Três perguntas: Man Or Astro-Man?

Perguntas por Gabriel Thomaz
Abre por Marcelo Costa

Foto por Nataworry

Para felicidade geral, eles estão de volta. É bem provável que as passagens tenham barateado da galáxia em que eles vivem, e por isso os terráqueos brasileiros devem comemorar: o Man Or Astro-Man? retorna ao Brasil pela quinta vez, desta vez em meio ao carnaval, para uma agenda de quatro shows. E, claro, para aproveitar o verão e recarregar as novas baterias.

“Minhas baterias foram originalmente concebidas para durar só 1000 shows”, comenta o guitarrista Star Crunch explicando seu período afastado da banda. Ele estava em “armazenamento criogênico”, mas garante que agora tem bateria de sobra para a turnê que irá passar por Santos (12/02), São Paulo (13/02), Curitiba (14/02) e Recife (15/02).

A formação do grupo deve ser a mesma que enfeitiçou os paulistanos na Virada Cultural de 2012, com Star Crunch (guitarra), Birdstuff (bateria), Coco (baixo) e a extraterrestre mais apaixonante do mundo, Avona Nova, na segunda guitarra. As roupas de filme de ficção científica dos anos 40 também devem marcar presença.

Como o Scream & Yell não entende muito bem a língua falada pelo Man or Astro-Man?, surgiu a ideia de convidar algum terráqueo para a missão, e o escolhido foi o botafoguense Gabriel Thomaz, dos Autoramas, que dividiu o palco no festival francês Cosmic Trip, em 2014, com esses seres de outro mundo, e preparou três perguntas. As respostas você confere abaixo.

Qual a atual formação da banda? Onde estão os outros integrantes?
Devido a certas falhas cósmicas no espaço-tempo de nosso universo, nunca sabemos quem irá aparecer no palco até o momento exato em que aparecemos “de fato” (ou seja, detectáveis a olho nu). Todos os membros estão em um constante estado de fluxo – às vezes aparecendo e desaparecendo no meio de um show. É um conceito semelhante aos ciclos lunares que vocês têm na Terra, ainda que ligeiramente mais aleatório. Atualmente, Star Crunch (guitarra) e Birdstuff (bateria) estão em fase de lua cheia e irão certamente aparecer. Avona Nova, que vem nos acompanhando nos últimos três anos, deve aparecer em fase na guitarra base. Já os padrões de fase dos outros membros são menos previsíveis atualmente – mas teremos algumas surpresas legais na nossa loja para os próximos shows no Brasil.

Star Crunch voltou pra banda, até tocamos juntos (Autoramas e Man or Astro-Man?) na França no aniversário dele… onde ele andou por todos esses anos?
Armazenamento criogênico. Veja você, minhas baterias foram originalmente concebidas para durar só 1000 shows. Os projetistas originais não poderiam imaginar que seria necessário mais do que isso em uma banda. Porém, após o show 1000, eu não tive escolha a não ser entrar em um estado de animação suspensa até que os projetistas pudessem redesenhar as baterias. A tecnologia avançou nos últimos anos, e agora todos nós somos equipados com uma nova geração de baterias recarregáveis movidas a energia solar. Elas são muito mais poderosas em durabilidade, mas a gente tende a dormir mais cedo. Nós sempre gostamos de tocar no Brasil, mas a principal razão pela qual estamos indo nesse momento é o clima tropical. Nós esperamos obter uma carga completa em nossas baterias antes de irmos embora.

Vocês modernizaram a surf music trazendo novos elementos e conquistando uma legião de surfistas espaciais por todo o mundo. Quem estaria fazendo surf de maneira criativa hoje, sem seguir a velha cartilha?
Bem, nós sempre nos consideramos muito mais experimentalistas sônicos do que uma banda de surf music. Quando começamos, não tínhamos muita confiança nas nossas capacidades musicais coletivas, e o que nos inspirou, principalmente, foi a surf music não tradicional e a música instrumental de gente como Link Wray a Sun Ra, caras que tocaram no limite de seu nível de habilidade e, para melhor ou para pior, não tiveram nenhum problema em inventar o que eles não sabiam. Nós gravitamos em torno de canções simples que transmitem uma atmosfera ou atitude. Acho que o erro de muitas bandas novas é pensar que tudo que você precisa é um truquezinho e uma boa caixa de reverb para ser criativo na surf music. Esse material pode ajudar, mas as músicas precisam ter um coração batendo para transmitir energia. Boas baterias recarregáveis ajudam também.

– Gabriel Thomaz (www.facebook.com/gabriel.thomaz) é músico e integra a banda Autoramas
– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

Leia também:
– Trans AM/Man or Astro-Man em Belo Horizonte, 2001, por Rodrigo James (aqui)

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