Boteco: Três cervejas da Walking Cat Brew Co.

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por Marcelo Costa

Abrindo a segunda série de cervejas da The Walking Cat Brew Co. – feitas em casa por Marcio Kovacs – com a Petralhipa, uma India Pale Ale de 6.5% de álcool (ou, como avisa o belo rótulo: 13 dividido por 2) cuja receita une maltes Maris Oter Pale Ale, Crystal e Carafa III com lúpulos norte-americanos Citra e Amarillo. Ela foi envasada no dia seguinte ao resultado da última eleição para presidente, “e como era uma Red IPA”, diz Marcio, ganhou o nome de Petralhipa. De coloração Ambar avermelhada com creme suavemente bege de ótima formação e permanência, a Petralhipa apresenta um aroma suave que equilibra doçura de caramelo e frutado cítrico (maracujá). Na boca, porém, a pegada IPA está mais presente com amargor cítrico respeitável (de média duração) e doçura de caramelo lutando para amacia-lo. Há sensação de maracujá e laranja além de mel e caramelo. O final é amargo (como uma boa IPA tem que ser), cítrico e com um toque de doçura. No retrogosto, mais amargo e maracujá. Um belo exemplar do estilo.

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“Logo depois, trocando ideia com amigos sobre alguma cerveja da série ‘Hello My Name is’ da Brewdog, falei de brincadeira que ia fazer a Meu Nome é Enéas. Acabei fazendo mesmo”, conta Marcio Kovacs. Assim nasceu a Olar, Meu Nome é Enéas, uma Imperial IPA de 8.56% de álcool (8.2% na verdade, 56 era o número de Enéas) cuja receita utiliza maltes Pilsen e Crystal e os mesmos lúpulos da Petralhipa: Amarillo e Citra. De coloração âmbar caramelada e creme bege de ótima formação e longa permanência, a Olar, Meu Nome é Enéas (com rótulo caprichado de Laura Pinheiro) apresenta um aroma com domínio de lúpulo cítrico (maracujá e laranja) enquanto o malte prepara uma sólida base caramelada em busca de equilíbrio. Há suave sugestão de resina, típica do estilo. Na boca, a palavra chave é equilíbrio: o amargor derivado do lúpulo cítrico é uma cacetada (permanente) que vai, lentamente, sendo coberto pela doçura caramelada do malte. O final é cítrico e amargo (não tão intenso, mas de responsa). No retrogosto, maracujá e adstringência. Muito, muito boa!

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Fechando o trio com a Marley Winehouse, uma English Barley Wine produzida em casa pelo Marcio em 2013 numa receita que une os maltes Maris Otter, Crystal e Whisky com o lúpulo Northern Brewer mais chips de carvalho que ficaram de molho em vinho do Porto durante o envelhecimento. Ganhei três garrafas, e a primeira foi aberta 10 meses atrás (e entrou na minha lista pessoal de destaques cervejeiros de 2014). Essa segunda garrafa exibe coloração âmbar e creme bege de boa formação e longa permanência. No nariz, o aroma continua espetacular, com leve sobressalto de defumado e caramelo, que parecem ter ganhado mais força com a guarda. Ainda há sugestão suave de madeira, uísque, vinho do Porto e canela. Na boca, o conjunto (que já era excelente) evoluiu bastante, muito porque o álcool (8,9%) colocou as manguinhas de fora sem apagar os traços de doçura (caramelo) e frutas escuras (ameixa), e amplificando as sugestões de uísque e, principalmente, vinho do Porto. O final traz doçura, álcool e frutado. No retrogosto, caramelo e ameixa embebidos em álcool. Excelente!

Balanço
Segunda IPA que experimento do Marcio Kovacs, a Petralhipa me soou bem mais completa e acertada do que a R.I.P.A., com amargor caprichado e maltado segurando a bronca de tentar equilibrar a peleja. Uma cerveja deliciosa, refrescante e que cairia de forma impecável combinando com comida indiana. Um passo à frente está a Olar, Meu Nome é Enéas, cuja receita a turma da Brewdog poderia assumir em sua ótima linha ‘Hello My Name is’, já que esse exemplar da The Walking Cat Brew Co. dosa muito bem o amargor derivado do lúpulo (que domina a receita, como manda o estilo) com a doçura caramelada do malte. Uma delicia. Fechando o trio, a grande estrela da The Walking Cat Brew Co., a Marley Winehouse. Produzida em 2013, Marcio me deu três garrafas. A primeira eu abri 10 meses atrás (05/2014) e já tinha ficado feliz com o resultado. Essa agora é a segunda garrafa, e o perfil evolui muito nesse tempo, deixando-a ainda melhor. Daquelas cervejas para colocar sorriso no rosto do bebedor.

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Petralhipa
– Produto: American IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,10/5

Olar, Meu Nome é Enéas
– Produto: Imperial IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,2%
– Nota: 3,30/5

Marley Winehouse
– Produto: English Barley Wine
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,9%
– Nota: 3,58/5

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– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
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