir o “Japan Pop Show”, do Curumin, há muitos anos. Entramos em contato com ele anos depois, quando queríamos gravar “Quem me Dera” e “Indecisão”. Ele topou e a gente curtiu muito o resultado. Desde então, já tínhamos acertado que ele produziria o nosso próximo álbum. Quando chegou a hora, ele sugeriu a parceria com o Zé Nigro e a gente obviamente achou uma ótima ideia. E funcionou muito bem: eram duas pessoas pensando o tempo todo nas músicas, nos arranjos, no andamento, na gravação. Eles trabalham muito bem em parceria e acho que entre todos nós a produção fluiu bem leve e natural.

Quais são os planos da banda daqui para a frente? Vocês pensam em fazer uma turnê Brasil afora?
Sim! Já temos alguns shows marcados em algumas cidades e estamos marcando outros. A ideia é tocar bastante ainda neste ano para lançar o disco em várias cidades. Ainda queremos lançar mais um clipe e também uma música inédita no fim do ano.

– Ana Carla Bermúdez (@anacbermudez) é jornalista e assina o blog Mamute Falcatrua. A foto que abre o texto é de Victor Gollnick / Divulgação.

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