Boteco: Duas cervejas da Brassarie Caracole

por Marcelo Costa

A primeira cerveja da Brasserie Caracole, de Falmignoul, na Bélgica, a passar por este espaço foi a ótima La Caracole Nostradamus. Agora é a vez de mais duas: a primeira delas é La Caracole Ambrée, uma Belgian Golden Strong Ale de 7.5% de álcool. Na receita, um blend de cinco tipos de maltes e dois de lúpulos mais adição de casca de laranja. De coloração âmbar e creme levemente alaranjado de ótima formação e média alta permanência, La Caracole Ambrée destaca no aroma tanto o caramelo do malte quanto a acidez da levedura belga, acompanhada de notas cítricas frutadas que remetem tanto a casca de laranja quanto a damasco e maçã verde. Há, ainda, uma leve percepção tanto de couro quanto de condimentação no perfil aromático. Na boca, o primeiro toque surge carregado de uma acidez cítrica intensa em primeiro plano (remetendo a especiarias: pimenta do reino e semente de cravo), que faz o bebedor esquecer do amargor e se surpreender com a doçura suave que surge rapidamente na sequencia trazendo consigo notas frutadas (laranja, morango, figo e maçã verde), caramelo e mel. O final é intensamente seco com sugestão azeda e caramelada. No retrogosto, calor intenso na garganta sugerindo condimentação (como se houvesse pimenta do reino na receita) mais caramelo, figo e suave azedume.

Agora é a vez da La Caracole Saxo, uma Belgian Strong Ale mais loira que as três versões Strong da turma da Valônia belga. Na receita, trigo, maltes Munich e Pilsner cultivados organicamente e um caminhão de lúpulo tcheco Saaz. De bela coloração dourada com creme branco de ótima formação e média alta permanência, La Caracole Saxo exibe um aroma cativante que reúne notas cítricas frutadas (abacaxi, pera e laranja lima), notas florais e herbais remetendo a trigo e feno, condimentação (pimenta do reino) derivada da arisca levedura belga e suave doçura sugerindo mel. Na boca, o primeiro toque traz tanto doçura quanto notas cítricas, que sobrevivem a pancada de amargor pontual se desmembrando em toques frutados (pera e abacaxi), herbais (leve erva-cidreira) e florais além de trigo e mel. Uma delicia refrescante apesar de seus 7.5% de álcool, que ruborizam a face. O final é delicadamente maltado, cítrico e herbal, e contando ainda com um suave azedinho. No retrogosto, herbal (ervas), cítrico, leve azedo e doçura de malte. Muito boa.

Balanço
Fazia um bom tempo que eu não bebia uma cerveja que me desafiava, que quanto mais eu fuçava em seu perfil (tanto aromático quanto de paladar), mais eu descobria. La Caracole Ambrée é a Belgian Golden Strong Ale da turma de Falmignoul, na Bélgica quase na fronteira com a França) de colocar sorriso no rosto de bebedores acostumados com cervejas malucas vindas da Bélgica. No caso da La Caracole Ambrée, acidez acentuada derivada da adição de casca de laranja na receita, que transforma o conjunto em algo… quente, como se tivessem colocado pimenta do reino na cerveja sem esconder caramelo, mel e um pomar inteiro presente no perfil desta cerveja doidinha, e excelente. La Caracole Saxo, por sua vez, é a mais certinha das três cervejas que experimentei dos belgas da Valônia, uma Belgian Strong Ale repleta de aromas e sabores cítricos, herbais e florais, com participação intensa da levedura belga e conjunto refrescante, ainda que o teor alcoólico não seja pra isso. Uma belíssima cerveja.

La Caracole Ambrée
– Produto: Belgian Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,89/5
– Preço pago: R$ 10 (330 ml)

La Caracole Saxo
– Produto: Belgian Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,54/5
– Preço pago: R$ 10 (330 ml)

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