Três perguntas: Pedro Veríssimo

por Marcelo Costa

Após um EP e dois ótimos álbuns com a Tom Bloch (“Demo Deluxe”, 2000, “Tom Bloch”, 2002 e “2”, de 2008), o letrista e vocalista Pedro Verissimo decidiu sair em carreira solo. “Esboços”, seu primeiro disco, foi disponibilizado, uma música por mês, no ano passado, em um projeto que ainda buscava interação com o público, com internautas respondendo aos singles postados a cada mês com imagens de criação livre inspiradas pelas canções.

“Além da bela galeria de desenhos, fotos e afins que ficou no site por um tempo, o projeto gerou essa coleção de músicas que gostei e com as quais passei um tempo sem saber o que fazer”, conta Pedro, que optou, agora, por liberar “Esboços” gratuitamente. “Um clic só e baixa o álbum todo – na ordem, com ficha técnica capinha pra imprimir e tudo o mais”, explica o compositor, que avisa na conversa abaixo que a Tom Bloch nunca acabou.

“Quero logo começar a gravar o próximo solo e ao mesmo tempo já comecei a planejar a próxima investida da banda – porque a Tom Bloch nunca acabou, como muita gente pensa”, avisa o músico. “Esboços” destaca canções como “Eu Sempre Digo Adeus”, “Fantasia Triste” e “Daqui Pra Frente” e pode ser baixado gratuitamente no site www.pedroverissimo.com.br. Abaixo, três perguntas para Pedro Veríssimo.

Você está disponibilizando o projeto “Esboços”. Por que a opção pelo download gratuito?
O álbum é a parte musical de um projeto interativo que teve patrocínio da Petrobrás Cultural – ou seja, foi todo pago por meio da Lei Rouanet – então não me senti confortável de colocar pra vender, fosse através de um selo ou por meios próprios. Além do que, venda de CD (ou mesmo de álbum digital) é tão pequena hoje em dia que acaba virando um limitador. Não vejo – nesse momento, ao menos – muito sentido. Meu maior interesse é que o álbum chegue ao maior número de pessoas da forma mais simples e direta possível: um clic e é seu. Que circule, que passem adiante sem barreira e sem culpa. E que fiquem curiosas pra ver ao vivo.

O que “Esboços” representa para você?
Tem um pouco de autodescoberta, por mais piegas que isso possa soar. Foram as primeiras canções que escrevi pra mim e não pra Tom Bloch ou pra outros artistas – como a Erika Martins ou Nico Nicolaiewsky, por exemplo – então eu mesmo estava curioso pra saber que caminho tomariam. E acho que o nome diz muito. Mas não são esboços no sentido de inacabadas ou mal-acabadas. Mais como estudos, como parte de um processo que ainda está levando a algum lugar.

Tom Bloch já nasceu com um conceito muito definido, uma proposta de misturar eletrônica com poprock, de usar o que o estúdio podia oferecer. Tinha uma vontade ali de ser contemporâneo, de ser de agora (aquele agora da época). Ou seja, já começamos sabendo mais ou menos o que iriamos/queríamos fazer.

E esse meu trabalho não, foi tomando forma enquanto era feito, aos poucos. E foi exatamente na maneira de fazer que a diferença apareceu mais. Acho irônico que a Tom Bloch era uma banda sem a menor preocupação de soar como banda, enquanto esse é um trabalho solo que não só soa como se originou de um trabalho de banda mesmo. Foi nos ensaios, tocando com o Fernando Aranha, o Marcello Cals, o Lancaster Pinto e depois o Claudio Alves, que as músicas foram sendo feitas. E o som é o mesmo que se ouve ao vivo.

Não tem nada no álbum que não seja guitarra, bateria e baixo acústico. Tudo muito orgânico e real. De extra ali, só um vibrafone que aparece em duas faixas e umas ambiências que o JR Tostoi (produtor do álbum) colocou na mixagem. Apesar da temática não mudar muito, a sonoridade é bem oposta ao que eu já tinha feito antes.

Esse disco encerra uma fase, certo? O que podemos esperar de Pedro Veríssimo daqui pra frente?
Encerra ou inicia, ainda não sei bem. Talvez os dois. O certo é que deixou mais separado na minha cabeça o que é Tom Bloch e o que sou eu, artisticamente falando. Tanto que quero logo começar a gravar o próximo solo e ao mesmo tempo já comecei a planejar a próxima investida da banda – porque a Tom Bloch nunca acabou, como muita gente pensa. Pode estar ligada a aparelhos nesse momento, mas o pulso segue. Daqui a pouco acorda. E ter dupla personalidade não é necessariamente uma coisa ruim.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

Leia também:
– “2″, da Tom Bloch, é daqueles discos sensacionais, por Marcelo Costa (aqui)
– Entrevista: Iuri Freiberger -> “A qualquer hora resolvemos fazer um disco” (aqui)

3 thoughts on “Três perguntas: Pedro Veríssimo

  1. Por incrível que pareça, conheci Tom Bloch num disco-tributo a Legião Urbana. E esses projetos acabam incentivando a buscar a fonte né? Na época, gostei muito daquele ‘2’, com a banda reduzida. Acompanhei as músicas novas da carreira solo e essa “Eu sempre digo adeus” me lembra alguma coisa, é familiar e não sei de onde… e me prendeu, não consigo dizer adeus.

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