Entrevista: a nova fase do NX Zero

por Marcos Paulino

O NX Zero deu seu grito de independência. Após 13 anos de banda, cinco álbuns oficiais, um de remix e três discos ao vivo, Di Ferrero, Gee Rocha, Caco Grandino, Daniel Weksler e Fi Duarte quase desmontaram o grupo, mas (para felicidade dos fãs e pânico dos detratores) decidiram que era hora de virar a página.

Romperam com a gravadora, mudaram-se temporariamente para a praia de Juqueí, em São Sebastião, e passaram a compor. Parte do que foi produzido nesse período de transformação foi registrado no EP “Estamos no Começo de Algo Muito Bom, Não Precisa Ter Nome Não”, que tem quatro músicas, recém-lançado apenas em versão virtual.

“O EP foi uma maneira de fazer a transição pro que está por vir”, contou o batera Dani em entrevista ao caderno PLUG, parceiro do Scream & Yell. Mais arejado, o quinteto agora trabalha em um novo disco, que deve sair no primeiro semestre de 2015. “Colocamos o pé no freio pra focar nesse processo de achar nossa essência como banda”, explica Dani, que fala mais sobre a nova fase do NX Zero.

Como está sendo este momento de volta à independência de uma gravadora?
No final do ano passado, vivemos uma fase conturbada, muito trabalho, rotina, perdemos um pouco o foco da música. Chegamos a pensar em dar um tempo. Mas decidimos nos juntar em um lugar pra só tocar, curtir. Fomos pra praia e, nesse meio tempo, mudamos de empresário, de produtor. Foi uma fase super necessária, mas difícil, porque, em meio ao processo criativo, tivemos que lidar também com a parte burocrática. O bom foi que voltamos pra uma fase independente, mas totalmente estru-turada. Não temos uma gravadora, é muito mais trabalhoso, mas temos uma equipe grande e estamos com muito mais vontade de trabalhar.

Com a tecnologia de hoje, é mais fácil pras bandas não dependerem de gravadoras?
Desde a gravação até a divulgação, tudo com certeza ficou muito mais fácil, mais acessível. Mais fácil produzir um vídeo, material de merchandising, desde que você possa contar com pessoas que têm ótimas ideias. Você pode pegar o melhor cara pra divulgação de rádio, o melhor em assessoria de imprensa, o melhor pra fazer camiseta, sem ficar na mão de ninguém. Com a gravadora, você tem que aceitar a equipe dela.

Um dos grandes problemas de ser independente é conseguir visibilidade. Você acredita que o NX Zero está num patamar em que não precisa mais de uma gravadora pra aparecer na grande mídia?
É preciso analisar o que exatamente a gravadora está fazendo por você. Ela tem divulgadores, assessoria, a parte jurídica, a financeira, tudo isso ajuda muito quando você não sabe como funciona esse mundo. Pra saber como administrar essas coisas, demora. Há uns cinco anos, não conseguiríamos ter dado conta. Ser uma banda conhecida ajuda, mas sem experiência e sem correr atrás de todas essas coisas não vai adiantar. Ter vários hits tem prazo de validade.

E como foi a temporada em Juqueí?
Foi uma coisa que a gente sempre quis fazer. Montamos um estúdio num lugar que não foi feito pra isso, o que foi melhor ainda, pra fugir da pressão de horário, de gente da gravadora entrando e saindo. Ficar de frente pro mar nos trouxe de volta aquele prazer de querer ficar juntos, de tocar, se divertir.

Uma nova lua de mel…
Exatamente. Uma banda é como um casamento, que você precisa cultivar de tempos em tempos. É preciso esquecer marketing, televisão, tudo isso, e se concentrar na essência, que é tocar, fazer música.

Por que a urgência de lançar agora quatro músicas, mesmo que só virtualmente, e não esperar para completar um disco?
Na praia, estávamos com a cabeça em fazer um disco. Gravamos cinco ou seis músicas, fomos pra São Paulo, passamos por todo aquele turbilhão e paramos de compor. Quando voltamos, notamos que já estava rolando uma mudança nas novas composições. Ficamos na dúvida se conseguiríamos integrar a energia da praia nas novas músicas. Então decidimos continuar compondo pra um disco pro primeiro semestre do ano que vem e lançar já algumas músicas que estavam prontas, até porque estavam numa outra linguagem. O EP foi uma maneira de fazer a transição pro que está por vir.

O que os fãs podem esperar de novidades no novo disco?
Todos que ouviram o que já fizemos, produtores, amigos de outras bandas, ficaram com os olhos arregalados. Sinto que está vindo algo bem diferente, um susto bom, que está agradando.

Está dando tempo de fazer shows?
Colocamos o pé no freio pra focar nesse processo de achar nossa essência como banda. Não fazia sentido ir pra estrada se a gente estava se redescobrindo. Mas aos poucos estamos voltando a fazer show.

Vocês começaram moleques, como o público da banda. Os fãs estão envelhecendo com vocês, ou tem muito moleque ainda na plateia?
Tem aquela galera que começou com a gente, mas sempre sentimos que as novas gerações gostavam e queriam acompanhar o trabalho. Isso é a melhor coisa, porque percebemos que o NX não tem idade. Antes, a banda era teen porque nós éramos teen, mas o leque foi se abrindo.

– Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno Plug, do jornal Gazeta de Limeira.

Leia também:
– Fresno: “Essa liberdade de ser independente é uma bênção e um fardo”(aqui
– Raimundos: “A banda está num momento de ascensão cautelosa, consciente” (aqui)

4 thoughts on “Entrevista: a nova fase do NX Zero

  1. Tenho respeito pelo trabalho dos caras. O disco “Diálogo” (2004) deles, é um bom disco, mas olha, de lá par cá é difícil acompanhar em. Como o colega Marcos comentou, ta bem “Charlie Brown” esse som novo em.

  2. Eu nunca ouvi isso, mas tenho certeza que eles melhoraram muito. São dignos de Ivete, Péricles, Preta, Thiaguinho, Luan, MIchel, Claudinha, Daniel. Essas coisas que a mídia bomba de segundo em segundo. Viva a música brasileira. Ela é isso minha gente! Aliás, o que que essa matéria tá fazendo aqui? Feliz ano novo! Tem gente que se acha, e acha que faz música, e acha que faz sucesso, e de fato faz sucesso, que acha que é artista, e de fato bomba na TV. Nevermind. Só uma coisa, você viu a nova música do Belo? Eu não… Rs. Quem é Jorge Mateus mesmo? É o ator da novela. Não, é o cantor. Num país em que até Sandy e Júnior evoluem, a gente pode virar artista. Brincadeirinha fãs. Foi só pra descontrair. Beijos!

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