Boteco: de São Paulo, três cervejas da Júpiter

por Marcelo Costa

Primeira receita produzida pela Júpiter, cervejaria que nasceu em 2013 em São Paulo, esta American Pale Ale é produzida e engarrafada pela Dortmund, em Serra Negra, interior do estado. Não é pasteurizada nem filtrada. De coloração âmbar e creme levemente alaranjado de boa formação e permanência, a Júpiter APA destaca um aroma notadamente cítrico (remetendo a maracujá), devido ao uso de lúpulos norte-americanos, e levemente terroso. Na boca, os 37 de IBU mostram sua força, mas com delicadeza, a ponto do amargor não se sobrepor ao conjunto cítrico (maracujá e laranja), uma das boas surpresas dessa cerveja. O final é cítrico (maracujá), amargo e refrescante. No retrogosto, mais amargor (de forma suave) e mais cítrico. Bastante agradável.

A Júpiter India Pale Ale bate no peito e toma pra si o título de primeira cerveja do Brasil com a técnica de lupulagem contínua: foram mais de 90 adições de lúpulo, utilizando cerca de 7,5kg de lúpulo para 1500 litros. O resultado é uma cerveja âmbar caramelada com creme branco de boa formação e longa permanência. No nariz, a Júpiter IPA não é tão aromática quanto a APA porque o lúpulo (cítrico) briga por espaço com o malte (resinoso) num conjunto que traz sugestão de maracujá, abacaxi, resina e pinho. Na boca, o amargor é potente e longo (70 de IBU e 6.5% de álcool), mas, novamente, sem agredir. No entanto, o perfil cítrico fica em segundo plano, apagado pelo amargor, pela resina e pela sugestão herbal. Ainda assim, o cítrico aparece no trecho final ao lado do amargor. No retrogosto, amargor suave.

Lançada em julho de 2014 para comemorar o primeiro aniversario da cervejaria, a Júpiter Meia-Noite, produzida pela Cervejaria Premium Paulista, em Santo André, é uma Robust Porter que leva aveia na receita e é maturada com carvalho. De coloração marrom bastante escura e belo creme bege de ótima formação e permanência, a Júpiter Meia-Noite traz um aroma caprichado que valoriza o encontro das notas derivadas da aveia (um toque lácteo) com a sugestão de café derivada da torra do malte. Há ainda leve sugestão de caramelo e baunilha. Na boca, o amargor (da torra do malte, do lúpulo e dos 6.5% de álcool) surge em primeiro plano e surpreende o bebedor – a doçura vem na retaguarda. Outra surpresa: uma suave e agradável sugestão de frutas vermelhas (cereja) em meio ao tradicional do estilo (café, baunilha e chocolate). O final traz amargor pontual, chocolate e café. No retrogosto, amargor e café. Muito boa.

Balanço
A APA da Júpiter é uma daquelas cervejas agradáveis e refrescantes, com amargor acentuado que não agride o bebedor. Uma bela cerveja com influência da escola norte-americana. A IPA dos paulistanos é mais amarga, mas menos saborosa do que a APA porque tanto malte quanto lúpulo ganham em impacto, mas perdem em sabor. Ainda assim, um bom exemplar de American IPA. Fechando o trio, a ótima Meia-Noite, uma agradável surpresa na forma de Robust Porter, a melhor da casa até agora.Uma cervejaria paulistana pra acompanhar de perto!

Júpiter APA
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 3,15/5
– Preço pago em São Paulo: R$ 13 – 355 ml

Júpiter IPA
– Produto: American IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,04/5
– Preço pago em São Paulo: R$ 15 – 355 ml

Júpiter Meia-Noite
– Produto: Robust Porter
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,34/5
– Preço pago em São Paulo: R$ 17 – 355 ml

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