Boteco: três cervejas suecas da Omnipollo

por Marcelo Costa

A descrição no site oficial da cervejaria sueca é simples e direta: “Omnipollo é uma premiada cervejaria que foi fundada em 2011 por Henok Fentie e Karl Grandin. Concebemos nossas receitas em casa e viajamos para diferentes cervejarias em todo o mundo para criar nossas ales… A nossa ambição é mudar a percepção de cerveja. para sempre”. Cervejeiros ciganos como a dupla de irmãos da Mikkeller, Henok e Karl colocaram a escola sueca em evidência produzindo mais de 35 cervejas em três anos, uma produção dividida entre oito cervejarias, entre elas a Brouwerij de Molen (onde a dupla produziu a elogiada Omnipollo Hypnopompa, uma Bourbon Barred Aged) e a De Proefbrouwerij, responsável pela maior parte da produção dos dois suecos. As cervejas da Omnipollo começaram a chegar ao Brasil em 2013 (rolou até uma colaboração com a Tupiniquim, a imperdível Polimango), ainda com preço elevado (em Estocolmo é possível encontra-las entre R$ 10 e R$ 15; no Brasil chegam entre R$ 35 e R$ 50). Abaixo, três que vieram na mala da Suécia.

A Omnipollo Mazarin é uma American Pale Ale produzida na fábrica da De Proefbrouwerij, em Lochristi, cidade belga próxima de Gent (que também produz várias Mikkeller) e exibe uma coloração entre o dourado e âmbar caramelado. O creme branco é de boa formação e média alta permanência. No aroma, duas fases distintas: na primeira, resina suave acompanhada de leve toque herbal (pinho) e, na segunda, um delicioso perfil frutado pendendo para cítrico (manga, abacaxi, maracujá e laranja lima). A dualidade aromática se repete no ótimo paladar, mas com alteração na ordem: o primeiro toque é frutado e cítrico (maracujá) e, após a pancada de amargor pontual (nada agressivo), o conjunto torna-se mais herbal com aceno resinoso, propondo refrescancia. O final é deliciosamente cítrico, herbal e resinoso. No retrogosto, resina, leve presença cítrica (no nariz) e amargor. A bela arte da garrafa é de Karl Grandin.

A segunda de Henok Fentie e Karl Grandin é a Omnipollo Nebuchadnezzar (Nabucodonosor em sueco), uma Imperial IPA também produzida na fábrica da De Proefbrouwerij. De coloração puxada mais para o dourado que o âmbar caramelado e com creme levemente alaranjado com boa formação e média alta permanência, a Omnipollo Nebuchadnezzar apresenta um aroma que antecipa a porrada dos 100 IBU e 8.5% de álcool na forma de resina, em primeiro plano, com leve toque de caramelo na sequencia. Há na retaguarda tanto presença herbal (pinho) quanto cítrica (maracujá), mas elas não desabrocham como na Mazarin, ficando sob uma sombra resinosa. Na boca, o amargor não é tão violento quanto se espera em intensidade, mas ganha destaque na permanência, riscando do céu da boca até a garganta e ficando, ficando, ficando. Há ainda herbal, doçura de caramelo e cítrico compondo o conjunto. O final é amargo, herbal e resinoso. O amargor mantém-se até o retrogosto, e toma conta do espaço. Extrema, mas interessante.

A mais personal das três Omnipollo que vieram na mala de Estocolmo, a Leon é uma Belgian Pale Ale que utiliza levedura de champanhe e também é produzida pelos suecos na De Proefbrouwerij. Seguindo o modelo da Mazarin e da Nebuchadnezzar, a Leon também fica no meio do caminho entre a coloração dourada e a âmbar caramelada (aqui puxando mais para a segunda). O creme é branco, de excelente formação e média alta permanência. No nariz, uma deliciosa suavidade cítrica (casca de limão, abacaxi e uva verde) é acompanhada por notas derivadas de malte (caramelo, biscoito, trigo), ervas (cereais e muito leve resina), flores e condimentos (semente de cravo). Bastante carbonatada, a Omnipollo Leon apresenta um aroma picante, caramelado e cítrico, tudo isso no primeiro toque. O amargor é assertivo abrindo espaço para um conjunto deliciosamente cítrico, maltado e condimentado. O final é maltado, herbal e cítrico. No retrogosto, caramelo, casca de laranja, biscoito e cravo. Delícia.

Balanço
A primeira das Omnipollo que vieram na mala de Estocolmo (compradas em Systembolagets) é a Mazarin, uma saborosíssima American Pale Ale, que requer atenção do bebedor nas alterações de nuances (entre cítrico e herbal). Um capricho para se apaixonar. Lupulomaniacos fiquem atentos: a Omnipollo Nebuchadnezzar é uma extrema Imperial IPA com 100 de IBU (que aparecem mais na permanência do que na força) e 8.5% de álcool. Há mais sugestão de resina do que eu gosto, mas ainda assim é interessante. A minha preferida das três foi a Omnipollo Leon, uma Belgian Pale Ale que utiliza levedura de champanhe e se aproxima (deliciosamente) de uma Farmhouse Ale. Perfil aromático caprichado e paladar provocante. Uma delícia. Queria ter trazido uma garrafa a mais…

Omnipollo Mazarin
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Suécia
– Graduação alcoólica: 5,6%
– Nota: 3,60/5
– Preço pago em Estocolmo: R$ 11 – 330 ml

Omnipollo Nebuchadnezzar
– Produto: Imperial IPA
– Nacionalidade: Suécia
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 3,75/5
– Preço pago em Estocolmo: R$ 10 – 330 ml

Omnipollo Leon
– Produto: Belgian Pale Ale
– Nacionalidade: Suécia
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,88/5
– Preço pago em Estocolmo: R$ 16 – 750 ml

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