TV: Gotham, Constantine, Marco Polo

por Adriano Costa

“Gotham”, de Bruno Heller (Fox)
Logo que anunciaram uma série sobre Gotham, a cidade defendida tão ferozmente por Batman, criou-se automaticamente uma grande expectativa, já que a série poderia servir como apresentação do futuro Cavaleiro das Trevas, através de um Bruce Wayne ainda criança (David Mazouz, o garotinho da série “Touch”) logo após o assassinato dos pais, como também usar a cidade como protagonista focando em tramas policiais e desenvolvendo nuances criminais tendo o detetive Jim Gordon (Ben McKenzie) como esteio. A expectativa era de que tudo giraria em torno de séries dos quadrinhos como “Batman: Ano Um” (1987) e “Gotham City Contra o Crime” (2003), porém, mesmo usando alguns elementos dessas fases, a tendência de Bruno Heller é propor algo novo, incluindo personagens como a criminosa Fish Mooney (Jada Pinket Smith). O resultado (após metade da primeira temporada) é bastante irregular. Agrada o clima soturno, a temática policial quando assumida em contrapartida com a corrupção da cidade, assim como as atuações de Robin Lord Taylor (Pinguim) e Cory Michael Smith (como Edward Nygma, o futuro Charada). Por outro lado, a série peca na pressa de mostrar logo ao telespectador a maior quantidade possível de personagens da vida do morcego vigilante, nos diálogos bem humorados e romanceados que não condizem com a ambientação desalentadora e, principalmente, na formatação de alguns personagens – como o próprio Jim Gordon. Com a primeira temporada de 18 episódios agendada para terminar em 02/03/2015, “Gotham”, por enquanto, é apenas mais um produto dentro do universo do Batman. Nada além.

Nota: 5,5

Onde assistir? Warner Channel, segundas, às 22:30.
Site: http://www.warnerchannel.com/br/gotham

“Constantine”, de Daniel Cerone e David S. Goyer (NBC)
Desde que surgiu, na primeira metade dos anos 80 na série de quadrinhos “Hellblazer”, o britânico John Constantine é um dos personagens mais interessantes da DC Comics. Típico anti-herói, ele é arrogante, sarcástico, cínico, repleto de piadas de tom duvidoso e aterrorizado por males das mais distintas espécies e origens. Com destaque dentro do universo da magia, Constantine é quase um mago, mas também pode ser encarado como um vigarista, dependendo de quem o encontre. Em 2005, o astro Keanu Reeves interpretou o personagem num filme que, mesmo não sendo ruim, desvirtuou bastante os quadrinhos. Nesta série, porém, o resultado é bastante interessante. O ator galês Matt Ryan faz o protagonista do show e incorpora todos os trejeitos e a audácia que se espera, incluindo o tradicional sobretudo e a camisa branca com gravata. Do seu lado estão o fiel parceiro Chas Chandler (Charles Halford) e a bela Zed Martin (Angélica Celaya) numa espécie de brigada contra um grande mal que está avançando sobre o mundo. Como é passada dentro do mundo da magia e do sobrenatural, a série usa de artifícios como encantos, poções, exorcismos e afins, unindo aventura com terror e humor. A grande vantagem, no entanto, é não se levar muito a sério e nem se focar em agradar a um determinado “possível” público. A primeira temporada, com 13 episódios, terminou dia 13/02/2015, e é uma pena que a NBC ainda esteja pensando se vai renovar ou não, pois momentos memoráveis como o episódio “The Devil’s Vinyl” por si só já valem mais do que muita coisa que está por aí na TV.

Nota: 8,5

Onde assistir? Canal Space, sextas, às 22:30.
Site: http://constantinespacebrasil.tumblr.com

“Marco Polo”, de John Fusco (Netflix)
No livro “As Viagens de Marco Polo”, de 1300, são narradas várias aventuras do mercador italiano nascido em Veneza no século XIII, um dos primeiros ocidentais a realizar a rota da seda em direção ao Oriente. As histórias contadas nesse livro inspiram os 10 episódios da primeira temporada da série, que recebeu mais investimento da Netflix do que sucessos como “House Of Cards” e “Orange Is The New Black”. Percebe-se um cuidado muito maior com cenários, figurinos e fotografia, sendo talvez o ponto de partida para começar um briga mais séria com a HBO. A trama épica tem início no ano de 1273 quando Marco Polo (interpretado pelo ator italiano Lorenzo Richelmy) chega junto com seu pai e seu tio na corte do imperador mongol Kublai Khan (Benedict Wong), um descendente direto de Genghis Khan. Marco Polo é deixado na corte por um acordo do pai, e acaba ganhando certo apreço de Kublai devido a algumas observações visuais espertas e ao dom da narrativa. Parecendo buscar proximidade com “Roma” e “Game Of Thrones”, o roteiro aposta em abundantes doses de sexo, violência, intrigas, traições e conspirações através de romances e complôs vazios ao invés de explorar todo o potencial histórico e focar no interessante conflito entre Ocidente e Oriente. Girando em círculo sem sair do lugar, a série só ganha força na segunda metade da temporada, já que no início há muito desperdício de passagens sem correlação posterior – ainda que as cenas de luta no melhor estilo dos filmes asiáticos sejam memoráveis. Renovada para uma segunda temporada, “Marco Polo” ainda é apenas uma aposta.

P.S: A temporada está disponível completamente no Netflix.
Nota: 6,0

– Adriano Mello Costa (siga @coisapop no Twitter) e assina o blog de cultura Coisa Pop

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2 thoughts on “TV: Gotham, Constantine, Marco Polo

  1. Achei o Gotham bem mais ou menos também. Há muita repetições de cenários e até de soluções de roteiro. Também é curioso ver como o Gotham é o personagem de construção mais fraca – até os mafiosos são melhor elaborados que ele.

    Ainda assim, tá divertidinha. Só não vai marcar história.

  2. Aqui mais um insatisfeito com Gotham. Desisti da série no episódoi 7 eu acho.
    Achei bem fraquinha. Só o Pinguim salva!
    Então resolvi não perder meu tempo, já que tem muitas séries e filmes melhores para vermos.

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