Boteco: Três novidades cervejeiras nacionais

por Marcelo Costa

Lançada em setembro de 2014 pela cervejaria gaúcha DadoBier, a American IPA destaca o uso de três lúpulos norte-americanos para amargor (Cascade, Chinook e Ahtanum) e um deles para dry-hopping numa receita que alcança 58 de IBU e 6.2% de álcool. De coloração dourada quase âmbar e creme branco de boa formação e media alta permanência, a DadoBier American IPA apresenta um aroma caprichado, que destaca notas cítricas (maracujá e laranja), doçura caramelada, sugestão herbal (pinho e ervas) e leve percepção de resina (tão comum nas norte-americanas extremas). Na boca, amargor cítrico alto, e levemente cumulativo. Em meio ao conjunto é possível perceber tanto sugestão de maracujá quanto de caramelo e resina, que vão desaparecendo suavemente (e abrindo espaço para novos goles). O final é mais maltado que amargo enquanto o retrogosto traz uma pontadinha de amargor, mas termina mesmo cítrico. Bom exemplar do estilo.

A cervejaria Jeffrey foi uma das agradáveis surpresas do segundo Mondial de La Biere, que aconteceu no Rio de Janeiro em novembro, com a Niña, uma refrescante witbier carioca feita em parceria com a escola Confraria do Marquês. Na receita, aveia, trigo, fermento belga e adição de raspas de limão siciliano e coentro. De coloração amarelo palha e creme branco boa formação e média baixa dispersão, a Jeffrey Niña apresenta um aroma deliciosamente cítrico, com notas que remetem diretamente a limão. Há, ainda, percepção de trigo e de cravo. No paladar, o limão e o coentro pulam à frente e tiram a força dos 5.3% do álcool e também da característica de amargor da lupulagem tornando o conjunto facilmente digerível, e essa é uma de suas principais qualidades: aliar o cítrico e o condimentado do estilo em um conjunto de drinkabilty altíssimo e refrescante. O final é cítrico e condimentando, sensação que permanece até o retrogosto.

Lançada em setembro, a quarta receita oficial da DUM Cervejaria, de Curitiba (as anteriores são “apenas” a Petroleum, a Jan Kubis e a Grand Cru), Karel IV, é uma potente Amber Lager, com 8.4% de álcool e 84 de IBU. De coloração âmbar e creme levemente alaranjado de boa formação e média permanência, a DUM Karel IV apresenta um aroma bastante lupulado com tanto notas cítricas (laranja e maracujá) quanto herbais (pinho). O malte distribui notas adocicadas (caramelo e toffee) e leve resina. Ainda é possível perceber um toque terroso e, muito levemente, o álcool. Na boca, caramelo no primeiro toque, que logo recebe amargor e picância de álcool (pode diminuir a expectativa de IBU para menos da metade, pois ele é mais de longevidade do que de impacto). A lupulagem domina o conjunto (com cítrico e herbal), mas o caramelo fica ali na retaguarda. O final é amargo (mais de lúpulo do que de álcool) e um tiquinho terroso. No retrogosto, caramelo, álcool e suave amargor cítrico.

Balanço
Melhor cerveja da DaDo Bier (das sete que experimentei), a American IPA dos gaúchos é uma releitura honesta do estilo norte-americano, com lúpulagem bastante presente, mas sem atrapalhar o conjunto. A Jeffrey Niña foi uma bela surpresa do Mondial de La Biere Rio 2014, uma witbier refrescante, ainda que um tiquinho exagerada na adição de limão e coentro. Porém, combina perfeitamente com o clima quente carioca. Se o preço chegar mais competitivo, pode virar mania (qualidade pra isso tem). Fechando com a quarto cerveja dos curitibanos da DUM, a Karel IV é uma Amber Lager potente, lupulada e caprichada, bem próxima da escola inglesa (ainda que o lúpulo esteja um tiquinho acima do que eles gostam no Velho Mundo). Não tira o posto das preferidas da casa (Petroleum e Jan Kubis), mas dá sequencia a um belo cardápio.

DadoBier American IPA
Produto: American IPA
Nacionalidade: Brasil
Graduação alcoólica: 6,2%
Nota: 3,11/5
Preço: R$ 16 – 600 ml

Jeffrey Niña
Produto: Witbier
Nacionalidade: Brasil
Graduação alcoólica: 5,3%
Nota: 3,02/5
Preço: R$ 15 – 300 ml

DUM Karel IV
Produto: Amber Lager
Nacionalidade: Brasil
Graduação alcoólica: 8,4%
Nota: 3,33/5
Preço: R$ 16 – 355 ml

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