Três perguntas: METZ

por Juliana Torres

Toronto é a maior cidade do Canadá e uma das cinco maiores da América do Norte. A capital da província de Ontário, estado que faz divisa com Minnesota, Michigan, Ohio, Pensilvânia e Nova York, nos Estados Unidos, é um dos mais importantes polos culturais do país e casa de bandas como Broken Social Scene, Death From Above 1979, Rush e The Band. Entre a psicodelia, o noise, o garage rock e as esquinas e lojas de skate da cidade, surgiu o METZ, power trio de post-hardcore que lançou seu disco de estreia homônimo em 2012, pela Sub Pop.

A banda começou em Ottawa com o vocalista Alex Edkins e o baterista Hayden Menzis. Após tocarem juntos por um tempo, a dupla se mudou para Toronto, onde conheceram o baixista Chris Slorach. Entre 2008 e 2012 o trio se apresentava em lojas de skate e pequenos clubes em Ontário até assinar com a Sub Pop, selo de Seattle responsável por bandas como Mudhoney, The Afghan Whigs e… Nirvana. O METZ toca alto e a distorção é pesada.

“METZ”, o primeiro disco do trio, foi lançado em 2012 exibindo 11 faixas que misturam hardcore, punk, noise rock e um gênero que funciona para explicar bandas que tocam grunge pós-1994, mas com o peso dos Melvins em 1983: doom grunge. O álbum entrou na lista dos 50 melhores da Pitchfork e naquele ano foi descrito como “não revolucionário, mas definitivamente algo novo para se ouvir” pelo Guardian. Não é pouco para os três jovens canadenses influenciados por bandas da Dischord e Touch and Go que passaram 2013 viajando com o Mudhoney em uma turnê por Estados Unidos e Europa.

Agora é a vez da América do Sul. A banda chega ao continente sul-americano pela primeira vez em maio desse ano como parte do lineup do Sub Pop Festival, que também contará com Obits, banda de garage punk de Nova York, e a veterana Mudhoney, em sua sexta passagem pelo país. A tour passa por Santiago (10/05) e Buenos Aires (11/05) antes de chegar ao Brasil, com passagem por São Paulo (15/05) e Goiânia (16/05).

Em conversa com o Scream&Yell, o vocalista e guitarrista Alex Edkins conta sobre sua performance, suas inspirações e quais os próximos passos do trio. E deixa uma dica para o dia 15 de maio: beba líquidos.

Em primeiro lugar, estamos muito empolgados em tê-los no Brasil em maio. Vocês tocam alto e são cheios de energia no palco. Em algumas entrevistas sua integridade física é questionada justamente por causa dessa energia. Como vocês criaram essa energia durante o show?
Nós ficamos realmente animados em escrever e tocar música. Nós gostamos, especialmente, de tocar ao vivo. E acho que essa alegria se imprime na nossa performance. É natural para o METZ tocar agressivamente alto, é a única forma que a nossa música faz sentido. Nós somos muito meticulosos quando o assunto é gravação. Eu fiz muita pré-produção e até gravação sozinho antes de entrar no estúdio. Gostamos que nosso barulho seja muito bem trabalhado, não randômico. Acho que música alta e em êxtase tem uma maneira própria de conectar as pessoas. Nós vamos todos compartilhar um momento intenso e suado e, se tudo der certo, vamos tirar algo a mais disso tudo.

As letras das músicas que vocês escrevem têm muito a ver com a forma como vocês se apresentam: “It always falls apart When the lights turn on / You cant feel your legs, cant feel your face / Everybodys gone / You’re wasted.” Como funciona o processo criativo da banda? Quais são as suas inspirações?
As letras são sempre o último passo do processo criativo. Normalmente eu deixo o clima da música ditar o que eu vou escrever. O primeiro LP foi muito agressivo e obscuro, assim como as letras. Acho que nós tiramos inspiração de quase tudo que está em nossa volta. Nós somos como esponjas. Livros, filmes, discos, pinturas, relacionamentos, a cidade em que vivemos. Tudo isso está infiltrado na nossa música.

Como está o processo de criação de vocês agora? A turnê longa do ano passado deve ter influenciado no seu tempo para escrita, certo? Qual o próximo passo?
Neste momento, estamos escrevendo novas músicas em casa. Sair em turnê definitivamente nos inspirou muito e também nos permitiu entender o que nós fazemos de melhor musicalmente. A Sub Pop nos faz sentir como se tivéssemos uma casa. O catálogo deles é muito parecido com o da Touch and Go, Dischord, AMRep e SST, selos que foram importantes para nossa formação musical. Agora estamos trabalhando em um novo disco e não vemos a hora de lança-lo.

– Juliana Torres (@jukiddo) é jornalista e assina o http://jukiddo.tumblr.com/

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