Tulipa Ruiz ao vivo em São Paulo

Texto e vídeos por Marcelo Costa
Fotos por Liliane Callegari

Encerrando uma sequencia de três shows sold out no teatro do Sesc Bom Retiro (próximo ao Terminal Princesa Isabel, para quem conhece São Paulo), a cantora Tulipa Ruiz mostrou o bom momento musical que vive e, principalmente, o quanto amadureceu no palco desde que lançou seu primeiro álbum, “Efêmera”, em 2010. De lá pra cá, 15 mil cópias vendidas de “Tudo Tanto” (seu segundo disco, lançado em 2012) e um bom número de shows resultou em um romance apaixonado de Tulipa com o palco, do qual o espectador sai premiado.

No entardecer de domingo, Tulipa sobe ao palco do Sesc Bom Retiro com “É”, e um bom número de fãs “inaugura a pista de dança” na área superior do teatro, como ela iria brincar posteriormente. Os fãs recebem com euforia cada número que surge no repertório da noite, e cantam apaixonadamente faixas como “Ok”, a bastante celebrada “Pedrinho” e “Like This”, canção que já ganhou clipe e é uma das primeiras que permitem Tulipa exibir seu extenso alcance vocal, que impressiona, e agrada.

A balada acelerada “Só Sei Dançar Com Você” comove, com a banda pontuando com perfeição o arranjo e o público encorpando o refrão. Um dos grandes hits do primeiro disco, “Pontual”, surge fofíssima abrindo caminho para uma das canções mais celebradas da noite, “Brocal Dourado” (com o público interagindo no backing vocal – o mesmo acontecendo em “Quando eu Achar”) e para a novíssima (e caetanística) “Megalomania”, de pegada carnavalesca e clima festeiro. Em outros tempos, já teria se transformado em hit (e a frase “isso é megalomania dele” virado bordão).

Um dia antes deste show, em seu Facebook, Tulipa havia postado uma foto contando uma história, que dizia que a criança mais nova presente tinha cinco anos, e a senhora mais idosa, Dona Nelly, 99 anos. “Fará cem anos quarta. Medalha de piano aos dezoito e aluna da primeira turma de direito de São Paulo. Santista, feito eu. Elegantérrima. Se amarrou no show. Foi com alguns amigos, para inaugurar a semana de comemorações do seu centenário”, contou. No domingo, por sua vez, o novo era o Otto, de quatro anos. Ou “Cato”, como ele mesmo disse.

O pequeno Otto subiu ao palco em certo momento do show, mas sua participação especial surge quando ele começa a balbuciar no final da versão tempestuosa e absolutamente sensacional de “Víbora” (assista abaixo), uma das faixas épicas desta geração da nova música brasileira ao lado de “Feito Pra Acabar”, de Marcelo Jeneci, e “Seis Minutos”, de Otto, canções que ao vivo crescem enormemente e dão um nó na garganta, um aperto no peito e transformam aquele curto espaço de tempo em um momento único.

O show ainda guardaria surpresas, como em “Cada Voz”, em que, no meio da canção, Tulipa decide improvisar, vai à coxia para trocar seu microfone por um sem fio e parte em direção à plateia, senta-se ao lado do cantor Filipe Cato, que assume o microfone num dueto especialíssimo, de rara beleza. Ou então “Do Amor”, levada primeiramente na voz do público, inteira, ou em “A Ordem das Árvores”, com Tulipa passeando pelo teatro e dividindo o microfone com o público.

Com domínio absoluto de palco e exalando bom humor, como quem está se divertindo tanto que mais parece estar entre um grupo de amigos numa piscina ou em um churrasco, Tulipa Ruiz fez um show impecável apoiada por uma banda excelente (conduzida pelo irmão Gustavo Ruiz e o pai Luiz Chagas nas guitarras, Caio Lopes na bateria e Marcio Arantes e no baixo). Ao final de “Efêmera”, a canção, com boa parte do público descendo à beira do palco, Tulipa agradeceu a noite perfeita: “Viva a vida”. Mais shows assim tornariam o dia-a-dia mais feliz.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne
– Liliane Callegari é fotografa e arquiteta. Veja todas as fotos do show de Tulipa aqui

2 thoughts on “Tulipa Ruiz ao vivo em São Paulo

  1. Nunca tinha lido uma crítica de show tão parecida com a minha percepção do show quanto esta. Tulipa sempre me faz abrir um sorriso imediato na cara, e esta crítica me fez reviver os shows dela que já vi. A descrição que vc fez de Víbora é perfeita! Parabéns.

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