O Halloween do QOTSA em Los Angeles

por Juliana Torres

Em um show histórico no último dia 31 de outubro, o Queens of the Stone Age se despediu de sua turnê “…Like Clockwork” com uma festa de Halloween no The Forum, em Los Angeles. Entre uma surpresa e outra, o “The End Of The Road”, último show antes de uma longa pausa, conforme anunciou Josh Homme, marcou também a segunda reunião nos palcos da banda californiana com o ex-baixista Nick Oliveri desde que Homme o demitiu em 2004 – a primeira aconteceu em abril desse ano, o músico e a banda se juntaram para tocar o hino “You Think I Ain’t Worth a Dollar, But I Feel Like a Millionaire” em Portland.

A festa começou às 19h30 com uma apresentação de gosto duvidoso de Suicide Girls – agora também conhecido como Burlesque. Vestidas com fantasias temáticas, as meninas dançavam clássicos dos anos 70 em um ringue de luta-livre no meio da plateia, entre uma atração e outra. O primeiro show da noite foi do duo The Kills, uma apresentação morna que não empolgou o público. Em 45 minutos, Alison Mosshart e Jamie Hince mostraram hits como “U R A Fever” e “DNA”, e se a segunda deu um respiro ao show, também fez lembrar “A Little God In My Hands”, mas The Kills não é o Swans. Infelizmente. Nem as quatro baterias no palco fizeram a banda impressionar, mas foi um bom momento para ir buscar uma cerveja sem encarar as filas: uma Lagunitas India Pale Ale, 10 dólares. Foi também oportuno para sentir a energia do ambiente. Com todo mundo fantasiado, era fácil trombar com quatro grupos diferentes de Wayne e Garth do “Wayne’s World”.

Às 22h, após algumas cervejas, um concurso de fantasia, mais Suicide Girls e um telão mostrando um show do The Cramps se apresentando em um hospital psiquiátrico em 1984, o tema de “Halloween”, música criada por John Carpenter para a introdução do filme de mesmo nome, anuncia a entrada da grande atração da noite. Com jogos de luzes macabros e sombras distorcidas, as notas de Carpenter se misturam com a bateria e a linha de baixo de “Keep Your Eyes Peeled”, faixa que também abre “…Like Clockwork”. E, assim como no disco, Jake Shears, do Scissor Sisters, também acompanhou os vocais no palco.

Em seguida, Josh Homme embalou dois clássicos do álbum “Rated R”, do hoje distante ano 2000: com um pout-pourri de “Feel Good Hit of the Summer” e “The Lost Art of Keeping a Secret”, o Queens of The Stone Age nos fez lembrar porque é considerada uma das maiores bandas de rock dos, pelo menos, últimos 15 anos. Claramente confortável tocando “em casa”, o grupo não deixa espaço para críticas. Preenchendo cada uma das lacunas possíveis, a banda tocou músicas de seus seis discos, incluindo “Little Sister” e “Someone’s in the Wolf”, do “Lullabies to Paralyze” (2005), e “Make It Wit Chu”, originalmente gravada nos Volumes 9 & 10 das “Desert Sessions” antes de ir parar no “Era Vulgaris” (2007). Josh voltou ainda mais no tempo e tocou a imperdível “Regular John”, música de abertura do disco homônimo de 1998, e também “No One Knows” e “Go With the Flow”, do “Songs for the Deaf” (2002).

Mas o que o público estava esperando ainda não havia chegado. Provavelmente o melhor encore da vida de muitas pessoas que compraram o ingresso, o grupo voltou ao palco puxando uma das músicas mais queridas pelos fãs, “You Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire” – ou apenas “Millionaire” para os íntimos. Causando um frio na barriga da plateia, Josh Homme começou cantando sozinho – motivo para um mini ataque cardíaco em todo mundo que estava esperando a garganta potente de Oliveri. Antes do refrão, um careca vestido de demônio toma a cena e a plateia vai ao delírio. Dominando o palco, Nick parecia nunca ter deixado a banda. Encarou cinco músicas seguidas num set de canções que não era apresentado ao vivo pelo Queens of The Stone Age há nada menos que 10 (!!!!) anos – “Quick and to the Pointless”, “Auto Pilot”, “Another Love Song” e “Gonna Leave You” – deixando o show com um barulho ensurdecedor num momento inesquecível para os presentes.

Para encerrar a noite e iniciar um período de férias da banda e planos para o futuro, uma ode ao Halloween tomou conta do Forum numa versão de “A Song for the Dead” que reforçou a ótima escolha de Jon Theodore para a percussão da banda. Sozinho no palco, a faixa ecoou por mais seis minutos na bateria antes de ser autorizada a chuva de papel preto picado, que minutos depois foi acompanhada por chuva real, quebrando uma seca histórica na Califórnia. Acredite, o cenário honrava a frase clichê: em sua melhor forma e com incondicional apoio de seus fãs, o QOTSA fez chover no Halloween de Los Angeles. Boas férias. E vida longa.

Setlist:
Keep Your Eyes Peeled
Feel Good Hit of the Summer
The Lost Art of Keeping a Secret
My God Is the Sun
Smooth Sailing
If I Had a Tail
Little Sister
Someone’s in the Wolf
The Vampyre of Time and Memory
I Sat by the Ocean
Make It Wit Chu
Regular John
No One Knows
Go With the Flow

Bis:
You Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire (com Nick Oliveri)
Quick and to the Pointless (com Nick Oliveri)
Auto Pilot (com Nick Oliveri)
Another Love Song (com Nick Oliveri)
Gonna Leave You (com Nick Oliveri)
A Song for the Dead

– Juliana Torres (@jules_towers) é jornalista e assina o http://jukiddo.tumblr.com/

Leia também:
– Queens of The Stone Age em São Paulo, 2014: absolutamente impecável (aqui)

4 thoughts on “O Halloween do QOTSA em Los Angeles

  1. Lendo o seu texto e lembrando dia sim, dia não do show em SP há pouco mais de um mês. Certeza que Nick Oliveri no palco é sinônimo de outras grandes músicas do Queens ser tocadas só com ele mesmo. Uma das minhas favoritas: Auto Pilot. Queria ter presenciado isso!

  2. Tenho certeza que essa participação nesse show abrirá a possibilidade de novos show, músicas do QOTSA com participação dele. O Nick sempre vai ser o NIck do QOTSA.

  3. apesar de ser triste não ver o Nick empunhando o baixo, bem que ele poderia ser contratado pelos caras para fazer a segunda voz como o Mark fez por muitos anos… obrigado Juliana pelo relato e pelo vídeo, incríveis

    ps.: me arrependo absurdamente de não ter visto o show do Porto Alegre, porque o de São Paulo foi animal demais

    ps2.: se o Nick voltar (o que duvido) eu vendo tudo pra ver qualquer show com ele

  4. O Nick pareceu nunca ter saído da banda. À vontade, mandando bem nos vocais e, principalmente, sentindo a gritaria da galera que sente falta dele. Mas acho que esse navio já partiu. Acho que agora ele pode fazer essa aparições surpresas e participar de algum show aqui e ali, mas a formação do QOTSA tá redonda demais.

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