Boteco: Três Mikkeller produzidas pela Lervig

que vieram na mala de Amsterdã no roteiro Europa 2014

por Marcelo Costa

A Mikkeller Beer Weak Brunch Weasel é a versão comportada da Mikkeller Beer Geek Brunch Weasel, uma Russian Imperial Stout que recebe adição de um caríssimo café do sudoeste asiático, que passa por um “processo” bastante particular. Segundo reportagem da revista Galileu, os grãos de café “são processados pelo sistema gastrointestinal e depois retirados dos excrementos da civeta, um mamífero parecido com um gato, que não existe no Brasil. O animal come somente os frutos mais doces, maduros e avermelhados do café, que são digeridos pelo seu organismo, com exceção dos grãos, que são excretados junto com suas fezes”. Depois de higienizados, os grãos são colocados à venda (um expresso no Reino Unido custa cerca de 30 libras), e os holandeses da Mikkeller optaram por adicionar esses grãos em suas duas Stouts (uma Oatmeal, outra Russian) da linha Brunch.

Inicialmente, a Mikkeller utilizava a marca mais badalada, Kopi Luwak, da Indonésia, mas, após denuncias de que a empresa estava maltratando os animais, optou pela companhia vietnamita Weasel (Cà Phê Chồn, na língua local). Os noruegueses da Lervig são responsáveis pela produção das duas versões (a Mikkeller é uma cervejaria cigana, sem fábrica), e, em Amsterdã, encontrei só a Weak, uma cerveja de coloração marrom escura intensa e creme também marrom escuro, de boa formação e permanência. No nariz, o café domina totalmente a atenção. Com atenção é possível perceber leves notas adocicadas (caramelo e chocolate) junto a lácteo. Na boca, o primeiro toque traz doçura, e, depois disso, imagine um café forte, muito amargo e sem nada de açúcar. O amargor do lúpulo, ampliado pela torra do malte e pelo café, marca o trecho final. No retrogosto, mais amargor, caramelo e leve adstringência. Muito boa (principalmente para quem ama café – sem açúcar).

A Mikkeller Beer Geek Breakfast é uma Oatmeal Stout produzida pela Lervig com 25% de aveia numa receita que ainda traz um blend com mais seis maltes (Pils, Smoked, Caramunich, Brown, Pale Chocolate e Chocolate), cevada torrada, lúpulos norte-americanos (Centennial e Cascade), levedura ale, água norueguesa e café gourmet resultando em uma cerveja de 7.5 de graduação alcoólica e IBU bastante elevado (no mínimo 50). De coloração marrom bem escura e creme bege espesso de boa formação e longa permanência, a Mikkeller Beer Geek Breakfast destaca um aroma intensamente torrado remetendo a café, defumação e chocolate amargo. Álcool e notas cítricas (derivadas da lupulagem) são facilmente perceptíveis. Na boca, o amargor é uma porrada de torra, álcool e cítrico que surpreende. O álcool risca a garganta, a torra marca o céu da boca e aqueles que não gostam de café sem açúcar melhor ficar distante dessa belezinha. Intensa. No final, amargor, cítrico e chocolate amargo. No retrogosto, álcool, cítrico e café.

Fechando o trio Beer Geek com a Baconator, conhecida na Europa como Mikkeller Beer Geek Bacon (e nos EUA como Mikkeller Rauch Beer Geek Breakfast), uma Smoked Oatmeal Stout que recebe adição de café, mas não de bacon, e sim malte defumado. Assim como as anteriores, produzido pela norueguesa Lervig, a Beer Geek Bacon exibe coloração marrom bem escura e creme bege espesso de média baixa formação e permanência. No nariz, a estrela é o malte defumado que lembra fumo, fumaça, bacon e café torrado (bem “breakfast”, como a linha sugestiona). Na boca, rápida doçura. O amargor subsequente surge acompanhado do malte defumado, que não sugestiona tanto no paladar quanto no aroma, mas deixa pelo caminho traços de fumo e café torrado. O conjunto começa amargo (de café) e vai se tornando doce (de chocolate amargo). O final traz café, chocolate amargo e pitadas cítricas (tal como a Beer Geek Breakfast) enquanto o retrogosto traz café, cítrico, chocolate amargor e leve calor. A melhor do trio.

Balanço
Inevitavelmente, o fator de destaque da Weak Brunch Weasel é o café vietnamita adicionado na receita, e a sensação é de que, como o café é bem caro, a turma da Mikkeller decidiu deixa-lo extremamente evidente no conjunto. O resultado é uma cerveja deliciosa que carrega no amargor de torra de malte e de grãos de café. Ainda prefiro a Milk Stout, da Mikkeller, mas nunca recusaria um Weak Brunch Weasel no café da manhã (eu bebo café sem açúcar). A versão Beer Geek Breakfast é indicada para momentos especiais, já que o amargor (de malte torrado, de álcool e de lúpulo) é uma porrada intensa, e os 7.5% de álcool não aliviam. Uma delícia que aquece o peito, as bochechas, a garganta, as ideias. Melhor tomar cuidado com essa menina. Já a Beer Geek Bacon é a versão defumada da Geek Breakfast, e, mesmo sem ter bacon (o que pode decepcionar animados que a encararem pelo uso da iguaria), para mim, foi a melhor do grupo por ter um pouco das outras duas: a suavidade da primeira e o toque cítrico da segunda. Apesar de ter a mesma graduação alcoólica da Geek Breakfast, a Geek Bacon é mais suave no paladar (o aroma, defumado e próximo de bacon, pode assustar alguns). A preferida.

Mikkeller Beer Weak Brunch Weasel
– Produto: Oatmeal Stout
– Nacionalidade: Dinamarca
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 3,69/5
– Preço pago Amsterdã: R$ 15 – 330 ml

Mikkeller Beer Geek Breakfast
– Produto: Oatmeal Stout
– Nacionalidade: Dinamarca
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,65/5
– Preço pago Amsterdã: R$ 13 – 330 ml

Mikkeller Beer Geek Bacon
– Produto: Smoked Oatmeal Stouty
– Nacionalidade: Dinamarca
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,85/5
– Preço pago Amsterdã: R$ 12 – 330 ml

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