Três CDs: Tom Petty, Ben & Ellen Harper, Jonny…

por Leonardo Vinhas

“Hypnotic Eye”, Tom Petty and The Heartbreakers (Reprise)
Sai a ênfase na melodia e nas ambiências, entra (ou melhor, volta) a prioridade aos riffs e ao volume das guitarras: há muito tempo Tom Petty e seus Heartbreakers não lançavam um álbum tão musculoso e alto. Não que os últimos 20 anos (a banda foi fundada em 1976) tivessem sido decepcionantes, mas foram décadas em que a guitarra se elevava mais para o lado do blues que do rock. Aqui, não há dúvidas: Petty, Scott Thurston e Mike Campebell não economizam nos power chords, Ron Blair usa bastante distorção em seu baixo, e até os teclados de Benmont Tench estão a favor da porradaria. Claro que, tratando-se dos Heartbreakers, não estamos falando de thrash metal: há respiro em meio a tanta testosterona rítmica. Porém, mesmo com esses “intervalos”, o que dá brilho ao álbum são as canções mais densas e diretas, como “American Dream Plan B”, “All You Can Carry”, “Red River”, “Forgotten Man” e “Fault Lines”. E a majestosa “Shadow People” está entre as melhores coisas que você irá ouvir em 2014. Nas versões em vinil, Blu-ray e digital, há uma faixa-bônus, a boa “Playin’ Dumb”.

Nota: 7,5
Preço: R$ 60 (importado)

“Childhood Home”, Ben and Ellen Harper (Prestige Folklore)
Ben Harper é um homem de parcerias: sua estreia solo, “Pleasure and Pain” (1992) foi na companhia do amigo e multi-instrumentista Tom Freund, e nos últimos 10 anos gravou discos com The Blind Boys of Alabama (“There Will Be a Light”, de 2004) e Charlie Musselwhite (“Get Up!”, 2013), além do projeto Fistful of Mercy (“As I Call You Down”, 2010, com Dhani Harrison e Joseph Arthur). Então não surpreende que seu último lançamento seja ao lado de sua mãe, Ellen, a quem o californiano sempre citou como influência. A surpresa está em notar que Ben abandonou o blues rock pesado a que vinha se dedicando desde “White Lies for Dark Times” (2009), preferindo buscar inspiração no country e no folk mais tradicionais. Não há nenhum instrumento elétrico no disco, e todas as letras, cantadas em dueto, versam sobre relações familiares (boas e ruins). Há momentos realmente especiais (“Learn It All Again Tomorrow”, “A House Is a Home”, “Born to Love You”), mas o resultado final é belo como um todo, mostrando-se mais envolvente a cada audição.

Nota: 8
Preço: R$ 60 (importado)

“Salvation Town”, Jonny Two Bags (Isotone Records)
Guitarrista do Social Distortion desde 2001, Jonny Two Bags estreia solo com um disco que pode agradar a muito mais gente que apenas os fãs de seu trabalho principal. Investindo forte no gênero que se convencionou chamar de “americana” (pop de guitarras com forte influência de country e folk), Jonny concentra em 10 faixas toda a mitologia boêmia dos EUA: foras-da-lei, bêbados, incompreendidos – não raro, lutando contra a danação da vida mundana e buscando a salvação cristã. Se isso ainda não esclareceu suas dúvidas sobre a sonoridade do álbum, saiba que entre os muitos músicos convidados estão Jackson Browne, David Hidalgo (Los Lobos) e Pete Thomas (baterista dos Attractions e dos Imposters, bandas que acompanharam Elvis Costello). Um trabalho surpreendente, que cheira tanto a poeira de estrada como a umidade de um balcão de bar rodeado de mesas de bilhares e rostos pesarosos.

Nota: 8,5
Preço: R$ 70 (importado)

Leonardo Vinhas (@leovinhas) assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell.

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– “Give Till It’s Gone” é um dos melhores álbuns da carreira de Ben Harper (aqui)
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