Especial SIM São Paulo: Guri

Três perguntas para Guri Assis Brasil
por Bruno Capelas

O nome artístico dele é sinônimo de garoto no Sul, mas o trabalho em disco e em palco é coisa de gente grande. O gaúcho Alexandre Assis Brasil – ou Guri Assis Brasil – começou a carreira mostrando riffs e solos instigantes em uma das bandas mais emocionais que saíram do Rio Grande nos últimos anos: a Pública, dona de belas baladas como “Long Plays” e “Bicicleta”.

Com o hiato da Pública após o lançamento de “Canções de Guerra”, em 2011, Guri passou a acompanhar outros artistas no palco – como Otto, Quarto Negro e Bárbara Eugênia. “Quando toco com outras pessoas, sigo uma cartilha, mas esses caras me deixam livre para tocar da maneira que sinto a música”, explica ao Scream & Yell o músico em entrevista por email.

Em 2013, além de rodar o país como acompanhante, Guri se lançou em uma nova jornada: a de artista solo, com o lançamento do disco “Quando Calou-se a Multidão”, uma bem azeitada mistura do lado mais calmo do soul com o Clube da Esquina (disponível para download gratuito aqui). Segundo o agora cantor, o álbum “representa um momento que consegui tirar para fora o que me angustiava em forma de música. É um papo meio hippie, mas realmente ajudou”.

Na conversa a seguir, Guri fala rapidamente sobre a diferença de ter uma banda, acompanhar e estar solo no palco, explica mais sobre o novo álbum e revela que há um disco novo da Pública gravado – mas que ele não está no trabalho. Para quem quiser conferir a nova fase do artista, ele toca na Semana Internacional da Música, em São Paulo, no dia 7 de dezembro, às 18h30, na Praça das Artes (mais informações aqui). Com a palavra, Guri.

Você começou com a Pública, já acompanhou gente como Otto, Quarto Negro e Bárbara Eugênia no palco e agora está lançando um disco solo. Qual é a diferença?
A diferença maior nisso tudo é ter uma banda. Uma banda é algo muito democrático e conturbado às vezes. Entra-se em muito programa de índio juntos, o investimento é junto. Todo mundo dá o sangue e é muito prazeroso quando se tem resultado. Quando toco com outras pessoas eu sigo uma cartilha, tiro as músicas da maneira mais fiel que consigo. Felizmente, a Bárbara, o Otto e o Quarto Negro, me deixam muito à vontade e livre para tocar da maneira que eu sinto a música. Para facilitar, ainda sou muito fã do trabalho dos três. Dai, é só alegria. Agora, ter um trabalho solo também é penoso. É praticamente um trabalho começado do zero com alguns caminhos atalhados. Mas a sensação de liberdade é incrível.

O que te motivou a cantar e fazer suas músicas sozinho, longe da banda? Afinal, o que representa o “Quando Calou-se a Multidão”?
Quando a Pública parou de fazer shows por um tempo indeterminado eu comecei a tocar com muitos artistas. Sempre gostei e me divirto muito tocando guitarra. Mas a vontade de ter um trabalho começou a bater mais forte. Eu pensava: “Adoro fazer isso, mas não quero ficar a vida inteira tocando música dos outros”. Eis que, em uns meses de muita insônia, várias canções começaram a surgir. E foi um momento muito especial. Quando consegui me desvencilhar da guitarra comecei e colocar no papel o que me incomodava. Era um momento muito meu e acho que o “Quando Calou-se a Multidão” representa isso: Tirar para fora o que me angustiava em forma de música. E funcionou, viu? Estou numa fase maravilhosa. É um papo meio hippie, mas parece que a música ajudou a fechar a alguns buracos. Hoje já penso música de uma forma muito diferente, tanto que acho que o sucessor do “Quando Calou-se…” vai ser bem diferente.

O último trabalho da Pública é o “Canções de Guerra”, que foi lançado em 2011. Quando a banda volta?
Isso é uma pergunta muito freqüente. Muitos acham que a banda terminou. Outros perguntam se eu saí da banda. O fato é que a banda não terminou. A Pública, hoje, está com um disco gravado, mas eu não fiz parte do álbum. Talvez por querer tomar outros rumos, talvez por que a música feita pela banda já não faz mais parte do que eu estou querendo fazer daqui pra frente. Ano que vem tem muita coisa para acontecer. Pretendo estar com a agenda lotada. Outros integrantes também estarão ocupados com outros projetos. Mas acredito que agora todo mundo leve isso com mais leveza. Se for para sair, sai. Se for para seguir, segue.

Bruno Capelas (@noacapelas) é jornalista, escreve para o Scream & Yell desde 2010 e assina o blog Pergunte ao Pop.

Três perguntas para:
– Stela Campos: “O vinil veio como uma opção natural” (aqui)
– Leo Bigode: “O Goiania Noise Festival é um festival de rock. Sem hypes nem modismos” (aqui)
– Pedro Bonifrate: “Museu de Arte Moderna” funciona mais como uma coleção de canções (aqui)
– Garotas Suecas: “Não vamos cantar em inglês para ‘conquistar os gringos’” (aqui)
– Maglore: “Está cada vez mais difícil ser uma banda independente” (aqui)
– André Mendes: “Eu queria agora era fazer um disco leve e minimalista. Está feito” (aqui)
– Gaía Passarelli e Chuck Hipolitho falam do canal Gato & Gata (aqui)
– Russell Slater, editor do site britânico Sounds and Colours (aqui)
– Pedro Veríssimo: “A Tom Bloch nunca acabou, como muita gente pensa” (aqui)
– Explosions In The Sky: “Acho que você disse a palavra principal: emoção” (aqui)
– Oy: “Senti que a música deveria crescer, tornar-se mais abrangente” (aqui)
– John Ulhoa: “Agora vamos pensar um bocado em Pato Fu, e virá algo novo” (aqui)

3 thoughts on “Especial SIM São Paulo: Guri

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.