Boteco: da Alemanha, Jacobinus e Maisels Weisse

por Marcelo Costa

Surgida em 1887 em Bayreuth, na Baviera, a Brauerei Gebrüder Maisel segue até hoje sendo uma cervejaria familiar, e essa Dunkel é uma das cervejas mais elogiadas do cardápio (de mais de 10 rótulos) da casa, ficando atrás apenas da Maisels Weisse Original. De coloração âmbar caramelada escura, devido ao malte tostado, e creme levemente bege de boa formação e longa permanência, a Maisels Weisse Dunkel destaca um aroma com notas frutadas (banana), condimentadas (cravo) e levemente adocicada (caramelo). Há ainda leve sugestão de tutti-frutti e frutas cítricas. Na boca, reforço caprichado do que o aroma adianta, com presença mais acentuada da condimentação (com leve acidez), que consegue amaciar muito bem a doçura caramelada e frutada (banana) do conjunto. O final traz doçura caramelada (com um tiquinho de ameixa) e leve amargor. No retrogosto, frutas (banana e ameixa), caramelo e cravo.

A Eschweger Klosterbrauerei foi fundada em 1839 por Christoph Andreas no mesmo local em que monges ergueram em 1369 a antiga cervejaria de Eschwege, na baixa Saxônia (hoje condado / estado de Hesse). Sob o comando da quinta geração da família, a Eschweger chega ao Brasil com a linha Jacobinus, e esta primeira é uma Hefe-Weizen de coloração dourada quase cristaliza (denotando filtragem) com creme branco de boa formação e permanência. No nariz, tudo que se espera de uma boa Weiss alemã: notas frutadas intensas (banana), sugestão de tutti-frutti, de condimentação (cravo) e presença adocicada remetendo a caramelo e trigo. Há, ainda, acidez e presença de notas cítricas. Na boca, percepção de trigo logo no primeiro toque, trazendo consigo a tradicional sugestão de banana, cravo e uma leve acidez, que ajuda a intensificar o amargor, comportado. O final é frutado, caramelado e ácido. No retrogosto, banana e leve acidez.

Segunda (das quatro que vieram ao Brasil) da Eschweger Klosterbrauerei, a Jacobinus Dunkles Weizen apresenta uma coloração âmbar caramelada levemente escura (assim como a Maisels Weisse Dunkel, devido ao malte tostado até um ponto em que valoriza mais a sugestão de caramelo do que de café, derivado da fase torrada do malte). No aroma, apresenta notas clássicas do estilo, com banana (levemente caramelada) em primeiro plano, mais especiarias (cravo), leve toque cítrico, acidez comportada e trigo (pão). Na boca, replicação correta do que o aroma anuncia com a sugestão de banana, em destaque, sendo amaciada pela acidez e pelo amargor bastante suave. O conjunto sugere um pouco mais de complexidade do que a Maisels Weisse Dunkel pois consegue conter a doçura e mostrar outros atributos num conjunto que termina frutado (banana), adocicado e ácido, e retorna com baunilha, caramelo e banana.

Balanço
Da Bavária, a Maisels Weisse Dunkel é uma cerveja boa, que não vai além do que se espera, o que se por um lado decepciona quem procura invencionices (e se esse for o caso, a Alemanha é o país errado), por outro mantém a tradição. Só senti que poderia ter um pouco mais de corpo. Da baixa Saxônia, a Jacobinus Hefe-Weizen é uma Weiss com acidez pronunciada e álcool acima das concorrentes (5.7%) resultando em um bom conjunto, que ganha pontos no custo benefício. O mesmo pode ser dito da Jacobinus Dunkles Weizen, uma boa cerveja que supera a Maisels Weisse Dunkel, mas não tem estofo para encarar uma Franziskaner Hefe-Weissbier Dunkel ou uma Paulaner Hefe-Weissbier Dunkel. Ainda assim, o custo beneficio colabora, e na falta das citadas ela desce agradavelmente.

Maisels Weisse Dunkel
– Produto: Dunkelweizen
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 3,14/5
– Preço pago no Brasil: R$ 9,90 – 500 ml

Jacobinus Hefe-Weizen
– Produto: German Hefeweizen
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,7%
– Nota: 3,21/5
– Preço pago no Brasil: R$ 11,95 – 500 ml

Jacobinus Dunkles Weizen
– Produto: German Dunkelweizen
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,7%
– Nota: 3,23/5
– Preço pago no Brasil: R$ 11,95 – 500 ml

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