20 anos de Festival Goiânia Noise

por Marcelo Costa

Produzir um festival de natureza independente (e barulhenta) por 20 anos neste complicado país chamado Brasil (e, ainda, fora dos grandes centros, importante ressaltar) é uma marca que, quando alcançada, merece elogios, aplausos e fogos de artificio. Acrescente a essa conquista o fato de tal festival, junto a um selo musical também independente, ter inspirado o surgimento de dezenas de bandas, e colocado a capital de seu estado no mapa musical do país, e você poderá ter uma pequena ideia da grande importância do festival Goiânia Noise, que em 2014 chega à sua vigésima edição.

“Nunca imaginei que fosse tão longe”, comenta Leonardo Razuk em bate papo rápido com o Scream & Yell. Ele entrou para a turma da Monstro Discos, produtora do Noise, na sétima edição do evento, e segue na atividade ao lado dos criadores do festival, Leo Bigode e Márcio Jr., e de Guilherme Batista Pereira, que desde 2012 é o quarto integrante da Monstro/Noise. Para comemorar os 20 anos, os produtores selecionaram alguns artistas que fizeram parte da história do festival (Matanza, Cachorro Grande, Relespública, Mundo Livre, Korzus) como também gente nova (O Tonto, Carne Doce) e gringos (Biohazard, Radio Moscow).

Para esta edição comemorativa, o Noise se estende com uma programação de filmes musicais, o Cine Esquema Noise, que começa hoje (27/11) e segue até 03/12 com 20 filmes. Na abertura, sessão especial com projeção em VHS do filme “Hated: G.G. Allin and the Murder Junkies” (1993), de Todd Phillips, e “Geração Baré-Cola: Usuários de Rock” (2014), de Patrick Grosner (confira a programação do Cine Esquema Noise). “Paralelo a ela, faremos também uma exposição com um pouco da memória do Noise. São cartazes das edições anteriores e a visão de 20 artistas sobre o festival”, avisa Razuk. O festival acontece nos dias 05, 06 e 07/12.

Veja a programação completa do Goiânia Noise 20 anos. Abaixo, três trailers de documentários que serão exibidos no Cine Esquema Noise e três perguntas para Leonardo Razuk.

20 anos de Noise. Quando vocês começaram a produzir o festival, lá no século passado, imaginavam alcançar essa marca?
Eu comecei a fazer parte do Noise na sétima edição, mas nunca imaginei que fosse tão longe. Acredito que o Leo Bigode e o Márcio Jr., criadores do festival, também não imaginavam que fosse durar tanto.

O que você destaca da programação de 2014? Qual foi a ideia que vocês tiverem ao selecionar essas bandas?
Por ser uma edição “comemorativa”, de 20 anos, resolvemos chamar algumas bandas que já tocaram em edições anteriores do festival e que, de alguma forma, marcaram a história do Noise (e vice-versa). Dessa forma, entraram bandas como o Matanza, Cachorro Grande, Relespública, Mundo Livre, Korzus, The Neves, o Mao (que agora está com outra banda)… Claro que existem muitas outras, mas as condições não nos permitiram chamar todas. Depois, colocamos algunas bandas mais novas e que tem a cara do festival, como o Barizon, Daniel Groove, Gonorants e Them Old Crap, uns gringos de peso (Biohazard, Radio Moscow e Terrorizer) e temperamos tudo com as bandas goianas, que vivem uma fase muito boa!

Esse é o primeiro ano do Cine Esquema Noise? Fale um pouco sobre o projeto.
É o primeiro ano. Sempre tivemos a ideia de um festival que extrapolasse a questão da música. Em outras edições tivemos exposições de artes, inserimos a nossa mostra Trash (de filmes independentes) na programação do Noise, debates, um Museu de Monstros… mas essa foi a primeira vez que pensamos e criamos uma mostra de cinema específica e que tivesse a ver com o festival, com o conceito do Noise. Paralelo a ela, faremos também uma exposição com um pouco da memória do Noise. São cartazes das edições anteriores e a visão de 20 artistas sobre o festival. E uma exposição exclusiva do Marcatti, esse que é o mais underground dos quadrinistas brasileiros e que, este ano, foi o responsável pela logomarca e a identidade visual do Noise.

Leia também:
– 19º Goiânia Noise honrou a promessa de barulho: felicidade roqueira garantida (aqui)
– Leo Bigode fala do Noise 2012: “É muito gratificante olhar pra trás” (aqui)
– Leo Bigode fala do Noise 2013: “Um festival de rock. Sem hypes, sem modismos” (aqui)

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