Lançamento: “Sábado”, de Cícero

por Jorge Wagner

Quase dois anos após a sua estreia com “Canções de Apartamento”, o carioca Cícero lançou no último dia 31/08 o seu segundo disco, “Sábado” (disponibilizado gratuitamente para download no http://www.cicero.net.br/). Cercado de alguma expectativa e quase nenhuma informação prévia (a não ser as já anunciadas participações de Marcelo Camelo, Silva e do fiel escudeiro de Cícero, Bruno Schulz), o lançamento foi antecedido, na véspera, por uma entrevista publicada no caderno Transcultura, do Jornal O Globo. Em suas declarações, o músico contava sobre suas escolhas a fim de “pensar nos rumos” que queria pra sua vida e como isso resultou em um álbum, definido pelo jornalista Bruno Natal, como “solto”, sem “solução fácil”, com arranjos “ousados” e, por Cícero, de “menos afável”, com intenção de pular a fase do “oba oba” e do “falso carinho”. Paralelo imediato: guardadas as diferenças estéticas, Cícero quis fazer de seu segundo disco um “Kid A”.

Ao optar pela “fórmula Kid A” de renovação, um artista: a) se arrisca a abrir mão de uma parcela significante de seu público, conquistado com as produções anteriores; b) desafia a crítica a olhá-lo por novo ângulo, não necessariamente positivo; c) estimula o comportamento acrítico naquela parcela de fãs pré-disposta a abraçar tudo o que o artista em questão venha a produzir, independente de sua qualidade ou relevância. Embora esteja fácil em um Top 5 de suas referências, Cícero não é Thom Yorke, e o que consegue com “Sábado” é, justamente: a) alguns comentários do tipo “prefiro o primeiro”; b) alguns “vou ouvir quando tiver um tempo” daqueles que poderiam oferecer olhares diferenciados sobre seu trabalho caso não estivessem saturados de reverberações pós-loshermânicas; c) tuitadas e postagens com trechos das novas músicas com a confirmação de que, caras, fãs acríticos não desistem no primeiro desafio.

Afastamento e ousadia não renderam para a cria de Santa Cruz um bom resultado. Se, em alguns momentos, Cícero melhora como arranjador – abrindo mão de dedilhadas ao violão e substituindo pela boa atmosfera de “Capim-Limão”, cujo instrumental final usado no teaser figura como o melhor momento do disco, ou “Ela e a Lata”, que é “Magazine”, do Pedro The Lion, despida de distorções –, a linha tênue que separa experimentalismo e falta de inspiração é constantemente ultrapassada ao longo dos 29 minutos do disco. Principalmente no que diz respeito às letras.

Ao lado de Wado, Cícero compôs boas canções recentemente, caso de “Rosa” e “Canto dos Insetos”, ambas registradas em “Vazio Tropical”, trabalho mais recente do alagoano-catarinense. Em “Sábado”, porém, excetuando a redonda “Duas Quadras”, pouco se salva. Não por culpa da falta de refrãos, mas pela quase inexistência de boas melodias que façam valer a pena ouvir versos como “avenida / avenida e bairro / avenida e bairro e redondeza /a venida e bairro e redondeza e eixo / avenida e bairro e redondeza e eixo e asa”.

Se “Canções de Apartamento” era permeado pela solidão, “Sábado” é dominado pelo egoísmo. Enquanto Camelo é o verdadeiro dono de “Vazio Tropical”, restando para Wado apenas os vocais de seu disco, só é possível saber de sua presença em “Sábado” porque assim registra o encarte. E o mesmo vale para Silva, cuja participação poderia ser facilmente substituída por um desconhecido de mesmo sobrenome, ou para os vocais de Marcela Vale (Mahmundi) e Luiza Mayall. Mesmo com seus convidados, tudo, entre erros, que são maioria, e acertos, é de responsabilidade de Cícero. A não ser, talvez, a mixagem. Provando que Grammys nada significam, o trabalho de Bruno Giorgi, ganhador do prêmio por “Chão”, de Lenine, oprime as gravações, que soam sufocadas, emboladas, sem brilho, e nos faz pensar no quanto “Sábado” poderia ser menos cansativo se abrisse mão de sua sonoridade calculadamente lo-fi.

Na mesma entrevista ao jornal O Globo que antecedeu ao disco, Cícero, remetendo, ainda que involuntariamente, à condição médica conhecida como anedonia – a incapacidade de se divertir ou sentir prazer –, falou sobre seu disco ser inspirado no “final de tarde, entre 17h30 e 18h, que não é nem barro nem tijolo, nem alegre nem triste, nem começo nem fim de nada”. Seguindo o raciocínio, “Sábado” não é nem quente e nem frio, e a gente sabe: o que é morno, longe de passar apenas indiferente, causa náuseas. Que o calendário do músico chegue logo aos próximos dias – sejam eles barro ou tijolo, alegres ou tristes, começo ou fim de algo. Porque com seu segundo disco, Cícero fez de sábado um dia ruim.

– Jorge Wagner (siga @jotablio) é jornalista e colabora com o Scream & Yell desde 2006
– Foto de Cìcero no show de lançamento de “Vazio Tropical” em SP, por Liliane Callegari

Leia também:
– Entrevista: “Canções de Apartamento” é a forma como vejo o mundo, diz Cícero (aqui)
– “Canções de Apartamento” entre os 25 melhores discos nacionais de 2011 (aqui)
– Wado: “MoMo e Cícero estiveram muito presentes na gravação de Vazio Tropical” (aqui)
– Cícero participa do show de lançamento de “Vazio Tropical”, de Wado, em SP (aqui)
– “Kid A”, o Radiohead no topo do mundo, por Luís Henrique Pellanda (aqui)

113 thoughts on “Lançamento: “Sábado”, de Cícero

  1. Eu achei bem legal o disco e mais ainda por ser diferente do primeiro e ser mais parecido com a Alice do que com ele mesmo no Canções mas, opinião é q nem B$%^ cada um tem a sua. Eu gostei bastante da mixagem também e dei graças que não ficou parecido com o Camelo, até gosto do trabalho dele mas, cada um na sua.

  2. Diversas resenhas que li (incluindo a sua) batem nessa mesma tecla de que o Sábado seria morno demais, abafado, menor, sempre em comparação com o Canções. Pois eu fico aqui pensando: se o Sábado fosse solar, quente, mais explosivo, esses mesmos críticos acusariam o Cícero de ser um caçador de hits, um acomodado ou um Lulu Santos metido a Thom Yorke. Esse é o disco que ele quis fazer, da maneira que considerou mais apropriada para expressar suas intenções/inspirações/estados de espírito. Claramente, se ouvirem com atenção, perceberão que ele não quer soar experimental coisa nenhuma. Ele quer soar espontâneo e verdadeiro com seus desejos. Assim como no Canções, porém agora num outro registro, numa outra chave. Por que há essa dificuldade de analisar a obra a partir daquilo que ela mesma apresenta? Deve ser porque fazer esse exercício de mergulhar num disco, compreendê-lo e, aí então, analisá-lo dá mais trabalho, não é?

  3. arlen, os momentos que eu cito como positivos (o instrumental de Capim-Limão e o instrumental de Ela e a Lata) soam como tais justamente por remeter à Alice, embora aquém dela. e também acho vantagem que ele se afaste, ainda que pouco, de Camelo.
    e, Viviane, analisar um disco unicamente a partir dele é coisa pra quem só tem um disco. o passado sempre vem à pauta na hora de uma análise, até mesmo por conta de questões como expectativa/frustração/relevância. simples.

  4. Acho que a resenha poderia ter sido melhor elaborada, mas achei interessante o seu olhar.
    Tenho a impressão de que muitos artistas se assustam tanto após um sucesso inesperado que seus trabalhos seguintes acabam sendo uma espécie de transição, onde a pessoa tenta se afastar ao máximo do que ela acha que não é (ou tem medo de ser) – o “artista da moda” – e se volta pra si pra buscar alguma honestidade, buscar algo diferente e nem sempre fazendo isso bem. E ainda, sempre que alguém faz um disco com pouca ou nenhuma canção costuma ser incompreedido também, rotulado de “chato”, “pretensioso”, etc. Acho que é o que está mais ou menos acontecendo com Cícero, principalmente entre aquela galera que gosta de tatuar frases, jogar confete em show e pintar balões. Até o encarte criticaram; nego não percebeu que as letras, na verdade, são poesias concretas e aí dá pra pensar também que tipo de pessoa com quem seja ineressante se comunicar. E nem estou entrando no mérito de a poesia dele ser boa ou ruim, a música ser boa ou ruim, apenas tenho observado que muita gente que está criticando faz isso pela perspectiva errada, pelo que o disco não quer ser, em vez de analisar o que se propõe a ser.
    Eu achei bonito na primeira vez que ouvi, mesmo que muitas coisas não tenham fucionado. As participações realmente não fizeram a menor diferença e senti falta de algum esmero na produção; a tentativa de reproduzir a cidade, o urbano, o concreto, de fugir do lúdico e do “molinho” talvez tenha esvaziado a inspiração e feito ele entrar em terrenos que não domina, mas acho bacana que não tenha caído no mais do mesmo. Estou encarando como um disco de transição, e esperando que essas reações o ajudem a se encontrar melhor como artista.

  5. rpz, que preguicinha de escrever, heim? não sou de frequentar esse sítio por acha-lo fraquinho – como vc tbm estava no momento que escreveu esse txt, precisando de um café forte pra acordar e um pouco de sustança nesse bucho vazio.

    não sou público do cícero por motivos óbvios, mas não vou fazer coro com o seu descontentamento. o 1º disco dele é perfeito para adolescente órfãos de um chororô mela-cueca – o que o LH tão bem proporcionou durante os anos 00.

    mas esse 2º disco vai à alguns lugares interessantes. por isso, acho um desperdício jogar pedra no momento em que um jovem artista dá um primeiro passo fora da linha – algo importantíssimo.

    entendo q vc usou o exemplo do kid a pra fazer uma referência universal de fácil reconhecimento, mas não achei a melhor escolha. não dá pra comparar o trabalho um moleque à maior banda dos últimos tempos. vc poderia ter continuado no clichê jornalístico-cultural do “desafio do 2º disco”. geralmente, esse texto já vem pronto.

    enfim, resenha imprudente e preguiçosa.

  6. Achei a crítica muito boa, apesar de não concordar com ela em vários pontos. Para mim, o jornalismo cultural é diálogo e não concordância. A crítica não tem papel de jogar pedra ou flores e não importa o momento do artista. Tem papel, sim, de mostrar uma visão única sobre a obra analisada.

  7. É incrível como muitas pessoas não sabem argumentar em resposta a uma ideia sem agredir a pessoa que argumentou primeiro. Pensar é difícil.

    Há uma ideia desenvolvida, e a partir disso, concorda-se ou discorda-se, e segue o barco. Só que é muito difícil, porque a agressão é a crítica.

    Uma pena.

  8. os fanboys de radiohead PIRA.
    achei a comparação com o Kid A bastante razoável (estou ouvindo o disco, 4 ou 5 canção) e devo dizer que foi justamente isso que me fez escutar o disco. jornalismo cultural é isso.

  9. Mac, isso é normal. há quem não saiba diferenciar crítica a um trabalho e crítica a uma pessoa.
    enfim, assim como a Renata, concordo com a ideia de um “disco de transição” – daí a ideia de torcer por um próximo dia.
    Cícero pode mais que isso, tanto que já fez: no Ruído, melhor disco do “indie carioca safra 2005/2007”, e no Canções. pior que torcer pra que ele se limite a uma fórmula é bater palma pra qualquer coisa que ele venha a produzir apenas pela “ousadia do novo”.

  10. É por isso que a crítica musical brasileira é tão sem credibilidade.

    As pessoas não precisam de opiniões. Querem informações técnicas e pensar com suas próprias sensibilidades e informações.

    Presunção um jornalista totalmente desconhecido falar com alguma autoridade que um artista fez um disco menor.

    Faça o seu disco, meu amigo jornalista, se você sabe tocar algum instrumento, e atenha-se a noticiar, o que é o papel do jornalismo no mundo inteiro.

    Esses blogs opinativos são mais um sintoma crônico de um país subdesenvolvido, com um jornalismo subdesenvolvido, que tende a manipular opiniões ao invés de apenas expor os dados.

    É assim com a Globo, com a Veja, e agora com o Scream e Yell, que gostava de acompanhar.

    Marcelo Costa, repense seus jornalistas.

    A arte no Brasil não precisa de opiniões, precisa de ar. A arte gratuita, que tem alguma chance de chegar na massa, então, precisa de ar e vento a favor.

    A análise de seus méritos se dá ao longo dos anos, décadas, séculos, qualquer jornalista que se dispõe a escrever sobre cultura em um veículo deveria saber disso.

    Jorge Wager, você não sabe. Vá escrever sobre esporte que é efêmero e imediatista, acho que sua abordagem se dá melhor ao falar de jogadores de futebol que jogaram mal determinada partida.

    Nós, os jornalistas, nos ofendemos com esse bloguismo recalcado.

    Falta de respeito jugular com um artista que sequer se propõe ao êxito e sequer vende sua obra.

    Em tempo: Eu não gostei do Sábado.

  11. Engraçado a teoria com que a Ana abre o comentário, uma vez que o melhor da crítica cultural norte-americana ou européia é justamente a liberdade que a imprensa tem para tratar qualquer assunto. Reportagem factual é uma coisa diferente de jornalismo cultural. E as duas coisas podem se encontrar, sim. Errado e pequeno também afirmar que ‘o papel do jornalismo é noticiar’. O papel é, ou deveria ser, principalmente fazer pensar. Por fim, não acredito que o público pensante lê uma resenha e deixa por isso mesmo: quem quiser pode ouvir por si mesmo, concordar ou discordar. Imagina só que triste se todos as análises culturais do mundo fossem fichas técnicas e informações factuais, sem nenhuma opinião, por medo de que o leitor não fosse capaz de pensar sozinho. Ainda bem que, pelo menos aqui, não é assim.

  12. Esse comentário dessa Ana está concorrendo a pior comentário do ano, isso incluindo os comentários cretinos de grandes portais.

    Alguém que se auto-intitula jornalista falar uma barbaridade dessa, que vai de encontro ao próprio conceito de resenha, e ainda arrematar esse brilhante pensamento com uma síndrome de vira-lata ilusória é daqueles troféus que qualquer ser pensante que escreva algo minimamente inteligente deve comemorar. Parabéns ao autor pela conquista!

    E não, Ana, é disso que o Brasil precisa: crítica realmente independente e sem rabo-preso. Você não é obrigada a concordar com nada, só pense melhor antes de escrever baboseiras. Se você sabe tanto que música é algo subjetivo, tente se importar menos.

    Uma boa semana!

  13. se “as pessoas não precisam de opiniões”, por que você deu a sua, Ana?

    entenda o paradoxo na sua afirmação: assim como você tem o direito de julgar e opinar sobre o meu texto, eu tenho o direito de julgar e opinar sobre uma determinada produção artística. simples.

    bobagem é pensar que, “no mundo inteiro”, o jornalismo se limita “a noticiar”.
    pobres de nós, subdesenvolvidos!

  14. Ô Ana, se eu entendi bem, a arte gratuita tem que ter ventos a favor, sempre, mesmo que ela não seja assim tão boa quanto o que gostaríamos que chegasse às grandes massas, é isso?

    de acordo com o que você acha, o “vento a favor” significa escrever apenas se for para falar bem? se houver qualquer crítica ao trabalho do artista devemos fazer vistas grossas apenas para não abafar o vento que o levaria ao povo?

    você pode explicar melhor isso?

    no mais: https://www.youtube.com/watch?v=oqMl5CRoFdk

  15. Dei minha opinião na área de opiniões desse site.

    Continuem discorrendo sobre a arte alheia, enquanto os alheios a vocês continuam fazendo arte.

    Estou do lado dos artistas. Bons e ruins.

    Acho resenhas artísticas um exercício patético de superioridade. Mas cabe a vocês que gostam resenhá-las.

    Só espero que a classe artística pensante brasileira continue não ligando pra isso. Como o Cícero fez.

    Não estranho ele estar sendo falando no país inteiro com um disco “ruim”, não?

    Agora gosto mais do disco. Cícero conseguiu outra marco na internet brasileira: O primeiro foi estourar com um disco inteiro. O segundo é manter-se falado e dividindo opiniões com um disco “ruim”

    Com certeza ele fará o terceiro e estarei acompanhando seus passos pra saber qual o próximo nó que ele vai dar na compreensão mediana dos entendedores de música.

    Bom final de noite pra vocês com seus debates.

  16. Segue o baile. Depois da critica à critica, os comentadores partem para ter mais atitude que os criticados. Não farei mais comentarios em lugares que me deixem comentar.

  17. Cara, é tanta coisa engraçada que eu nem sei por onde começar! Vamos lá:

    1) “Presunção um jornalista totalmente desconhecido falar com alguma autoridade que um artista fez um disco menor.”
    Se o JW fosse “conhecido” (seu ANÔNIMO!), a opinião dele, mesmo “desnecessária”, valeria, amiga Ana?

    2) “Faça o seu disco, meu amigo jornalista, se você sabe tocar algum instrumento, e atenha-se a noticiar, o que é o papel do jornalismo no mundo inteiro.”
    Não entendi a ligação entre fazer o disco e noticiar, mas vamos ficar só com a parte de fazer o disco. Pela lógica da guria, só quem faz cinema pode resenhar um filme (mas aí tem que ser roteirista? Ator? Diretor? Contrarregra?).

    3) “Marcelo Costa, repense seus jornalistas.”
    Legal como as pessoas se sentem donas do que não é delas. É assim com o trânsito (todo mundo acha que a rua é sua), com as salas de cinema (nego atende o telefone, acessa os apps), e agora, com o S&Y. Que coisa!

    4) “A arte no Brasil não precisa de opiniões, precisa de ar. A arte gratuita, que tem alguma chance de chegar na massa, então, precisa de ar e vento a favor.”
    A arte precisa de ar??? Isso tem cara de letra rejeitada do Gessinger. Porque sentido, não tem.
    E só porque um negócio é de graça precisa de “vento a favor”? Se gratuidade é sinônimo de qualidade…

    5) “A análise de seus méritos se dá ao longo dos anos, décadas, séculos, qualquer jornalista que se dispõe a escrever sobre cultura em um veículo deveria saber disso.”
    Ah, claro! A perspectiva do tempo muda tudo. To louco pra ver as análises apixonadas da riqueza poétic do Charlie Brown Jr quando eu tiver uns 70 anos…

    6) “Vá escrever sobre esporte que é efêmero e imediatista, acho que sua abordagem se dá melhor ao falar de jogadores de futebol que jogaram mal determinada partida.”
    Esporte é “imediatista”? Claro, as conquistas não permanecem. O que são as Olimpíadas, senão um festivalzinho de verão sem importância? E o que dizer de esportes que atravessam séculos?

    Mas enfim, o JW é um blogueiro recalcado (assim como devo ser eu, o Capelas e todo mundo que escreve aqui), e jornalista bom é o que sabe escrever com ar.

  18. Eu realmente odeio fazer resenhas, mas isso porque acho que a minha opinião sobre alguma coisa é irrelevante e que cada um deveria se arriscar para tirar suas conclusões, dai a demonstrar repulsa as criticas de jornais e blogs é demais!

    Engraçado falar que na gringa isso não acontece, já que praticamente o modelo brasileiro de jornalismo praticamente segue o que vem de fora.

    O que me incomoda muito na crítica (nacional e gringa) e a velocidade com que saem as resenhas, eu realmente não acredito que ninguém teve tempo para analisar um disco (mesmo com apenas 10 faixas rápidas) em poucos dias. A não ser que você tenha tido acesso ao disco antes, ou tenha passado o dia todo ouvindo ele no repeat, e isso pode afetar sua opinião final do trabalho.

    Mas cada um faz a sua, eu mesmo não consigo resenhar nada assim tão rápido, sempre demoro muito e penso em repenso se devo expor minha opinião (e se a mesma é relevante)

  19. Comentários lamentáveis, hein? É sempre assim: quando há uma crítica apontando falhas e destoando do coro dos bróders e chegados, que sempre vão naquela onda de “fulano explora timbres” ou “sicrano se apropria da estética”, ficam putinhos os integrantes da panela. Por essas e outras que o país é um celeiro de burros, burros na área dos formadores de opinião. O disco é HORROROSO, não há como discutir. Se é HORROROSO, então não pode ser dito? Se o cara é “artista”, não pode ser atacado só porque faz “arte”? Que fascismo é esse? Ana, com todo o respeito, vá ler um pouco, vá.

  20. Diego, eu ouvi o disco dias antes dou atenção ao trabalho do Cícero desde 2005 (já o conhecia antes disso). por isso o texto logo na segunda-feira.
    no mais, publico pouco por aqui justamente pra tentar fazê-lo só quando acredito que tenho algo a dizer. nem sempre é favorável, mas aí já é outra história. =)

  21. Eu concordo com um monte de coisas. Os arranjos são bem Camelo mesmo, por outro lado, não acho que dá pra dizer que o cara melhorou com arranjador só porque acrescentou uns contracantos e melodias (simples e previsíveis, ainda que soem bem) sobre as bases. As músicas não começam nem terminam da maneira que se esperaria, com refrões, codas e a montanha russa emocional assertiva que a gente encontra, por exemplo, no primeiro disco. Quando à mixagem, acho que o som abafado tem mais a ver com captação do que com a mixagem em si: ‘Ela e a Lata’, a música que eu mais gostei, tem um vocal mal captado e inatamente abafado, como de quem gravou daquele jeito e daquele jeito ficaria, por um desejo de expontaneidade, em contraponto com uma necessidade de lapidar as canções.
    Em suma, gostei do disco, concordei com muitos pontos, inclusive, com a idéia de ser praticamente um pastiche de Kid A, porque é mesmo (das propostas de música, aos timbres), com o lance de ser um disco morno também. Mas se um dia morno e ser grandes guinadas é um dia ruim, acho que ouvir João Gilberto, por exemplo, não atende à expectativas de um ouvinte tão decente quanto o disco deveria ser.

  22. Gostei bem do primeiro disco, apesar de não achar a maravilha que muitos apontam. Este segundo eu não ouvi, só espero que seja melhor. Mas vendo os comentários bravinhos dos fãs do Cícero, fiquei com uma dúvida: será que os fãs malas e arrogantes do Los Hermanos migraram todos para o Cícero?

  23. Cícero é uma bosta. Isso é um fato.
    Tanto Sábado quanto Canções de Apartamento são discos medíocres que nunca entenderei porque bombaram tanto. Minha namorada ama os dois.

    Agora, ele é corajoso também. Isso é outro fato.
    O cara ganhou um monte de prêmios, lotou tudo, virou o Fiuk do indie, tem uma multidão de meninas tatuadas com frases dele e a crítica blogueira toda amou o primeiro disco. Eu não entendi.

    E ele deu uma banana pras meninas indies, pros blogueiros, pros prêmios, pra expectativa e fez outro disco ruim, só que diferente.

    Sim, isso é corajoso, dado que ele faz do próprio bolso, dá de graça, dá a cara a tapa e tá esculachado em todos os blogs de música que eu li até agora. Eu que acho o cara um mala tô com pena dele.

    As resenhas só outro ponto. A sua, Jorge Wagner, é ruim. Todas foram. Não sabem nada de música e cagam regra como se sua opinião fosse minimamente importante pra alguém além de você mesmo e do seu editor.

    Não gosto do Cícero, do Camelo e dessa ondinha pós-hermânica puxadora de saco do Tom Zé.

    Mas agora respeito mais esse cara do que qualquer paulista chato que babador de ovo da Jovem Guarda.

    Tanto o Cícero, quanto o Rômulo Fróes, quanto todos esses cabeçudinhos palistas, merecem continuar onde estão: Tocando pra meia dúzia de “entendidos” de música em pubs alternativos.

    Em tempo: Infelizmente tenho que admitir que a Fuga nº4 é GENIAL.

  24. hahahahahahahahahahahaahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

    Cheguei aqui pelos comentários no Twitter.

    Moro em Botafogo e ontem vi o Cícero correndo no aterro com fones de ouvido 9h da manhã.
    Eu também corro e não fui falar com ele porque fiquei sem graça. Sim, sou fã.

    Vocês são tão burros que ele esfregou na cara de vocês que tá FUGINDO de vocês, da fama, do meme, da internet, e vocês tão aí discutindo e ele tá correndo no aterro do flamengo 9h da manhã.

    Continuem divugando ele que cada um que for ouvir o disco pelas baboseiras que vocês falam, é mais uma chance que ele tem de conseguir outro fã.

    Fui comprar meu ingresso no Teatro Rival hoje e já ta acabando.

    hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

    Como ele disse na Fuga nº4: A verdade dorme cedo.

    Fiquei com a madrugada e suas discussões imbecis na internet.

    Seus babacas.

  25. “e fez outro disco ruim, só que diferente.” Concordo com o Hugo Monteiro. Só acho que o disco é ‘morno’, não ‘ruim’. Acho do ‘King of Limbs’ do Radiohead, a mesma coisa, por exemplo. A menos que ‘morno’ para o resenhista seja ‘ruim’ e não quase isso, se for isso, vou achar válido.

  26. Bom, já eu adoro esses ” blogs opinativos”. No entanto, mesmo com todos os elogios ao primeiro disco, o achei chatíssimo. Prefiro algumas do Charlie Brown Jr. Ouvi esse “Sábado”, achei bem modorrento, mas mais interessante que o primeiro.

    Gustavo: sim, os fãs malas de Los Hermanos parecem ter migrado para Cícero. Ah, Los hermanos é uma das minhas bandas favoritas….hehe.

  27. Vejo Cícero como o Caetano da atual geração. Ainda vai ser muito ovacionado e apedrejado por aí.

    Sou de Bangu e lembro de ver um muleque magrelo de aparelho berrando ridiculamente com uma banda de rock num pé sujo de Bangu em 2004. Gostei, comprei o cd da banda dele: Alice. Nunca mais ouvi, perdi o cd, larguei. Depois fui saber que era o Cícero do apartamento.

    Tenho uma admiração profunda por esse garoto pelo que ele tá fazendo e a determinação com a qual faz há, pelo menos, 10 anos. Já fez rock, já fez MPB, e agora tá fazendo alguma outra coisa que eu não entendi. Não me interessa.

    Voltei a esse cara pela moda de falar bem dele em 2011. Agora volto pela moda de falar mal dele em 2013.

    E o vejo compondo, gravando, persistindo.

    Quero ver aonde essa estrada vai dar daqui a 20 anos. Acompanho afetuosamente.

    Boa noite a todos,

    Paulo Bernardo

  28. Eu não achei a resenha do Jorge Wagner desrespeitosa, agora alguns comentários aqui no site sim, a crítica existe pra isso mesmo, não sei fazer analogias, interpretações e nem resenhas, eu sei ouvir um disco, sentir, absorver e me identificar com ele ou não. Canções de Apartamento na minha opinião foi um disco que gostei bastante, é bem Cícero, é bem leve, divertido, bonito e agradável, já Sábado é um disco que eu ainda não conseguir sentir as mesmas emoções do disco anterior, a gente sempre acaba comparando com os discos anteriores, isso é inevitável, talvez seja um grande erro de nossa parte fazer isso, porque o ser humano tem resistência as mudanças sim. Eu acho errado gente que julga disco na primeira ouvida, mas é claro que dá pra fazer uma leve análise daquilo que se está ouvindo. Eu acho o Cícero uma pessoa legal, iluminada, talvez Sábado seja uma nova proposta que não agradou a maioria, mas pelas duas ouvidas que eu dei, ainda não me despertou em nada e até me soa um tanto imaturo, quanto ao fato da Ana dizer que a arte no Brasil não precisa de opiniões, isso sim é uma grande burrice, porque o que o artista espera sobre o seu trabalho são exatamente as opiniões, é claro que sempre existe um certo exagero quanto ao fato da crítica destrutiva, mas é pra isso que existe a liberdade de expressão, nem sempre a gente vai ler e ouvir aquilo que gostaria sobre os nossos ídolos, mas é importante que exista um respeito entre ambas as partes. O jornalismo existe não só para noticiar os fatos, ele existe para que possamos colocar o nosso cérebro pra funcionar, sim nós precisamos pensar e argumentar sempre que acharmos necessário, esse lance de “quem pediu sua opinião?” é apenas piadinha de rede social ; )

  29. Só registro meu comentário aqui porque toda ~blogosfera musical~ também tá postando. Não posso ficar de fora de um troço desses.

    Ah, não ouvi o disco novo do Cícero. E não tenho opinião alguma sobre ele, não acho nada….

  30. Tiago Ferreira, James e Paulo encerraram a discussão gente.

    Deixa o cara fazer os discos dele. Ninguém nem sabe quem é esse maluco.

    Só registro meu comentário aqui pra não perder esse momento!

  31. A discussão não é mais mérito do Cícero – que é uma grande bosta, como quase tudo que essa meia dúzia de pessoas ouve no Studio Sp e saem taxando como genial.

    Transcendeu. O mérito de toda essa discussão é da ANA, essa espécie de gênio incompreendido pela humanidade – que deve ser mais chata que toda discografia do Cícero.

  32. Me desculpem todos, mas o mérito todo é do irresponsável do Jorge Wagner que escreveu um texto ruim nitidamente pra gerar essa discussão toda e conseguiu.

    Falar mal do Cícero agora dá ibope e o Jorge Wagner é amiguinho de segundo grau do Cícero, falava mil maravilhas do disco da banda dele, fez a primeira matéria dele falando do Canções falando super bem e, não duvido nada, é amigo do Cícero.

    Ô povinho burro vocês.

  33. Mônia, não rejeito nada do que falei sobre o Ruído e sobre o Canções. mas Sábado é um erro. se meu texto é ruim, não destoa tanto em relação ao disco sobre o qual trata.
    e sim, embora não o veja há uns meses, sou amigo do Cícero. e do Schulz também. nem por isso fiquei de rabo preso.

  34. Ô, o cara que resenhou o disco é amigo mesmo do Cícero?

    Ah, vai dormir Jorge Wagner, caídaço ficar resenhando disco de bróder pra dar audiência pro cara.

    Sábado é só mais um disquinho indie que saiu esse ano.

    Tem Vanguart, Vivendo do Ócio, essa galera Deck toda pra vocês falarem.

    Cícero é qualquer coisa, pára de forçar hype no cara.

  35. vou até ouvir Sábado pra construir uma visão antropológica dessa discussão aqui.
    Tirando o fator “Ana”, o que tem de anormal um artista lançar um disco, um crítico nao gostar e aparecer alguem advogando em favor do artista?
    Nao é possível… Vou procurar as respostas no disco.

  36. Não vejo nenhum demérito em escrever sobre futebol, e acho que vai muito além de ‘jogou bem/jogou mal’. Feito o parêntese, só por aí já se mostra a incoerência do comentário da Ana, já que mesmo o ‘jogou bem/jogou mal’ é opinativo, né? Agora é meio preocupante alguém que se diz jornalista, como a Ana fez, ainda hoje bater na tecla do ‘jornalismo estritamente informativo’. Seremos todos escritores de encartes e bulas.

    Com relação ao disco, também achei exageradamente lo-fi.

    E que raios significa “falta de respeito jugular”?

  37. Cícero é um gênio.

    Um garoto que o Brasil tava precisando. Que ignora a opinião de todos, dos que gostam e dos que não gostam dele e disco após disco tá construindo uma legião de fãs.

    Achei sábado infinitamente melhor que o Canções e indiscutivelmente o disco do ano.

    Mas alguns anos e prêmios terão que passar pra vocês verem seus filhos baixando o disco dele e admirando o cara que vocês jogam terra.

    Vocês passarão, ele passarinho.

  38. Só vim dizer que isso tudo é um tédio… tudinho mesmo.

    Nenhum gênio detected.. nem nos comentários nem no disco.. aliás, quem é Cícero? É o padre?

    a saber to ouvindo e acompanhando os últimos passos do NIN. Showzaço até vendo pelo youtube.

    …como diria o he-man.. té mais galera.

  39. “Cícero fez de sábado um dia ruim.”

    Se eu fosse o Cícero passava perto de você com um galho de arruda, Jorge Wagner.

    Encerrar uma resenha com uma tentativa de frase de efeito boba dessa, ainda mais vindo de um amigo, é inveja BRABA.

    Leonardo, eu acho um gênio. Se você não acha, guarda pra você porque nem te conheço e não tô batendo papo aqui, só expus minha indignação com quem tá ofendendo o cara gratuitamente.

    Nenhum ser humano que chama a arte alheia de bosta merece respeito e esses blogs de música, se Deus quiser, vão continuar sendo lidos por meia dúzia.

    Sem mais.

  40. 59 pessoas que leram esse texto falando que o disco é ruim curtiram.

    Duas mil, das milhares que leram o Segundo Caderno virtual e impresso falando que o disco é sofisticado e foda curtiram o Globo.

    Outros 30 blogs resenharam o Sábado, todos falando que é um disco ruim, e ninguém leu.

    Isso é bom pro Cícero, é bom pro Globo, é bom pro Screm & Yell.

    Viva a democracia e parem de brigar.

    Em tempo: Acho Sábado o disco do ano. Nunca me emocionei tanto com um disco.

    Boa tarde, pessoal

  41. “É de uma contradição tão absurda que Cícero associe-se assim, voluntariamente, a tal denominação, que me faz indagar se o músico sabe e conhece de fato, se tem dimensão do que fez por exemplo em “Fuga Nº 4″, uma das músicas mais bonitas lançadas no Brasil em 2013.”

    (Blog Fita Bruta)

    “Antes de tudo, uma coisa precisa ficar clara: não me considero uma exímia conhecedora da nossa música, tampouco tenho qualquer tipo de bagagem profissional pra julgar o trabalho de alguém ou tachá-lo em bom ou ruim”

    (Blog que seja agridoce)

    Tem gente que sabe escrever, tem gente que não.

    Os que não sabem, por falta de tato ou excesso de maldade, geram essas polêmicas.

    Vamos polemizar em cima de política porque gosto cada um tem um e falar que o Cícero fez de sábado um dia ruim não é resenha, nem opinião.

    Jorge Wagner quer ser o Forastieri da sua galerinha e vai conseguir.

    Esse foi o texto mais comentado da internet sobre o Sábado.

    Por sorte, não passou perto de ser o mais lido.

  42. Eder, concordo plenamente. Falei disso lá no começo dos comentários (número 9), mas muita gente prefere desqualificar o texto do que pensar sobre ele e fazer um contra-argumento. É uma pena, mas isso, como diria a Ana Garcia, é um pais subdesenvolvido.

    Amanda, se as pessoas estão lendo o texto ou não, nem você e nem eu sabemos. Mas eu tenho os números, que já estão perto de 4 mil UVs. Até o fim do mês irá bater a tiragem de várias revistas da editora Abril que fecharam – algumas delas, excelentes. Tente se ater ao que você sabe.

  43. Gostei muito do primeiro disco, ouvi os mp3 e depois comprei o cd. e concordo quando o Jorge diz que esse sabado é morno, achei a mesma coisa. Espero que ele continue tocando as musicas mais velhas no shows.

  44. Jorge Wagner, faça o seu trabalho e não dê importância pra Amandas e Anas da vida. Vc fez a crítica do disco e ponto. Quem é fá do cantor, continue a ouvi-lo se quiser ou não, quem nunca ouviu e se interessar, que vá atrás e ouça etc. Muita infantilidade tentar desqualificar o trabalho do profissional com os argumentos: ele quer ser o jornalista tal ou, pior, por não saber escrever, quer gerar polêmica. Falta maturidade e desenvolvimento pra quem lê textos, infelizmente!

  45. A dificuldade de interpretação, tem se feito complicada, mas não sei se ainda é pior do que a necessidade de se ficar se afirmando, ou de precisar de que alguém tenha a opinião semelhante a sua. Entenda a critica, e veja o que cabe ou não, simples.

    Eu gostei do disco, (tá longe de ser perfeito, mas pra mim passou no teste) o problema é que se atém muito ao hype, ou começam com aquela coisa de síndrome de underground, mas o próprio disco já tem um conceito introspectivo assim como o canções tinha, menos, mas também.

  46. Concordo mais com o comentário da Renata do que com a critica do Jorge. Achei tambem que Sábado é um disco de transição, nem ruim, nem bom. Ao contrario do Jorge, achei um disco corajoso, feito para provocar os fãs. Se ele vai conseguir ou não provocar (pelo nível dos comentários aqui, não), é outra coisa, mas ao menos ele tentou. E já deve ser elogiado por não se repetir.

  47. Pela tal “fórmula Kid A de produção de discos” temo que o próprio Kid A não se encaixe na própria formulação. Guardando o devido contexto e posição na carreira o Cícero tentou cometer um “Bloco do Eu Sozinho” mas conseguiu um “4” se é pra ficar nas comparações doidas com discos.

    Ouvi pouco ainda o Sábado, umas 4 vezes, mas senti muito mais continuidade do que quebra com o formato “canção” do Canções. O que alguns traduziram como “transição” eu coloco como um cara enfrentando suas próprias limitações. Estão ali elementos que dão a ligação direta (rufadas de bateria, repetições intermináveis de guitarras, fins de música caindo devagar) com o album anterior, que sim tinha mais “frases de efeito” mas que já tinha este jeito irregular de construir as estrofes-refrão.

    Eu não to vendo esta história do Cícero estar arriscando o público não. Ao contrário aliás. To vendo ele muito mais atento com outros públicos que não estavam presentes anteriormente.

    Me lembro dele no SESC Pompéia meio desacorçoado falar para a platéia quieta que esperava eles cantando mais. Achei o show travado exatamente pq ele insiste nesta merda de cantar sentado no banquinho. Mas me lembro também de ver a garotada quieta não pq não estavam gostando, mas sim estavam vidrados. Me parece que o álbum é esta aproximação. Um disco com um repertório que parece este passo seguro numa direção pre-definida dentro de limites visíveis.

    Por isso soa estranho comparar com o Kid A (que nada tinha de morno). Morno é fazer o café com leite do dia a dia das rufadas de caixa, das flautinhas, as pequenas repetições intermináveis, que estão aí ligando os dois discos interminavelmente, violãozinho crescendo pra guitarrinhas….

    Como álbum a primeira vista parece preguiçoso e despretensioso. Mas na real é a tentativa segura de manter seu público reduzido mesmo. Pelo menos o esforço é grande.

  48. Gosto muito do primeiro álbum do Cícero, e tinha uma expectativa muito grande por esse. A primeira vez que fui ouvir, desisti. A mudança foi meio chocante, eu não estava preparado.

    Uns dias depois, dei uma nova chance ao disco – e achei ele bom. É consideravelmente inferior ao Canções de Apartamento, mas ainda assim traz momentos inspirados.

  49. Eu gostei do disco.Parece uma versão alternativa dele mesmo,digamos,soando piegas mesmo!Ele se assustou com o sucesso e fez uma “barreira” em forma de disco,beirando o experimental.Não acho que cabe as criticas,mas visão é uma coisa complicada mesmo.Sem preconceito,é um bom album de fato.Só desaponta quem esperava um disco mais facil,de refrões otimos,o que definitivamente não é o caso.

  50. Vou tentar escrever em parágrafos, para imitar os fãs do Cícero.
    Ouvi o disco agora, duas vezes.
    E achei bem ruim. vou ouvir de novo, mas só porque gostei do Canções de Apartamento. Tomara que melhore com as audições.
    Acho até que o autor da crítica aliviou um pouco. Crítica esta que por sinal não é ruim, como afirmam os fãs.
    Aliás, é incrível como as pessoas não conseguem lidar com opiniões contrárias. Acham ofensas onde não existe e não se furtam em ofender. Eu hein?
    Agora não tenho a dúvida do meu primeiro comentário. Os fãs malas e arrogantes do Los Hermanos não migraram para o Cícero. Os dele são bem piores.
    Por falar nisso, eles são bem divertidos. Frases como: “Cícero é um gênio. Um garoto que o Brasil tava precisando. Que ignora a opinião de todos, dos que gostam e dos que não gostam dele e disco após disco tá construindo uma legião de fãs.” e “Vejo Cícero como o Caetano da atual geração.” são bem engraçadas. Muito mesmo.
    E o melhor comentário, disparado, foi do Guilherme: “Não escutei esse disco e tenho medo de escutar. Se eu gostar eu vou ficar que nem esse pessoal?”

  51. Não entendo as pessoas endeusarem artistas, a ponto de ficarem irritadas só de alguem falar que não gostou do disco.Eu gostei do primeiro cd do Cícero (embora o chamarem de genio é demais né?), mas esse “sabado” nao me pegou. Achei as musicas sem inspiração e muuuuito chatas, iguais os discos solos do Marcelo Camelo. Negocio é esperar que ele acerte a mao no 3º disco.

  52. Ouvi o disco e… me pareceu que sobrou colhões ao Cícero e faltou criatividade.Ao meu ver ele é um cara muito inteligente com pouco talento.Uma pena…não passou no teste do segundo disco!

  53. Cícero é genial! foi extremamente corajoso ao sair no auge do Canções, parar de fazer shows quando ele tava estourado pra gravar Sábado. Abandonou tudo o que qualquer artista se esforça pra ter, e o resultado disso foi um cd bom, agradável… não melhor do que o Canções, mas extremamente inteligente, poético até..
    Não vejo o porquê de a crítica toda ficar jogando pedra por Sábado ser “diferente” do Canções se todo mundo sabia que seria, desde sempre ele disse que não seria parecido. Ele tem um potencial astronômico, daqui há uns anos ceis vão ver. Por enquanto ele está se descobrindo como cantor e compositor, acho que nem ele sabe ao certo o que sente e traduz isso nas músicas, e isso me agrada muito.
    Não vejo a hora do show em SP pra poder ver e ouvir tudo ao vivo! 🙂

  54. Juro que tentei ouvir Cícero, mas não deu. Dá uma preguiça danada só por tudo que ele representa. Galera chama o cara de gênio, quando no máximo ele é um baluarte do gueto indie mpbístico brasileiro. Enfim, vi tanto comentário irrelevante aqui que pensei: por que não adicionar mais um?

  55. Credo, vi essa resenha no dia que saiu, e olha só o quanto rendeu.
    Achei o Sábado parecido com aquelas viagens que a gente faz de uma região da cidade pra outra, ou da cidade pro interior, e fica fazendo uma reflexão boba sobre qualquer coisa que ajude a fazer da viagem menos insuportável. E isso é uma coisa muito boa. Eu não espero que as pessoas gostem do Sábado como eu gostei e acho que, mesmo que pareça um comentário pretensioso, Sábado é um disco pra quem tá acostumado com as angustias mais miseráveis, aquelas do dia a dia. Como disco não é melhor que o Canções de Apartamento (essa comparação é necessária) mas como arte é maior. Canções de Apartamento é um abraço de reencontro, Sábado é um abraço diário, mais frouxo e tão importante ainda. E o Cícero pode não ser um gênio (isso só o tempo dirá) mas ele faz o que se precisa pra ser um artista: traduzir o comum -por mais que o comum hoje seja um tanto bunda mole-.

  56. Acho que o S&Y deve repensar mesmo seus jornalistas! Tá faltando mais jornalistas como o Jorge Wagner que não sentem medo de fazer a caneta sangrar. Música é emoção! E acho que falta isso nas críticas, mas vendo um comentário que exige que a crítica se reduza a noticiar não dá para esperar muita coisa.
    Adorei o texto! Relacionou, contextualizou, analisou, bateu, afanou, enfim, fiquei curioso para ouvir o disco. Obrigado!

    Se esse discou causou tantas emoções no Wagner, quantas causará em mim?

  57. Esse disco tem realmente cerca de 30 minutos de duração? Cheguei agora em “Pra Animar o Bar”… e tenho certeza que o caminho até essa faixa levou uma hora ou duas.

    Na batalha pra continuar. Mas… Aquela frase simplificada pela letra P seguida de Q e de outro P. Reticências.

  58. Não gostou, não ouve. Vai venerar a bosta do disco novo do Arctic Monkeys só porque a patotinha de blogueiros curtiu. Jorge Wagner famoso quem, desesperado em sair do anonimato.

  59. quem acredita nessa lógica ridícula do “não gosta, não ouve” deveria levá-la para outras coisas, tipo “não gosta, não lê”. a falácia é a mesma.

  60. Parabenizo o resenhista pela coragem de escrever o que pensa e não ficar fazendo média, como ocorre muito por aí. A resenha, como disse o MAC, é opinião. Tanto isso é verdade que, ao ouvir o disco do Cícero para comprovar a sua ruindade, acabei gostando demais. Não paro de escutar e já fiz propaganda aos amigos.
    Só faço um reparo: não concordo com a comparação com o Kid A. Embora um ou trecho soe parecido, são propostas musicais bastante distintas.

  61. Oi, Ricardo M.!
    obrigado pelo comentário. o importante é que cada um ouça e tire mesmo as suas conclusões, que não precisam ser iguais as minhas. o pessoal do Fita Bruta gostou, o Rodrigo Laurentino gostou, o pessoal do Miojo Indie foi ainda mais longe que eu. isso é bom, é importante.
    quanto à relação com o Kid A, falo dela apenas pela questão do “rompimento com a expectativa” dos fãs, não pela sonoridade. tanto que friso: “guardadas as diferenças estéticas”.

    abs

  62. Dá-lhe Jorge Wagner!
    Gostei de ver.
    Em tempos em que a brodagem nos cadernos de cultura – aliás, em todos os cadernos e fora deles também, virou regra, é bom ver gente indo na, sempre imprescindível, contramão.

    PS: Ciço é tão ruim que chega a doer meus ouvidos mais que otite.

  63. Tendo não ouvido “Canções” e nem “Sábado”, sinto-me à vontade para avaliar de maneira imparcial e inculta ambas as obras e a conclusão é uma só: nunca na história deste país um artista foi tão vilipendiado e vangloriado quanto Cícero. “Canções” trazia uma leva de canções e samba-canções que cantavam sobre os cantos e encantos dos canteiros e cantinas cariocas, eivado de encantadoras estrofes elípticas e herméticas. Uma coisa meio paumolescente, glauberiana, com matizes pós-hermânicas e pré-camelianas. Era o típico disco para mandar embora aquela visita chata nas noites de domingo quando tudo que você queria era assistir aos gols do Fantástico. Já “Sábado” não. “Sábado” é um disco mais ambicioso, que busca mostrar a evolução do artista enquanto tocador de viola e artesão da palavra. No que, infelizmente, falha: em seu segundo disco, Cícero claramente se inspirou em “É o Tchan no Havaí” e seus toques psicodélico-experimentais, mas o resultado acabou mais próximo de “Na cabeça e na cintura”, um trabalho menor no catálogo da mítica banda baiana. Resumindo: Cícero tentou produzir uma grande merda, mas tudo que conseguiu foi um peido molhado.

  64. bueno,
    não conhecia a figura; fui procurá-lo no rdio…
    a muito custo, consegui ouvir duas do sábado. passei pro outro…
    a primeira.
    daí veio “vagalumes cegos”!
    fui buscar com urgência a caixa de costura da patroa e enfiei agulhas embaixo dos meus dedos, todos…

  65. Se esse disco é morno o primeiro é o que? Pô, bossa nova é isso, lento, morno, leve, brisa. O disco é até mais quente que o primeiro, por ter uns lances mais dissonantes. Crítica muito ruim essa, quase infantil. Esse segundo disco achei bem na linha do primeira, só que mais experimental, mais concreto, tem até algo de Rômulo fróes e aquela galera meio “samba experimental”. Disco mais corajoso que o primeiro.

    ”remetendo, ainda que involuntariamente, à condição médica conhecida como anedonia – a incapacidade de se divertir ou sentir prazer”

    Não entendi isso, na verdade o autor do texto só queria citar essa palavra né? fora de contexto isso, mal escrito mesmo.

  66. Jorge Wagner, gostei muito do que escreveu sobre “Sábado”, apesar de não concordar com sua opinião.O álbum gera no início um desconforto, pela ausência de letra e refrão, diferentemente do primeiro, onde ambos estavam presentes. Na verdade, a grande diferença é que no “Canções de Apartamento” a primeira impressão era clara e indiscutível, ou seja, ao escutar a primeira música já se pode definir sua opinião final. Entretanto, no segundo deve-se olhar minuciosamente aos detalhes das músicas. Se você baixar a as letras como elas foram impressas, dá para ver que o autor as escreveu em forma de poesia, dando à musicalidade do poema, instrumentos. A música “Asa-Delta” que foi criticada neste site, pela falta de criatividade, mostra-se escrita como a pura genialidade, onde o ouvinte consegue se imaginar em a asa-delta passando pela avenida, o bairro e etc. Então, tome nota de meu comentário e procure sobre a maneira como o álbum foi escrito. Respeito sua opinião e muito grato pela atenção

  67. Escrevo de Lisboa e conheci o trabalho do Cícero há poucas semanas, através do Sábado e do site bodyspace (http://bodyspace.net/discos/2631-sabado/), e posso dizer-lhes, sem dúvida alguma, que trata-se de uma obra de arte da língua portuguesa e da música brasileira contemporânea. Me entristece ver o tratamento hostil que seu país parece ter dado ao artista estupendo que vocês possuem, visto que li em outros sites criticas tão cruéis como a sua em torno de uma obra tão singela; espero que ao menos a recepção nos shows seja digna do enorme talento deste jovem representante de vossa música. Cá em Lisboa tenham certeza que o tratamento será bem melhor

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