CDs: It’s Album Time, Todd Terje

por Flavia Denise

O músico norueguês Todd Terje quer lhe ver dançando pelos quatro cantos da cidade e, para isso, decidiu fazer música divertida e descompromissada. Estrela reluzente em seu país, o produtor faz de sua música uma atípica reunião cômica entre os atributos da Disco Music e sua musicalidade pitoresca. Para Todd, a música tem a obrigatoriedade de nos fazer dançar; obrigatoriedade esta que está presente em cada sintetizador alocado em suas canções.

Lançado em abril, “It’s Album Time” começou a ser gestado em 2012, época em que o single “Inspector Norse”, que fecha o álbum, tornou a “melhor música de 2012”, segundo a Mixmag. Porém, havia mais. Todd se solta das rédeas tradicionais do cenário eletrônico buscando inspiração naquilo que já fez muito sucesso alguns anos atrás, como o trabalho de Brian Eno.

A capa de “It’s Album Time” traz uma elegante arte criada pelo ilustrador Bendik Kaltenborn e transmite uma ideia litorânea que o registro se propõe em exibir de maneira ímpar. A faixa “Svensk Sas”, por exemplo, é construída em cima desta ideia, com um ritmo caribenho e até brincalhão. Experimental e com um trabalho de produção impecável, Todd faz de sua música uma passeio a uma ilha paradisíaca cercada por drinks exóticos.

Uma das faixas que representam bem este conceito de passeio é a versão repaginada de “Johnny and Mary”, original de Robert Palmer lançado em 1980 e que já coleciona versões de medalhões como Tina Turner, Status Quo e Placebo, entre muitas outras. Para manter o nível, Todd escalou nada menos que Bryan Ferry, que conduz o registro com seu vocal macio. De sua parte, Todd parte do arranjo original para criar a “sua” versão. Funciona.

Não há nada de tímido e pequeno em “It’s Album Time”. Em “Swing Star (Part 2)”, por exemplo, os mais variados elementos se misturam pintando talvez uma das faixas mais belas do álbum. É característico de Todd aproximar e criar um sofisticado casamento a partir de bases que, inicialmente, causam estranhamento, mas que todas as pistas de dança pelo mundo a fora. Talento nato que flui espontaneamente aos ouvidos.

O descompromisso divertido do produtor em nenhum momento interfere na qualidade do álbum e isto talvez até permita que ele deite e role na viagem que decidiu criar, afinal, a viagem é dele, mas, inegável, está dividida com o público. Todd, então, parece distribuir as cartas e esperar que o divertimento seja sincero e recheado de boas danças nos embalos de (segunda, terça, quarta, quinta, sexta) sábado (e domingo) à noite. A festa nunca termina.

Isso fica bastante explicito em “Delorean Dynamite”, quando a tensão inicial da faixa vai se deixando abater pelas suaves notas do teclado enquanto os sintetizadores lutam e persistem aumentando o ritmo progressivamente, mas desistindo e morrendo como uma onda na praia.

Dentro de uma estrutura que recria o cenário da Disco Music através de resgates de fragmentos do passado, Todd Terje evita espertamente os clichês que derrubam vários de seus contemporâneos e solidifica uma carreira iniciada em 1999 e que, após parcerias com Prins Thomas e Lindstrøm, finalmente vê sua estreia solo… com o pé direito. Vamos dançar?

– Flávia Denise (https://www.facebook.com/flavsdenise) é estudante de jornalismo e colabora com os sites Pulsa Nova Música e You! Me! Dancing!

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