Conheça quatro bandas do Amazonas

por Richard Cruz

O Amazonas não tem tradição no rock, mas isso não impede que artistas produzam música autoral de qualidade no estado. Por isso, esqueça o Boi Bumbá. No maior estado do Norte do país, o rock é representado basicamente por quatro tipos de bandas: as de metal, as que ainda não esqueceram dos anos 80 (e 90), as que deixaram a barba crescer influenciadas pelos Los Hermanos e as que, como no vizinho Pará, perceberam que a mistura com música regional dá um caldo. No caso, de Tucupi. A capital Manaus concentra a maior parte dos músicos que, com o tempero local, lutam para vencer a distância do resto do País e dar visibilidade ao, como diz o título de um documentário que retrata a cena musical da cidade, “rock que o Brasil não viu”. Conheça quatro bandas amazonenses:

OS TUCUMANUS
Guitarras Red Hot Chili Pepperianas, um vocalista carismático, grooves que exalam Jorge Ben pelos poros e letras repletas de um regionalismo que em momento algum soa forçado. Essa é a receita dos Tucumanus, que começaram no cenário independente em 2006. O nome junta uma popularíssima fruta da região (o tucumã) com o hábito do manauara de chamar todo mundo de “mano” – abrasileirando o “brother”. No currículo, além dos constantes shows em espaços, festivais (e até blocos de carnaval) locais, também entram apresentações em diversos estados brasileiros (São Paulo, Amapá, Paraná, entre outros) e até mesmo a inclusão na programação do Brazilian Day de 2012 em Nova York (onde foi gravado o clip da música “Churrasco de Gato”). Com o EP “Rumo à Via Láctea” debaixo do braço, gravado no começo de 2014, a banda segue divulgando seu som, auto definido como “Experimental Regional”, e com direito a participação na coletânea internacional “Rolê – New Sounds of Brazil”, do selo Mais Um Discos.

Facebook oficial: https://www.facebook.com/ostucumanus

SUPERCOLISOR (ANTIGA MALBEC)
Com pitadas de Radiohead, The National, Jeff Buckley e a indisfarçável influência dos Los Hermanos, o quarteto amazonense Supercolisor está na ativa há seis anos e tem um EP (chamado “Primeira Marcha”) e um LP (sim, o álbum também foi lançado em vinil) nas costas: “Paranormal Songs”, de 2012, levou um ano pra ser gravado. Perfeccionismo é a palavra de ordem aqui. O disco foi iniciado no estúdio caseiro do grupo, no qual chegavam a passar oito horas por dia, depois mixado em São Paulo por Victor Rice (que trabalhou com o Hermano Camelo e sua consorte Mallu Magalhães em discos solo e no projeto Banda do Mar) e concluído com a masterização em Nova York. São 11 músicas que equilibram guitarras rascantes, pianos dramáticos e algumas das melhores linhas vocais do pop nacional. Sim, POP, porque apesar de todo o preciosismo e cuidado com a produção, uma das maiores qualidades da Malbec é que no final das contas, as musicas grudam no ouvido na primeira audição do álbum.

Site oficial (com o disco para download gratuito): http://www.supercolisor.com/

ESPANTALHO
Os anos 80 e 90 nunca terminaram para o pessoal da Espantalho. Há mais de 20 anos o songwriter Marcos Terra Nova é a figura principal dessa seminal banda amazonense. Entre idas e vindas, diversas mudanças de formação e até de nome, que antes era Scarecrow, dois discos lançados com uma década de diferença entre eles, participações em coletâneas e nos principais festivais de rock da cidade (incluindo o divisor de águas na cena local, Fronteira Norte), a banda mantém inabalável sua mistura de rock alternativo americano (Superchunk, Nada Surf) com a tradição das letras subjetivas e poéticas do rock nacional oitentista. Os shows costumam ser catárticos, com a plateia cantando junto todas as músicas, do início ao fim (como também acontecia com certo grupo brasiliense dos anos 80). A Espantalho chegou a ficar vários anos parada, mas, graças a centenas de pedidos que o vocalista recebia em suas redes sociais, voltou em 2012 para lançar “Volver”. O disco, como mandam os novos tempos, foi financiado pelos fãs, que continuam a lotar qualquer show que os espantalhos façam em Manaus.

Soundcloud oficial (ouça o disco “Volver”): https://soundcloud.com/espantalho/sets/volver

NEKROST
Se não é fácil fazer heavy metal no Brasil, imagine produzir esse tipo de som em Manaus, cidade mais conhecida por ter dado ao mundo o grupo Carrapicho (aquele que nos anos 90 animava os programas dominicais de TV com a música “Tic – Tic – Tac”). Sem se intimidar e mantendo uma carreira de mais de 15 anos, a Nekrost é conhecida pelos shows antológicos. A fama rendeu-lhes a participação na edição de 2011 do maior festival de música pesada do mundo: o Wacken Open Air, que acontece anualmente na Alemanha. Em meados de 2014, saiu o primeiro álbum (“The Dark Path”), apresentando um Thrash Metal extremamente técnico, na linha da nacional Korzus e da norte-americana Testament. A qualidade do trabalho do quinteto, que abriu para o Cavalera Conspiracy em sua recente passagem por Manaus, está começando a ser reconhecida por publicações especializadas e produtores de festivais de música extrema do sudeste. O ano de 2014 vai ser encerrado com diversas apresentações em São Paulo. O caminho é negro, mas o futuro é promissor para a Nekrost.

Facebook oficial: https://www.facebook.com/nekrost

Veja também:
– Download gratuito: conheça seis bandas da cena potiguar (aqui)

2 thoughts on “Conheça quatro bandas do Amazonas

  1. Cabeça verde ta precisando sair mais na noite pra saber que existem muitas outras bandas e bem loucas rolando…mas valeu a tentativa!

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