Boteco: duas belgas da Leffe, Rituel 9° e Ruby

por Marcelo Costa

A Leffe Rituel 9° é a cerveja mais alcoólica da Abadia Leffe, na província de Namur, no sul da Bélgica (embora todas as cervejas da marca saiam da fábrica da Stella Artois, em Leuven, cidade vizinha de Bruxelas). Famosos pelas versões (populares) Blonde e Brune, os belgas se propuseram aqui a criar uma Belgian Golden Strong Ale, e o resultado é interessante. De coloração âmbar quase cristalina, a Leffe Rituel 9° exibe um creme bege de baixa formação e curta permanência. No nariz, os aromas característicos do tempero de uma Leffe (cortesia da levedura da casa) batem ponto junto a uma forte sensação adocicada (melaço e caramelo) e clara percepção dos 9% de álcool num perfil aromático que nada exibe de lúpulos. Na boca, a textura é sedosa (quase licorosa) e o dulçor é intenso (caramelo, mel e também baunilha) trazendo consigo o álcool, que cumpre a função de “amargor” do lúpulo esquentando o céu da boca e a garganta. É perceptível ainda uma interessante sugestão frutada de banana e laranja. O final é melado, alcoólico e levemente condimentado (canela) enquanto o retrogosto traz calor, álcool e caramelo.

Produzida inicialmente para atender ao mercado francês, e agora distribuída para outros países, a Leffe Ruby é uma Vegetable Beer que recebe suco de frutas vermelhas (morango, framboesa e mirtilo) mais suco de Elderberry, fruto do Sabugueiro, planta bastante comum no hemisfério norte europeu (e no Sul do Brasil), usada para produzir geleias, tortas e compotas. De coloração avermelhada, a Leffe Ruby exibe um creme branco com nuances vermelhas de boa formação e baixa permanência. No nariz, um aroma floral remetendo a chá de rosas surge em primeiro plano, e frutas vermelhas aparecem na sequencia (framboesa, cereja e morango). Difícil se desprender desta percepção floral e frutada que domina o aroma. Na boca, a Leffe Ruby se diferencia de algumas fruit beers por não trazer uma acidez pronunciada associada às frutas vermelhas, e ficar apenas com o aspecto adocicado sem abandonar a sugestão de rosas. O final é framboesa, rosas e um amargor bastante suave tentando equilibrar o conjunto (só tentando) enquanto o retrogosto reforça as características principais da cerveja: rosas e framboesa.

Balanço
Já havia escrito da Leffe Rituel 9º em 2012, e quando percebi já estava com uma nova avaliação escrita, então fiquemos com esta, menos empolgada, mas ainda valorizando uma boa cerveja de abadia, alcóolica e picante, cuja versão que chegou ao Brasil desta vez é em garrafas de 250 ml. Ainda bem porque são 250 ml que sobem que é uma beleza (sem contar que a ausência de lúpulo de amargor a deixa bastante adocicada; não chega a ser enjoativa, mas o drinkability é bem baixo – tanto pela doçura quanto pelo álcool). Uma ótima cerveja. Da mais alcoólica para a mais “frutada” da Leffe, a Ruby, uma cerveja avermelhada, quase rosa, que recebe adição do fruto de uma planta chamada sabugueiro, e o resultado remete a chá de rosas com framboesa. A diferença em relação às fruit beers é que ela não traz acidez, só a doçura que a aproxima de frutas vermelhas e o componente floral. É uma cerveja perfeita para abrir um almoço, com uma salada leve, e cai bem até acompanhando uma sobremesa. Vale a pena experimenta-la (as duas andam aparecendo em ótimos preços no Empório Submarino. Fique atento).

Leffe Rituel 9°
– Produto: Belgian Golden Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 9%
– Nota: 3,76/5

Leffe Ruby
– Produto: Vegetable Beer
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,96/5

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